Atlas da História

Diretas Já (1983-1984)

mar. 1983 a abr. 1984 · Terras baixas da América do Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Campanha por eleições diretas para presidente, a partir da emenda apresentada pelo deputado Dante de Oliveira em 2 de março de 1983 e dos comícios de 1984, como o da Praça da Sé, em São Paulo. A Câmara rejeitou a emenda em 25 de abril de 1984: teve 298 votos a favor, mas eram necessários 320, e 112 deputados não compareceram. A eleição de 1985 foi indireta.

Do desgaste do regime à emenda Dante de Oliveira

Ferron situa a campanha no fim da transição pactuada. Ele aponta o atentado do Riocentro, em 1981, quando uma bomba explodiu no carro de dois agentes do DOI-CODI durante um show em benefício de causas de esquerda, como sinal do desgaste do regime; com Gaspari, vê ali a prova de um núcleo terrorista dentro da estrutura militar de repressão. Golbery renunciou em agosto de 1981. Em 2 de março de 1983, o deputado Dante de Oliveira, do PMDB, apresentou emenda para restabelecer eleições diretas para presidente, assinada por mais de 176 deputados e 23 senadores. Souza, citada por Ferron, nota que a Nova República se instalou sobre alicerces institucionais do regime anterior. (Ferron 2019)

Comícios e artistas em 1983 e 1984

Segundo Ferron, em novembro de 1983 artistas se manifestaram nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, e em 27 de novembro um comício na praça Charles Miller reuniu cerca de quinze mil pessoas, com a atriz Lélia Abramo entre os oradores. Em 25 de janeiro de 1984 houve comício na Praça da Sé; depois, o Comitê 25 de Janeiro, de artistas e intelectuais, lançou o manifesto da Festa do Amarelo em resposta ao ministro Abi Ackel, que acusava artistas de terem sido pagos. Em 10 de abril, no Rio de Janeiro, houve comício na Candelária, e em 16 de abril, em São Paulo, na Praça da Sé e no Vale do Anhangabaú. (Ferron 2019)

A votação de abril de 1984 e a eleição indireta

Ferron registra que a emenda foi rejeitada pela Câmara em 25 de abril de 1984: foram 298 votos a favor, 65 contra e 3 abstenções, e 112 deputados não compareceram; eram necessários pelo menos 320 votos favoráveis. Com isso, a eleição de 1985 foi indireta: Tancredo Neves, candidato da Aliança Democrática, venceu Paulo Maluf no Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985, por 480 votos a 180. Motta, em balanço historiográfico, atribui o fim da ditadura a uma combinação de crise econômica e resistência, que inclui a insatisfação de parte da elite e protestos sociais, em especial as greves operárias de 1978-79. (Ferron 2019; Motta)

Quem esteve no palanque e o que a fonte não cobre

A análise de Ferron se concentra na classe artística, que ele considera um fator essencial para dar legitimidade política ao movimento. O texto cita nomes como Ruth Escobar, Regina Duarte, Fernanda Montenegro, Milton Gonçalves e Milton Nascimento, e a presença de PT, PDT e PMDB no evento da Festa do Amarelo. Ferron relata ainda que os números do comício do Rio variaram entre 368 mil e 1,2 milhão, segundo o jornal que ele cita (O Globo), cuja linha editorial, na leitura de Ferron, era ocultar a campanha na medida do possível. Ele cita Ridenti para dizer que muitos artistas de esquerda se adaptaram ao mercado sob a ditadura. A atuação de sindicatos e movimentos populares não é o foco dessa fonte. (Ferron 2019; Motta)

Fontes

  1. Ferron, F. M. (2019). "O palanque: Artistas na campanha das Diretas Já". Políticas Culturais em Revista 12 (2): 145–162. DOI 10.9771/pcr.v12i2.28930. Acessar
  2. Motta, R. P. S. (2024 [2025]). "História e historiografia do golpe de 1964 e da ditadura militar brasileira". e-l@tina 23 (90). DOI 10.62174/23.10214. Acessar

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