Atlas da História

Ditadura militar brasileira (1964-1985)

1964-1985 · Terras baixas da América do Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Regime em que os militares ocuparam os postos decisivos do Estado brasileiro, do golpe de 1964 a 1985, quando um civil foi eleito presidente por eleição indireta no Colégio Eleitoral. Segundo Motta, endureceu em resposta à oposição, com o Ato Institucional n. 2 (1965) e o AI-5 (1968), e caiu pela combinação de crise econômica e resistência.

Por que o golpe de 1964: leituras em disputa

Motta, em balanço historiográfico, resume o debate iniciado nos anos 1970. Uma vertente econômica destacou os interesses do capitalismo multinacional ou o esgotamento da industrialização por substituição de importações. Uma vertente política apontou a paralisia decisória das instituições, na expressão de Wanderley Guilherme dos Santos, ou o esgotamento do arranjo populista. Motta considera todas insuficientes isoladamente e defende que o principal motor foi uma coalizão de direita mobilizada para derrotar as esquerdas e os movimentos sociais em ascensão no governo João Goulart, com dimensão econômica de defesa das grandes empresas e da propriedade privada. (Motta)

Endurecimento e adesão civil

Segundo Motta, as medidas autoritárias se intensificaram em resposta ao ativismo da oposição: em outubro de 1965, sem poder vencer eleições estaduais em estados-chave, os militares baixaram o Ato Institucional n. 2, que instituiu eleição indireta para governadores e presidente; em dezembro de 1968, o AI-5 ampliou os expurgos e a violência política. Ele discute se o regime foi militar ou civil-militar: prefere ditadura militar, pois os militares ocupavam os postos decisivos, mas diz que ninguém duvida da participação essencial de civis. Para Motta, pesquisas sobre adesão e acomodação não devem subestimar a coerção, sem a qual o regime não teria durado duas décadas. (Motta)

Trabalhadores: intervenção sindical e greves de 1968

Carvalho resume a visão corrente de que, depois do golpe, a classe operária foi esmagada e só reapareceria em 1968, com greves em Contagem e Osasco, e depois em 1978-79 no ABC. Ele cita dados sobre as intervenções: dirigentes com direitos políticos cassados e intervenção em confederações, federações e centenas de sindicatos. Contra a ideia de que as greves foram um mero espasmo, argumenta que mostraram nova estratégia operária. Em Contagem, segundo Gorender citado por ele, a greve de abril de 1968 terminou com abono concedido pelo governo. Motta soma que as greves de 1978-79 contribuíram para o fim do regime. (Carvalho 2012; Motta)

Povos indígenas sob a ditadura

Martins, pesquisador de ciências sociais, examina o trabalho da Comissão Nacional da Verdade sobre violações contra indígenas. Descreve o Relatório Figueiredo, de 1967, redescoberto em 2013 no Museu do Índio, que apurou matanças, torturas e exploração de indígenas, sobretudo por latifundiários e agentes do extinto SPI. Para o período da ditadura, aponta, com base em Davis (1978), a integração dos índios à economia de mercado e a abertura da Amazônia como objetivos da Funai sob Bandeira de Mello (1970-1974). Cita como exemplos a Transamazônica, que cortou o território dos Parakanã, o ataque aos Cinta-Larga e as mortes entre os Waimiri-Atroari. (Martins 2018)

Fontes

  1. Motta, R. P. S. (2024 [2025]). "História e historiografia do golpe de 1964 e da ditadura militar brasileira". e-l@tina 23 (90). DOI 10.62174/23.10214. Acessar
  2. Martins, F. do E. S. (2018). "As sociedades indígenas e a Comissão Nacional da Verdade". Espaço Ameríndio 12 (2): 386–419. DOI 10.22456/1982-6524.80356. Acessar
  3. Carvalho, Y. R. de (2012). "O movimento operário e a Ditadura Civil-Militar: resistência, luta armada e negociação". Revista Latino-Americana de História 1 (3), ed. especial Lugares da História do Trabalho). Sem DOI; texto em revistas.unisinos.br/rla.

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