Genomas de caçadores-coletores mesolíticos de Schela Cladovei e Ostrovul Corbului (Portas de Ferro, Romênia), de c. 8800 anos atrás
c. 8814 ± 261 cal AP para SC1 (Schela Cladovei) e 8704 ± 269 cal AP para OC1 (Ostrovul Corbului), intervalos de 2 sigma corrigidos do efeito de reservatório de água doce do Danúbio, ou seja, c. 6860 e c. 6750 a.C. em ano astronômico (1950 − cal AP); o ano −6860 é o de SC1, usado só como marca no tempo. O terceiro indivíduo, SC2, não tem datação própria · Europa Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em 2017, González-Fortes, Jones, Bonsall, Boroneanţ e colegas, entre eles pesquisadores de instituições romenas, publicaram os genomas de três caçadores-coletores mesolíticos da região das Portas de Ferro do Danúbio: dois de Schela Cladovei e um de Ostrovul Corbului, na Romênia, datados em cerca de 8,8 mil anos atrás (calibrados). Os três se agrupam com outros caçadores-coletores europeus, mas um deles tem o haplogrupo mitocondrial K1, até então associado aos primeiros agricultores, o que, segundo os autores, indica que essa linhagem já estava na Europa antes do Neolítico. O estudo também analisou um indivíduo eneolítico da Transilvânia e, para os autores, o conjunto sugere que, na bacia do baixo Danúbio, a difusão por migração de pessoas e a difusão cultural não se excluíram.
Os três sepultamentos
Segundo os autores, SC1 e SC2 vêm de dois sepultamentos (M95/2 e M96/3) entre os 21 achados junto à margem do Danúbio em Schela Cladovei, escavados entre 1991 e 1996; SC1 é um adulto de 35 a 45 anos e SC2 uma criança de 5 a 7. OC1 vem do sepultamento n.º 24 de Ostrovul Corbului, numa antiga ilha do Danúbio: é um adulto de 30 a 35 anos e cerca de 172 cm de altura, de que só se conservou a parte superior do esqueleto. Em Schela Cladovei, os autores dizem que as escavações começaram em 1964, com o arqueólogo romeno Vasile Boroneanţ, e desde 1992 são um projeto conjunto romeno-britânico. (González-Fortes et al. 2017)
Datação e efeito de reservatório
Os peixes do Danúbio têm menos carbono 14 do que o ambiente terrestre, e quem os come fica com datas de radiocarbono mais antigas do que a época real. Para corrigir isso, os autores usaram os valores de nitrogênio-15 de cada indivíduo (15,0, 14,7 e 15,5 por mil em SC1, SC2 e OC1), altos, que indicam uma alimentação rica em peixe. Com a correção, SC1 ficou em 9075–8553 cal AP e OC1 em 8972–8435 cal AP, intervalos que se sobrepõem. Os autores dizem ainda que as onze datas de adultos do mesmo conjunto de 21 sepultamentos de SC1 ficam entre 8950 e 8550 cal AP. (González-Fortes et al. 2017)
Linhagens e aparência prevista
Os três indivíduos pertencem a linhagens mitocondriais diferentes: U5b em SC1, U5a em SC2 e K1 em OC1. Os três, de sexo cromossômico XY, têm haplogrupo Y R1 ou R1b. Pelas previsões dos autores, todos tinham cabelo escuro e olhos castanhos, e a presença das formas ancestrais de dois genes de pigmentação indica pele escura. Nenhum carregava as variantes que permitem digerir lactose na vida adulta. Nas análises de componentes principais, os três ficam perto de outros caçadores-coletores europeus, incluindo os dois genomas espanhóis do estudo. (González-Fortes et al. 2017)
O indivíduo de Gura Baciului
O quarto genoma romeno é o de uma mulher adulta de Gura Baciului, na Transilvânia, sepultada em um assentamento da cultura Starčevo-Criş mas datada em 5456–5299 cal AP, ou seja, do Eneolítico. Segundo os autores, seu genoma tem muita ancestralidade de caçadores-coletores da Europa Ocidental e uma contribuição menor, mas considerável, de agricultores anatólicos, o que indicaria mais de um episódio de mistura. A análise de isótopos sugere dieta mista, de alimentos terrestres e aquáticos. Eles também notam que os caçadores-coletores mesolíticos do estudo não são representantes diretos da ancestralidade caçadora-coletora desse indivíduo. (González-Fortes et al. 2017)
Fontes
- González-Fortes, Gloria; Jones, Eppie R.; Lightfoot, Emma; Bonsall, Clive; Lazar, Catalin; Grandal-d'Anglade, Aurora; et al. (2017). "Paleogenomic Evidence for Multi-generational Mixing between Neolithic Farmers and Mesolithic Hunter-Gatherers in the Lower Danube Basin". Current Biology 27(12): 1801–1810.e10. DOI 10.1016/j.cub.2017.05.023 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5483232/ em 30/10/2026; volume e páginas conforme o cabeçalho do PMC, não conferidos na versão impressa. Acessar
Na mesma região
- Amidos de trigos e cevada no cálculo dentário de caçadores-coletores de Vlasac (Portas de Ferro, Sérvia), c. 6600–6450 a.C. c. 6600–6450 a.C. calibrados (Mesolítico Tardio de Vlasac, segundo Cristiani et al. 2016); o fêmur H81 (OxA-20762) deu 6640–6440 a.C. (95,4%, corrigido do efeito de reservatório), ou seja, c. 6639–6439 em ano astronômico (−(ano a.C.) + 1). O ano −6540 é o meio dessa faixa, usado só como marca no tempo
- Cemitério mesolítico de Yuzhniy Oleniy Ostrov, no Lago Onega (c. 6250–6000 a.C.): 177 sepultamentos e leituras da organização social c. 6250–6000 cal a.C. (uso do cemitério por cerca de 100–250 anos, segundo Mannermaa e outros 2021) ou cerca de 200 anos em torno de 8250–8000 cal AP (Eckelmann e outros 2024, que citam Schulting e outros 2022); anos astronômicos por −(ano a.C.) + 1 e 1950 − cal AP
- Cemitério de Zvejnieki (Letônia): sepultamentos de c. 7500 a 2500 a.C. e a discussão sobre gênero e idade nos objetos de pedra c. 7500–2500 cal a.C. para o uso do cemitério, segundo Petrović e outros (2024; 2025); anos astronômicos por −(ano a.C.) + 1
- Lepenski Vir, fases I–II: edifícios trapezoidais e esculturas em blocos de pedra na transição entre forrageiros e agricultores (c. 6120–5950 a.C.) início em 6160–6080 cal a.C. e fim em 5980–5930 cal a.C. (95% de probabilidade, modelo 1), segundo Borić e outros (2018); pontos médios 6120 e 5955 cal a.C.; anos astronômicos por −(ano a.C.) + 1
- Lepenski Vir (Sérvia): a fase III do Neolítico Antigo e a datação bayesiana do sítio (c. 5950–5800 a.C.) fase III (Neolítico Antigo) de Lepenski Vir: início em 5990–5900 cal a.C. e fim em 5900–5660 cal a.C. (95% de probabilidade, modelo preferido), segundo Borić e outros (2018); o registro usa os pontos médios (5945 e 5780 cal a.C.)
- Leite e rebanhos nos primeiros assentamentos agrícolas dos Bálcãs e da planície húngara, c. 6100–5700 a.C.: resíduos em cerâmica e restos de fauna c. 6100–5700 cal a.C. (ano astronômico c. −6099 a −5699), intervalo em que Ethier et al. (2017) datam as sete coleções de cerâmica analisadas; o registro começa no meio desse intervalo (−5900), para ficar na célula: cinco das sete coleções vão de cerca de 6000 a 5600 a.C., e só as sérvias Blagotin e Grivac começam em 6200