Atlas da História

Chegada dos portugueses ao litoral da Bahia (1500) e a carta de Caminha

avistamento em 22 abr. 1500; carta datada de 1º mai. 1500 · Terras baixas da América do Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em abril de 1500 uma frota portuguesa avistou o Monte Pascoal e ancorou em Porto Seguro, onde homens indígenas armados de arcos vieram à praia e trocaram objetos com os recém-chegados. A carta de Pero Vaz de Caminha ao rei, datada de 1º de maio, é o relato europeu desse primeiro contato.

Carta de Pero Vaz de Caminha (fólio 1)
Primeira página da carta enviada ao rei de Portugal. É o relato europeu mais antigo do contato no litoral da Bahia; os povos que ali viviam só aparecem pelo olhar de quem escreve. Carta de Pero Vaz de Caminha (fólio 1), Pero Vaz de Caminha, 1500. Domínio público. Ver no acervo

O avistamento e o primeiro encontro na praia

Segundo a carta, a frota topou sinais de terra na terça-feira das Oitavas de Páscoa, 21 de abril, e na quarta-feira seguinte, à hora de véspera, avistou um grande monte alto e redondo, a que o capitão deu o nome de Monte Pascoal, chamando a terra de Terra de Vera Cruz. As naus fundearam a cerca de seis léguas da costa e, na quinta-feira, a meia légua da terra, diante da boca de um rio. Da praia vieram homens em grupos de dois e três; quando o batel de Nicolau Coelho chegou, já eram dezoito ou vinte, nus, com arcos e setas nas mãos. Ele fez sinal para que os pousassem, e eles os depuseram. Como o mar quebrava na costa, não houve conversa que se aproveitasse; houve troca de objetos: do lado português, um barrete vermelho, uma carapuça de linho e um sombreiro preto; do lado dos homens da praia, um sombreiro de penas e um ramal de continhas brancas. (Caminha 1500)

Porto, missa, casas e trocas

Na sexta-feira a frota seguiu para o norte e, no sábado, entrou num porto abrigado por um recife, onde a carta diz caberem mais de duzentos navios. Dois jovens levados a bordo à noite foram recebidos pelo capitão, e a carta registra que um deles, vendo o colar de ouro e um castiçal de prata, acenava para a terra, o que o escrivão leu como sinal de que ali havia ouro; os dois recusaram quase toda a comida e o vinho oferecidos. No domingo de Pascoela o capitão mandou celebrar missa num ilhéu, com altar e a bandeira de Cristo. Degredados foram mandados a uma povoação a cerca de légua e meia, que, segundo o relato deles, tinha nove ou dez casas de madeira, cobertas de palha, muito compridas e sem divisões, com redes atadas aos esteios e fogo embaixo, abrigando trinta ou quarenta pessoas cada uma. Lá os receberam com inhame, e eles voltaram com papagaios e peças de penas, obtidos por cascavéis e outras miudezas. (Caminha 1500)

Um olhar de oficial do rei: o que a carta pede e silencia

A carta foi escrita por um membro da frota ao rei e termina datada de Porto Seguro, sexta-feira, 1º de maio de 1500, com um pedido pessoal: que o rei mande vir de São Tomé o genro do autor. É, portanto, um documento de interesse próprio, escrito para quem governava. Nele os habitantes são descritos pelo aspecto (pardos, avermelhados, com o beiço furado e um osso metido), pela nudez e pela suposta falta de idolatria, e o autor julga que só lhes falta entender os portugueses para serem cristãos. Sobre a terra, diz que ainda não se sabia se havia ouro ou prata e conclui que o melhor fruto seria salvar esta gente. Quando a frota discutiu levar à força alguns homens para o rei, decidiu-se por deixar dois degredados, pois os que são levados à força dizem que há de tudo; dois grumetes também fugiram para terra. A carta não registra nome, língua ou versão dos moradores sobre o encontro: tudo o que sabemos vem da pena de quem chegava. (Caminha 1500)

Fontes

  1. Caminha, P. V. de (1500). Carta a El-Rei D. Manuel [sobre o achamento do Brasil], escrita em Porto Seguro, 1º maio 1500. Texto em ortografia atualizada no Wikisource, pt.wikisource.org, página "Carta a El Rei D. Manuel (ortografia atualizada)" (consultado em 08/10/2026).

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