Atlas da História

Complexo da Mesquita Süleymaniye

1550–1557 (UNESCO) ou 1551–1558 · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Complexo (külliye) da Mesquita Süleymaniye, em Istambul, projetado pelo arquiteto Sinan e construído em 1550–1557; a UNESCO o vê como ápice da arquitetura otomana do séc. XVI. Reunia mesquita, madraças e outras fundações, e a localização da sua escola de recitação do Corão (Dârülkurrâ) ainda é debatida (Çiftçi 2021).

Painel de azulejos de Iznik
Painel de pasta de quartzo pintada sob vidrado transparente, na cerâmica de Iznik. É da mesma época da construção da Süleymaniye (1550–1557), mas não é dito que veio dela: serve para ver o gosto decorativo otomano do período. Painel de azulejos de Iznik, oficinas otomanas de Iznik (autoria não registrada), segunda metade do séc. XVI. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo
Prato de cerâmica de Iznik
Prato de uso doméstico ou de luxo feito em Iznik no século XVI, pintado e vidrado. Mostra o cotidiano refinado do Império Otomano na época de Solimão, o Magnífico, e de seu complexo religioso. Prato de cerâmica de Iznik, oficinas otomanas de Iznik (autoria não registrada), séc. XVI. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

Uma pedra lançada em 1550 e um canteiro em livros de contas

Yılmaz (2024), da Universidade Ancara Yıldırım Beyazıt, reuniu o que dizem a inscrição do portal, os cronistas do séc. XVI e os livros de contas da obra publicados por Ömer Lütfi Barkan. Segundo o cronista Celâl-zâde Mustafa, Sinan desenhou primeiro a planta, o terreno no recinto do Palácio Velho foi limpo e, em 27 de Cemâziyelevvel de 957 (13 de junho de 1550), o xeique do Islã Ebussuûd lançou a primeira argamassa diante de dignitários, eruditos e público. Os livros de contas cobrem cerca de quatro anos e oito meses de canteiro e permitem acompanhar cada parte: o mihrab foi feito sob o mestre canteiro Yahya de Konya entre dezembro de 1553 e abril de 1554; os quatro grandes pilares, entre novembro de 1553 e outubro de 1554; os minaretes, de 1554 a 1556. Barkan explicava as divergências de data pelo que cada autor chamava de início (escavação ou cerimônia) e de fim (fechamento da cúpula ou primeira oração de sexta-feira com o sultão). (Yılmaz 2024)

Terraços sobre a encosta voltada para o Corno de Ouro

O conjunto ocupa cerca de 63.500 m² num dos sete morros de Istambul, num terreno tão inclinado que, segundo a descrição de Doğan Kuban retomada por Yılmaz (2024), as construções foram distribuídas em terraços de alturas diferentes, tomando como referência o nível do túmulo do sultão. A escola primária, duas das madraças e a escola de medicina ficaram no alto, com lojas embaixo; o hospital, a cozinha pública e a hospedaria ficaram num patamar mais baixo, sobre estábulos e um caravançará; o pátio externo da mesquita foi construído sobre aterro sustentado por muros de arrimo. A cúpula principal tem 26,20 m de diâmetro e 49,50 m de altura, apoiada no eixo da qibla por duas meias cúpulas; dois minaretes chegam a 76 m, com três balcões, e os outros dois a 56 m. O texto da UNESCO registra que o complexo manteve sua integridade estrutural, salvo pequenas mudanças na parte comercial, e que a silhueta da península, com Süleymaniye, é protegida por planos urbanísticos. (Yılmaz 2024; UNESCO, lista nº 356)

Madraças, escola de medicina e hospital no mesmo terreno

A carta de fundação previa quatro madraças em volta da mesquita, além de uma escola de hadith. Como não há registro de inauguração, Yılmaz (2024) estima as datas pelas nomeações dos primeiros professores nos dicionários biográficos: c. 1552–1553 para as duas primeiras e c. 1558–1559 para as duas da encosta, uma inferência do autor. Cada madraça tinha 21 pessoas, com um professor, um assistente, 15 estudantes e quatro serventes; o professor recebia 60 akçe por dia e cada estudante, 2. Uma ordem de 1º de março de 1552 mandou construir ali um tımarhane, termo que Yılmaz lê como hospital, e o prédio ficou pronto c. 1556, segundo Süheyl Ünver e Gönül Cantay. Ao lado, Sinan ergueu uma escola de medicina separada do hospital, que Yılmaz apresenta como a primeira desse tipo em Istambul; em 1575 o Tesouro Interno lhe enviou 66 volumes. Serdaroğlu (2025), da Universidade de Istambul, cita estudos segundo os quais havia uma ala de 20 leitos para doentes mentais, tratados também com música. (Yılmaz 2024; Serdaroğlu 2025)

O que mostra o balanço da fundação em 1585–1586

Barkan publicou um balanço anual do vakıf de 1585–1586, uns 20 a 25 anos após a inauguração, e Yılmaz (2024) o compara com a carta de fundação. A carta fixava 796 cargos; o balanço paga 936 pessoas, o que o autor atribui a prédios e serviços acrescentados. Dos 2.724.536 akçe gastos no ano, 1.237.546 (45,4%) foram salários e 971.378 foram compras de carne, farinha e lenha para a despensa da cozinha pública. Há também verbas para o hospital, para enviar cinco pessoas ao hajj e para vestir as crianças da escola primária; o professor da escola de hadith, previsto com 50 akçe diários, recebia 210. Yılmaz explica as diferenças pela perda de poder de compra, incêndios, epidemias e novas construções, mas pede um estudo de historiador econômico. Serdaroğlu (2025) lista as rendas: impostos de 217 aldeias, além de moinhos, pesqueiros e ilhas. Ele lê o conjunto como política social; cita, porém, Nadir Özbek, para quem a literatura idealiza os vakıf otomanos em geral e a parte de seus gastos destinada aos pobres era pequena. (Yılmaz 2024; Serdaroğlu 2025)

Do hospital à gráfica militar, da cozinha ao museu

Serdaroğlu (2025) acompanha o hospital no séc. XIX. Em 1844 as doentes mentais do asilo de Haseki foram transferidas para Süleymaniye; os demais doentes passaram para o hospital Bezmialem Valide Sultan, de 200 leitos, e o antigo hospital ficou só com os pacientes psiquiátricos até a década de 1870. Depois de um surto parecido com o cólera, eles foram levados para o asilo de Toptaşı, em Üsküdar, que em 1873 se tornou o asilo oficial do Estado. O prédio serviu de selaria e de quarentena para o cólera em 1865; em 1884 decidiu-se entregá-lo à prefeitura, e abrigou a gráfica militar até 1972 (desde 1862 num trecho do artigo, desde 1887 em outro). A cozinha pública, concluída c. 1554–1555, teve outro destino, segundo Yılmaz (2024): em 1914 virou Museu dos Bens Pios Islâmicos e, até 1983, Museu de Obras Turcas e Islâmicas; depois foi restaurante de uma empresa privada e hoje abriga um instituto da Universidade Ibn Haldun. (Serdaroğlu 2025; Yılmaz 2024)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Historic Areas of Istanbul", lista nº 356. https://whc.unesco.org/en/list/356/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
  2. Çiftçi, M. (2021). "Osmanlı Zirve Döneminin İhtilaflı Medresesi: Süleymaniye Dârülkurrâsı". Marmara Üniversitesi İlahiyat Fakültesi Dergisi 61: 139–165. DOI 10.15370/maruifd.1035977. Acessar
  3. Kuruçay, E.; Ediz, Ö. (2025). "Mimaride görsel karmaşıklığın hesaplamalı analizi: Şehzade Camii, Süleymaniye Camii ve Selimiye Camii". Gazi Üniversitesi Mühendislik Mimarlık Fakültesi Dergisi 40(3): 1495–1508. DOI 10.17341/gazimmfd.1476466. Acessar
  4. Yılmaz, Y. (2024). "Kanuni Dönemi Dinî, Sosyal ve Kültürel Hizmetlerin Merkezi Süleymaniye Külliyesi". Journal of Analytic Divinity 8(1): 65–96. DOI 10.46595/jad.1386858. Acessar
  5. Serdaroğlu, Ü. S. (2025). "Osmanlı Devleti’nde Kamu Yararının Kurumsallaşması: Süleymaniye Vakfiyesi Üzerinden Bir Kurum Tarihi İncelemesi". Sosyal Siyaset Konferansları Dergisi 88: 205–239. DOI 10.26650/jspc.2025.88.1679795. Acessar

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