Atlas da História

Complexo El Vergel

c. 1000 a 1500–1550 d.C. (Díaz de Aranda 2022; Gajardo 2019) · Cone Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Complexo cultural da Araucanía, no sul do Chile, de c. 1000 a 1500 d.C., conhecido pela cerâmica pintada e engobada, cujas receitas compartilhadas entre sítios sugerem circulação de saberes e matérias-primas. Díaz de Aranda (2022) parte de sua relação histórica direta com os reche-mapuche e propõe o sítio Los Caciques, no rio Cautín, como lugar de congregação social.

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Do Biobío ao Toltén: vales, costa e ilhas

Gajardo (2019) situa o complexo El Vergel no Período Cerâmico Tardio, de c. 1000 a 1550 d.C., entre os rios Biobío e Toltén, nos vales dos dois lados da cordilheira de Nahuelbuta, na costa e em ilhas como Mocha e Santa María. A variabilidade interna é grande: arquitetura pública só aparece em alguns lugares, e mudam de área para área os padrões funerários, o uso de metais e as plantas cultivadas. A cerâmica pertence à tradição bicolor vermelho sobre branco, no estilo Vergel. O Museo Chileno de Arte Precolombino descreve assentamentos em vales, costa, ilhas e áreas úmidas, com cemitérios junto às moradias, e uma organização social em pequenos grupos familiares que se articulavam em unidades maiores. (Gajardo A. 2019; Museo Chileno de Arte Precolombino)

Laser sobre cacos: como as receitas foram lidas

Gajardo analisou 130 cacos, de um total de 2.332, de cinco sítios domésticos: dois na Isla Mocha, um na Isla Santa María, Coronel 2 e Aerogenerador F5. As pinturas e engobes foram medidos por ablação a laser acoplada a espectrometria de massas (LA-ICP-MS). Ferro, vanádio e cromo separam os vermelhos, e silício e rubídio os brancos, em oito grupos de composição, cinco vermelhos e três brancos. Um engobe branco com carbonato de cálcio, de conchas moídas, é comum às ilhas, e um grupo vermelho é compartilhado por Coronel 2 e Mocha. Como não há um centro único de produção, a autora conclui que cada comunidade fazia sua cerâmica, e que grupos repetidos ao longo de certos eixos geográficos indicam circulação de conhecimento, matérias-primas ou vasilhas. (Gajardo A. 2019)

Batata, quínoa e chilihueque; urnas e cachimbos

Segundo o Museo Chileno de Arte Precolombino, a agricultura de batata, quínoa, milho, feijão e abóbora se combinava com caça, pesca de margem e coleta em terra, rios, lagos e mar: lobos-marinhos, pudus, raposas, lontras, moluscos, totora e frutos do peumo. De modo excepcional, amansavam filhotes de guanaco, o chilihueque descrito pelos primeiros espanhóis. Os defuntos, em pequenos grupos talvez aparentados, iam em grandes urnas de cerâmica com jarros metawe, em covas cercadas de pedras, em enterros simples ou dentro de canoas de madeira (wampo). Cachimbos (quitras) sugerem uma religiosidade de tipo xamânico, com uso ritual de substâncias alucinógenas. Gajardo (2019) lembra que, nas crônicas, caciques da Isla Mocha trocavam bens com o continente, e interpreta esses grupos como pequenas unidades políticas capazes de se organizar além do nível local. (Museo Chileno de Arte Precolombino; Gajardo A. 2019)

Los Caciques, no alto do cerro Conun Huenu

O sítio Los Caciques ficava originalmente no topo do cerro Conun Huenu, na comuna de Padre Las Casas, no curso médio do rio Cautín. Díaz de Aranda Leyton (2022) descreve o conjunto cerâmico pelas categorias de vasilhas, seus atributos e as proporções em que aparecem, e caracteriza, a partir de fontes documentais, os festins reche-mapuche. Juntando as duas linhas de evidência, e partindo da relação histórica direta entre as populações El Vergel e reche-mapuche, a autora propõe que o lugar fosse um ponto de congregação social. Esta seção se apoia apenas no resumo do artigo; o detalhe do argumento não foi conferido no texto integral, que não abriu no portal da revista. (Díaz de Aranda Leyton 2022)

Entre Pitrén e os mapuche históricos

Para o Museo Chileno de Arte Precolombino, El Vergel sucedeu ao complexo Pitrén (c. 100 a 1100 d.C.), uma tradição local de agricultores e ceramistas. El Vergel emulou uma estética andina na cerâmica e nos metais e incorporou cultivos andinos, enquanto os últimos grupos Pitrén permaneceram nas áreas de lagos da pré-cordilheira. Os dois teriam compartilhado a Araucanía quando os espanhóis chegaram, e deles teria surgido, "provavelmente como reação" a essa chegada, o povo mapuche histórico. No sul, a cerâmica passou ao estilo Valdivia, ao que parece já em tempos coloniais e em resposta à influência espanhola. Os parlamentos do século XVII, como o de Quilín, mostram as linhagens dessa região negociando com a Coroa espanhola. (Museo Chileno de Arte Precolombino)

Fontes

  1. Díaz de Aranda Leyton, M. (2022). "Los Caciques. Una reflexión sobre los eventos de congregación social del complejo cultural El Vergel en el curso medio del río Cautín. Sur de Chile". Revista CUHSO 32(2): 195–215. DOI 10.7770/cuhso-v32n2-art2629. Acessar
  2. Gajardo A., J. (2019). "Pinturas y engobes en la Araucanía: análisis composicional de vasijas decoradas El Vergel (sur de Chile, 1000-1550 d.C.)". Boletín de Arqueología PUCP 27: 87–102. DOI 10.18800/boletindearqueologiapucp.201902.005. Acessar
  3. Museo Chileno de Arte Precolombino, "Chile Precolombino: El Vergel" (páginas Historia, Economía, Organización social, Culto y funebria, Patrón de asentamiento). https://chileprecolombino.cl/prehistoria/culturas/sur/el-vergel/historia/ (consultado em 07/10/2026). Acessar

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