Atlas da História

Chico Mendes

15 dez. 1944 – 22 dez. 1988 (Wikidata; Castelo 2014 confere o assassinato) · Terras baixas da América do Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Seringueiro e sindicalista de Xapuri (Acre), Chico Mendes foi uma das lideranças dos "empates", ações coletivas contra o desmatamento criadas por seringueiros de Xapuri (segundo Allegretti e colegas, Wilson Pinheiro as inventou), e ajudou a criar o Conselho Nacional dos Seringueiros. A proposta de reservas extrativistas, base da Resex Chico Mendes, ganhou projeção depois do seu assassinato, em 22 de dezembro de 1988.

Seringais, aviamento e posse

Segundo o editorial de Allegretti e colegas (2018), Chico Mendes nasceu em Xapuri e representa a história dos migrantes nordestinos levados à Amazônia nos ciclos da borracha. A produção seguia o sistema de aviamento, que endividava os seringueiros. Com o fim do subsídio à borracha, a partir de meados dos anos 1960, os seringalistas abandonaram parte dos seringais e os seringueiros passaram a viver como posseiros. A política do governo militar para a região, baseada no mito do "território vazio", abriu a floresta a grandes empresas agropecuárias e expulsou famílias de suas posses. (Allegretti et al. 2018)

Os empates e o Conselho Nacional

Os seringueiros de Xapuri, apoiados pela Contag, inventaram os "empates": mutirões de homens e mulheres que interrompiam a derrubada numa posse e negociavam depois com o órgão ambiental e o sindicato. Segundo o editorial, Wilson Pinheiro inventou os empates e Chico Mendes os transformou em estratégia de luta. Em outubro de 1985, em Brasília, o 1º Encontro Nacional dos Seringueiros propôs a Reserva Extrativista, inspirada nas reservas indígenas, e criou o Conselho Nacional dos Seringueiros. (Allegretti et al. 2018)

Viagens, denúncia e assassinato

Castelo (2014) reproduz depoimento de um dirigente local segundo o qual Chico Mendes saía de Xapuri para discutir a organização dos seringueiros em Brasiléia, Sena Madureira, Feijó, Tarauacá, Cruzeiro do Sul e Boca do Acre, e foi a Washington em 1987, com crachá de jornalista, para denunciar a pavimentação da BR-364. O próprio Castelo escreve que Chico Mendes foi assassinado em 22 de dezembro de 1988, em Xapuri, a mando do fazendeiro Darly Alves da Silva. A narrativa de viagens depende de um depoimento; as fontes não trazem documento da época. (Castelo 2014)

Legado: Resex e memória em disputa

Segundo Allegretti e colegas (2018), as propostas do movimento foram incorporadas pelo Estado: o Projeto de Assentamento Extrativista (1987) e, em 1990, a Reserva Extrativista como unidade de conservação, com a criação das quatro primeiras, entre elas a Resex Chico Mendes. Trinta anos depois, havia 94 Resex no país. Castelo (2014) observa que, no Acre atual, muitas representações apresentam Chico como ecologista e não como revolucionário, e estuda como os seringueiros de Xapuri vivem após o assassinato. (Allegretti et al. 2018; Castelo 2014)

Fontes

  1. Allegretti, M.; Cunha, L. H. de O.; Schmink, M. (2018). "30 anos do legado de Chico Mendes" (editorial). Desenvolvimento e Meio Ambiente 48. DOI 10.5380/dma.v48i0.63011. Acessar
  2. Castelo, C. E. F. (2014). Experiências de seringueiros de Xapuri no Estado do Acre e outras histórias. Tese (Doutorado), Universidade de São Paulo. DOI 10.11606/t.8.2014.tde-17102014-190007. Acessar

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