Os primeiros povos da América do Sul: 14 mil anos antes de 1500
Aprofundamento · Brasil e América do Sul · 4.964 palavras
Rascunho: este texto ainda não passou pela revisão do editor e não está publicado.
Texto preparado a partir das fontes citadas; edição e revisão de Gabriel Fontes. Como escrevemos.
Abrir no mapa e na linha do tempo
À beira de um riacho no sul do Chile, o Chinchihuapi, arqueólogos encontraram os restos de um acampamento enterrado: a base de uma habitação comprida, parecida com uma tenda, fogueiras, pegadas humanas, plantas e objetos de madeira, junco, osso e pedra. É Monte Verde. Essa camada do sítio, chamada MV-II, tem cerca de 14.500 anos 1. Quando o acampamento estava em uso, o corredor por terra entre as geleiras do Canadá ainda não tinha se aberto por inteiro 2.
Este artigo conta o que se sabe sobre os povos que viveram na América do Sul nos 14 mil anos anteriores à chegada dos europeus: quando chegaram, por onde, como enterravam seus mortos, o que começaram a plantar, o que construíram e como estavam quando as caravelas apareceram. Também conta o que ainda está em disputa.
Uma nota sobre as datas. A arqueologia mede o tempo em "anos antes do presente" (AP), contados a partir de 1950. Quando a data vem do radiocarbono, ela precisa ser calibrada para virar ano de calendário; as datas calibradas aparecem como "cal AP". Neste texto, sempre que possível, as datas estão convertidas para há cerca de tantos anos, e o texto avisa quando a fonte dá a data sem calibrar ou não diz se calibrou. Para os últimos milênios, em que as fontes usam o calendário comum, as datas aparecem em a.C. e d.C.
Em resumo
- Os sítios mais bem datados mostram gente na América do Sul há pelo menos 14 a 15 mil anos, da costa do Peru ao Pampa argentino.
- Ninguém sabe ao certo por onde os primeiros grupos entraram no continente. A costa do Pacífico é a hipótese mais citada, mas não está provada.
- Em Lagoa Santa, em Minas Gerais, há 10 mil anos, caçadores e coletores enterravam os mortos com rituais complexos, que incluíam desmembrar e queimar o corpo.
- Abóbora, amendoim, feijão, mandioca, arroz e cacau foram cultivados ou domesticados na América do Sul milhares de anos antes de 1500.
- Quando os europeus chegaram, havia na Amazônia e no sul do continente sociedades grandes e organizadas, algumas ainda ativas no século XVII.
Quando chegaram
A pergunta sobre quando os humanos chegaram à América do Sul tem duas respostas. Uma é a data dos sítios mais antigos que quase todos aceitam. A outra é a data em que as pessoas de fato chegaram, que é mais antiga e talvez nunca seja conhecida, porque os primeiros grupos eram poucos e deixaram poucos vestígios.
Em 2020, Prates, Politis e Perez reuniram mais de 1.600 datas de radiocarbono dos sítios antigos do continente e aplicaram critérios rígidos para separar as confiáveis das duvidosas 3. As evidências que passaram no filtro vêm de três lugares: Huaca Prieta, na costa norte do Peru; Monte Verde, no sul do Chile; e Arroyo Seco 2, no Pampa argentino. Todas ficam entre 15.100 e 14.000 anos atrás. A partir dessas datas, os autores estimaram que a chegada teria ocorrido entre 16.600 e 15.100 anos atrás, com média perto de 15.500 3.
Os próprios autores avisam que esses primeiros sinais são escassos e que provavelmente não representam o momento real da colonização: "probably unlikely to represent the actual colonization time" 3. As primeiras pessoas chegaram antes, e o registro arqueológico demora a aparecer.
Há sítios mais antigos que ficaram de fora dessa conta, e é aí que começa a briga. Prates e colegas excluíram de propósito os sítios da Serra da Capivara, no Piauí, como Boqueirão da Pedra Furada, e também Santa Elina, em Mato Grosso, e os níveis mais antigos de Monte Verde. Segundo eles, esses sítios não cumprem os requisitos de validação: no Piauí, a origem humana de parte das pedras lascadas e das fogueiras é disputada, e faltam estudos de como os vestígios se formaram 3. Os pesquisadores da Serra da Capivara defendem as datas antigas, mas os trabalhos deles não estão entre as fontes lidas para este texto. O debate está aberto, e volta na seção O que os pesquisadores discutem, no fim do texto.
Monte Verde é o exemplo mais claro dessa disputa entre as fontes lidas. Em 2015, a equipe de Tom Dillehay publicou novas escavações no sítio. Abaixo da camada MV-II, eles encontraram níveis mais antigos com 39 artefatos de pedra e 12 pequenas áreas queimadas, datados entre pelo menos 18.500 e 14.500 anos atrás pelo radiocarbono e pela luminescência, um método que mede há quanto tempo um sedimento foi exposto à luz pela última vez 1. Os autores reconhecem que esses níveis são esparsos e que talvez não cumpram os critérios tradicionais que muitos arqueólogos exigem para aceitar um sítio antigo 1. Por isso continuam em discussão.
Por onde vieram
Os ancestrais dos povos indígenas das Américas vieram da Sibéria, numa expansão que os dados genéticos situam entre 16 mil e 13.500 anos atrás 4. O que não se sabe é o caminho que tomaram ao descer para o sul, porque duas grandes camadas de gelo, a Laurentide e a Cordilheirana, cobriam o norte do continente 4.
Há duas rotas candidatas. A primeira é um corredor por terra, entre as duas geleiras, que se abriu quando o gelo derreteu. A segunda é a costa do Pacífico, de barco ou a pé, por um litoral que hoje está em parte debaixo d'água 4.
Em 2018, Potter e colegas revisaram os dados genéticos, arqueológicos e ambientais. Viram mais evidências a favor do corredor do que da costa, mas não descartaram nenhuma das duas: "neither can be rejected at present" (nenhuma pode ser descartada hoje) 4. Um dos argumentos deles contra a costa é que nem todo o litoral da época ficou submerso, e as buscas ali ainda não acharam sítios datados com segurança em mais de cerca de 12.600 anos 4. Eles também observaram que Monte Verde e Huaca Prieta, os dois sítios antigos perto da costa sul-americana, têm poucas ligações técnicas com os grupos que vieram depois na América do Norte 4.
Os estudos de geologia publicados no mesmo ano e depois pesaram a favor da costa. Lesnek e colegas dataram o recuo do gelo nas ilhas do sudeste do Alasca e concluíram que elas estavam livres de gelo há 17 mil anos, cedo o bastante para uma migração costeira há 16 mil anos 5. Eles notam que geleiras nos fiordes ainda podiam atrapalhar a passagem 5. Em 2022, Clark e colegas dataram o corredor por terra com 64 datações de exposição, que medem há quanto tempo uma rocha está descoberta, desde que o gelo saiu de cima dela. Concluíram que o corredor só se abriu por inteiro há 13.800 anos, com margem de 500 anos 2. Antes desse estudo, as incertezas nas datas impediam excluir o corredor; com as novas datas, os autores concluem que ele não estava disponível para os primeiros a chegar 2.
A hipótese costeira se apoia, portanto, nas datas do recuo do gelo e em sítios sul-americanos mais antigos que a abertura do corredor 2 5. Falta achar, na América do Norte, sítios costeiros da época da entrada 4. Potter e colegas chamam a preferência pela costa, muito repetida na divulgação, de uma leitura estreita demais das evidências 4.
A costa: pescar sem anzol
Huaca Prieta é um grande monte artificial no baixo vale do rio Chicama, no litoral norte do Peru. Por baixo dele, a equipe de Dillehay encontrou camadas de ocupação muito mais antigas que o próprio monte: ocupações curtas e intermitentes, com intervalos de várias centenas de anos entre elas, que vão de cerca de 15 mil a 10 mil anos atrás 6. As datas dessas camadas, feitas em pedaços de plantas e ossos de fogueiras, vão de 10.158 a 15.217 anos antes do presente 6.
Havia peixes e frutos do mar, mas nenhum anzol, nenhum arpão e nenhuma ponta de pedra trabalhada dos dois lados. As ferramentas eram seixos lascados de um lado só. Os autores concluem que a comida era obtida coletando, prendendo em armadilhas, abatendo com porretes e trocando, na beira do mar, nas áreas alagadas dos estuários e em montanhas distantes 6. Por muito tempo se pensou que a pesca no mar só teria começado depois, porque exigiria anzóis, redes e barcos 6. Em Huaca Prieta, as pessoas tiravam comida do mar sem nada disso.
Nas camadas antigas também apareceram restos de abacate e feijão, e talvez de abóbora e pimenta cultivadas, que sugerem transporte e consumo dessas plantas 6. Um fragmento de trançado simples, datado diretamente entre 10.600 e 11.159 anos atrás, é um dos exemplos mais antigos dessa técnica nas terras baixas da América do Sul e pode ter servido de esteira para dormir ou forrar o chão 7.
Em 2026, a revista que publicou o estudo divulgou uma errata: uma das datas da tabela original não era de Huaca Prieta, e o trançado, antes apresentado como o exemplo mais antigo da técnica, passou a ser descrito como um dos mais antigos 7. Segundo a errata, as conclusões dos autores não mudam 7.
Amazônia: a caverna pintada
Perto de Monte Alegre, no Pará, fica a Caverna da Pedra Pintada, com paredes cobertas de pinturas. Em 1996, Roosevelt e colegas publicaram escavações na caverna e encontraram ocupação humana desde 11.200 anos AP; a revisão que relata esse número não diz se a data é calibrada. Como os pigmentos achados nos níveis mais antigos tinham a mesma composição química das pinturas das paredes, a equipe atribuiu às pinturas essa mesma idade 8.
Em 2019, Pereira e Moraes revisaram essa cronologia com novas escavações. A camada mais antiga com vestígios de tinta, duas lascas de pedra com pigmento, foi datada entre 12.160 e 11.390 anos atrás, em datas calibradas 8. Essas lascas são restos da produção de ferramentas de pedra trabalhadas dos dois lados, numa indústria sofisticada, com pontas de projétil 8. Os autores propõem que as pinturas sejam de épocas diferentes e criticam a leitura antiga por não levar em conta as diferenças de tema e de estilo entre as figuras, o que gerou "a falsa ideia de que todas as pinturas de Monte Alegre tivessem a mesma antiguidade" 8. Quais figuras são as mais antigas, eles deixam como questão em aberto 8. Em outra área da caverna, uma camada de desabamento do teto tem 9 mil anos, e a cerâmica aparece depois, com datas de até 3.345 anos 8.
Seja qual for a idade das pinturas, a Pedra Pintada mostra que, há 12 mil anos, já havia na Amazônia gente com uma tecnologia de pedra elaborada.
Lagoa Santa: os mortos de Minas Gerais
A região cárstica de Lagoa Santa, em Minas Gerais, é um dos lugares mais importantes da arqueologia das Américas. Só um estudo de 2005 reuniu 81 crânios antigos da região 9. O maior abrigo de pedra com vestígios arqueológicos da região é a Lapa do Santo 10, ocupada a partir de 12.700 a 11.700 anos atrás 11.
O abrigo começou a ser usado como lugar de enterro entre 10.600 e 10.300 anos atrás 11. Strauss e colegas identificaram três padrões funerários diferentes ao longo do tempo:
- Entre 10.600 e 9.700 anos atrás, os corpos eram enterrados inteiros, com as pernas dobradas, em covas rasas cobertas por blocos de calcário 11.
- Entre 9.600 e 9.400 anos atrás, o corpo passou a ser reduzido: mutilado, descarnado, com os dentes retirados e exposto ao fogo, antes de um segundo enterro que seguia regras específicas 11.
- Entre 8.600 e 8.200 anos atrás, as covas passaram a ser enchidas com ossos soltos de um só indivíduo, sem sinais de manipulação. Às vezes os ossos longos eram quebrados em pedaços pequenos para caber no buraco 11. Esse terceiro padrão tem uma ficha própria no Atlas.
O caso mais conhecido é o Sepultamento 26, um crânio com a mandíbula e as seis primeiras vértebras do pescoço, datado entre 9.438 e 9.127 anos atrás. As duas mãos foram amputadas e colocadas sobre o rosto, uma apontando para o queixo e a outra para a testa 11. É o caso de decapitação mais antigo conhecido nas Américas 11. O estrôncio dos ossos guarda a assinatura química do lugar onde a pessoa viveu, e a análise indica que ela era do próprio grupo, e não um inimigo. Por isso os autores leem o caso como ritual, e não como troféu de guerra 11. Outro enterro do mesmo abrigo, o Sepultamento 21, datado entre 9.600 e 9.495 anos atrás, é um esqueleto quase completo de que foram retiradas, com cortes, as partes centrais dos ossos das pernas 12.
Os moradores de Lapa do Santo não deixaram túmulos monumentais nem objetos de luxo nas sepulturas. Para os autores, eles elaboravam seus rituais "through the use of the human body as a symbol", usando o próprio corpo humano como símbolo 11.
Quem eram
Os crânios de Lagoa Santa alimentaram uma hipótese ousada. Em 2005, Neves e Hubbe compararam 81 crânios da região com dados do mundo todo e concluíram que eles se pareciam mais com os de populações atuais da Austrália e da Melanésia do que com os dos indígenas americanos de hoje. Isso apoiaria a ideia de que duas populações diferentes teriam colonizado o continente 9.
A genética mudou essa leitura. Em 2018, um estudo com DNA antigo de 49 indivíduos, entre eles os de Lapa do Santo, testou a hipótese diretamente 13. O resultado foi que os indivíduos com esse formato de crânio descendem da mesma população ancestral que os outros povos indígenas, sem sinal de uma segunda origem 13. O mesmo estudo encontrou outra coisa: no Holoceno médio, a fase intermediária do período geológico atual, uma troca de população substituiu em grande parte grupos como os representados pelos indivíduos de Lapa do Santo de cerca de 9.600 anos 13. O formato do crânio não indicava outra origem, mas a população de Lagoa Santa foi de fato substituída mais tarde.
O silêncio de três mil anos
Depois dos enterros antigos, a Lapa do Santo passou milênios sem ocupação. As fontes não concordam sobre quando esse vazio começou. Segundo Araujo e colegas, a primeira ocupação vai até cerca de 8.700 anos atrás 10; Strauss e colegas registram enterros até 8.200 anos atrás e põem o fim do primeiro período do abrigo em 7.900 11. Num trecho específico do abrigo, a sequência de camadas passa de 9.140 para 4.860 anos atrás de uma vez, sem mudança visível no sedimento 10. Somando todas as datas do sítio, o abrigo ficou sem ocupação por cerca de 3.600 anos 10.
Quando as pessoas voltaram, entre 5.100 e 4.200 anos atrás, fizeram as coisas do mesmo jeito. Astolfo Araujo e colegas compararam estatisticamente as pedras lascadas, os artefatos de osso e os restos de animais das duas ocupações e não encontraram diferenças significativas 10. A conclusão deles é que uma mesma tradição cultural durou 8.240 anos, "or roughly 412 generations" (cerca de 412 gerações) 10. Esse é o tema do registro sobre a interrupção da ocupação em Lagoa Santa.
Por que a região esvaziou? Em 2025, a mesma equipe ampliou a análise e mostrou que o esvaziamento no Holoceno médio atingiu uma área maior do que se pensava, incluindo partes da Amazônia e do Pantanal. Eles atribuem o fenômeno ao clima, mas a uma variabilidade maior, e não necessariamente a uma seca mais forte 14.
As duas leituras convivem com tensão. A arqueologia vê continuidade cultural antes e depois do vazio, e a genética vê uma população substituída. O estudo de DNA e o de cultura material não tratam da mesma pergunta nem do mesmo período, e nas fontes lidas para este texto não há uma síntese que junte os dois.
Os Andes e o Pacífico: plantar, caçar, mumificar
Os dentes de Ñanchoc
No vale de Ñanchoc, no norte do Peru, há restos de casas ocupadas entre cerca de 11.200 e 6.000 anos atrás 15. Quem viveu ali deixou uma prova do que comia no tártaro dos dentes. Dolores Piperno e Tom Dillehay examinaram 39 dentes humanos e encontraram grãos de amido de feijão, amendoim, abóbora e pacay, uma árvore de fruto comestível. Esses quatro aparecem de forma constante ao longo de mil anos, o que indica que eram parte importante da dieta 15. Os dentes estão associados a datas de radiocarbono entre 8.210 e 6.970 anos AP, sem calibração 15. Os autores concluem que, por volta de 8 mil anos de radiocarbono atrás, a região já tinha sistemas de produção de comida que pesavam na alimentação 15.
Eles também são cuidadosos com o feijão: "We cannot determine conclusively whether the Phaseolus starch is from a domesticated bean" (não podemos determinar com certeza se o amido de feijão vem de uma planta domesticada) 15. Os detalhes estão no registro sobre o amido nos dentes de Ñanchoc.
Do outro lado dos Andes, na Amazônia, o sítio de Teotonio, num barranco de 40 metros à beira do rio Madeira, tem restos de mandioca, abóbora e feijão em camadas de 9 mil a 5 mil anos atrás 16. Jennifer Watling e colegas argumentam que a mandioca começou a ser cultivada e domesticada no alto Madeira antes de se espalhar pelas Américas. Não há mandioca nas camadas mais antigas de Teotonio; o argumento se apoia em achados de mandioca em outras regiões e na genética da planta 16. Eles avisam que as camadas mais antigas são finas e que as interpretações sobre a paisagem ainda são preliminares 16.
A caçadora de Wilamaya Patjxa
No altiplano de Puno, no Peru, uma equipe liderada por Randall Haas escavou o sepultamento de uma jovem de 17 a 19 anos, enterrada com um kit completo de caça grande: pontas de projétil e ferramentas para abater e processar animais 17. Os ossos foram datados entre 8.980 e 8.730 anos atrás 17. O sexo foi confirmado por proteínas do esmalte dos dentes 17. O sítio é Wilamaya Patjxa.
O achado desafia a ideia de que, entre caçadores e coletores, os homens caçavam e as mulheres coletavam. Os autores reuniram outros 26 enterros antigos das Américas com ferramentas de caça e estimaram que as mulheres seriam de 30% a 50% dos caçadores de animais grandes 17. Eles também registram os limites: a jovem é o único caso do conjunto identificado com segurança como caçadora, e uma tentativa de datar outro indivíduo do sítio falhou por falta de colágeno 17.
As múmias do Atacama
Na costa do deserto do Atacama, no extremo norte do Chile, viveram os chinchorro, pescadores e caçadores do mar. Segundo a UNESCO, eles ocuparam a região de cerca de 5450 a 890 a.C. e deixaram as provas mais antigas conhecidas de mumificação artificial de corpos 18. Os chinchorro desmontavam e remontavam os corpos de homens, mulheres e crianças de todo o grupo para criar as múmias 18.
Não eram só múmias artificiais. No cemitério Morro 1, Standen descreveu 134 indivíduos e 301 objetos funerários. As múmias naturais e os corpos cobertos de areia tinham mais objetos do que as artificiais 19. As mulheres foram enterradas com mais instrumentos de pesca, como anzóis e linhas, e os homens com mais instrumentos de caça, como partes de arpão 19. Para Santoro e colegas, a aridez extrema do deserto e a riqueza do mar formaram o ambiente em que esse sistema funerário se manteve por milênios 20. A origem dos chinchorro, se vieram da costa ou das terras altas, ainda é discutida, e Standen escreveu que a cronologia dessa tradição não estava resolvida 19 20.
O sul: Pampa e Patagônia
Um lugar de enterro por 3.600 anos
Arroyo Seco 2, na província de Buenos Aires, é um dos sítios mais antigos aceitos da América do Sul. Um estudo genômico recente o trata como o sítio mais antigo amplamente aceito do centro do Cone Sul, a região que inclui a Argentina central e o Pampa, com 14 mil anos 21. Mas Arroyo Seco 2 ficou conhecido por outra coisa: os mortos. Em 40 anos de escavação, saíram de lá restos de 50 pessoas 22.
Antes de virar lugar de enterro, o sítio funcionava como acampamento 22. As datas calibradas dos enterros do setor principal vão de cerca de 8.780 a 7.270 anos atrás, com dois picos de intensidade, perto de 8.400 e de 7.800 anos atrás 22. Depois de um intervalo, cinco crianças foram enterradas em outro setor entre cerca de 5.500 e 4.950 anos atrás 22. Clara Scabuzzo e Gustavo Politis dizem que não se trata de um cemitério, porque o lugar também era acampamento, mas de um lugar de ocupação persistente. Ao longo de 3.600 anos, ele foi ganhando o valor de lugar dos ancestrais, com acompanhamentos funerários cada vez mais elaborados 22.
Uma linhagem que durou oito milênios
O DNA antigo também chegou ao sul do continente. Javier Maravall-López e colegas publicaram genomas de 238 indivíduos antigos da Argentina, cobrindo dez mil anos 21. O mais antigo, do Pampa, tem 10 mil anos e já mostra uma separação genética das populações dos Andes centrais e do centro-leste do Brasil 21.
O resultado mais forte é uma linhagem até então desconhecida no centro da Argentina, presente desde cerca de 8.500 anos atrás. Ela foi o principal componente da população local até cerca de 150 anos atrás, sem sinal de migrações de outras regiões 21. Os autores notam que essa homogeneidade genética conviveu com a diversidade de línguas que os espanhóis encontraram no século XVI, o que sugere que essas línguas surgiram ali mesmo 21.
A Caverna das Mãos
Na Patagônia argentina, a Cueva de las Manos, no cânion do rio Pinturas, tem contornos de mãos em negativo, além de guanacos e cenas de caça 23. A datação das pinturas é incerta, e até a UNESCO dá duas janelas no mesmo registro: entre 13 mil e 9.500 anos atrás na descrição curta, e entre 9.300 e 1.300 anos atrás na justificativa 23.
Segundo os estudos que Carlos Aschero, que pesquisa a caverna desde 1973, e Schneier retomam, os primeiros pintores foram caçadores e coletores que chegaram ao lugar por volta de 9.400 anos AP 24. Essas datas vêm do radiocarbono, e o texto não diz se foram calibradas, por isso não dá para compará-las diretamente com as janelas da UNESCO. Entre 9.400 e 6.800 anos AP, houve cerca de 2.600 anos de estilos variados de pintura 24. As pessoas voltavam repetidamente e pintavam por cima das imagens antigas, mas sem apagá-las. Havia grupos familiares, e as crianças também estavam presentes 24. Para os autores, o conjunto funcionava como "un archivo de la memoria colectiva", um arquivo da memória coletiva 24.
Plantas e aldeias
Arroz na Amazônia
O sambaqui Monte Castelo, em Rondônia, é um monte de conchas construído e ocupado em três fases, a primeira entre cerca de 6.000 e 5.800 anos atrás 25. Ali, Hilbert e colegas documentaram a domesticação de um arroz nativo, do gênero Oryza, a partir de cerca de 4 mil anos atrás. A prova é o aumento do tamanho dos fitólitos das cascas, partículas microscópicas de sílica que as plantas formam e que resistem no solo 26. O mesmo sítio tem uma das cerâmicas mais antigas da Amazônia, com mais de 4 mil anos, feita com uma receita mantida ao longo de toda a fase Bacabal: argila misturada com espículas de esponjas de água doce, o cauixi 25.
A data mais recente do sítio, 680 anos, tem margem de erro de 1.160 anos para mais ou para menos 25. É uma data tão imprecisa que não serve para dizer quando o sambaqui deixou de ser usado.
O cacau mais antigo
O uso mais antigo conhecido do cacau vem da Amazônia do Equador. No sítio Santa Ana–La Florida, Zarrillo e colegas identificaram cacau por três caminhos independentes, grãos de amido, resíduos de teobromina e DNA antigo, com cerca de 5.300 anos 27. Os autores apontam a alta Amazônia como o centro mais antigo de domesticação do cacau identificado até agora 27. Em 2024, Lanaud e colegas encontraram DNA de cacau em quase 30% de 352 peças de cerâmica da costa do Pacífico do Equador e da Colômbia e da América Central. Isso mostra que o uso e a domesticação se espalharam para fora da Amazônia já no mesmo período 28.
Os cerritos do Uruguai
No leste do Uruguai e no sul do Brasil, milhares de montes de terra chamados cerritos de índios marcam a paisagem. Segundo Cabrera Pérez, povos construtores desses montes viveram na região nos últimos 4 mil anos e até o século XVII 29. As estruturas mostram planejamento e já foram interpretadas como sinais de uma complexidade social incipiente 29. Cabrera Pérez critica a historiografia que atribuiu os cerritos aos charruas e minuanos sem referências históricas concretas 29. No sítio de Los Ajos, na bacia do Prata, Iriarte e colegas encontraram, por volta de 4.190 anos de radiocarbono atrás, uma aldeia permanente com praça circular e os cultivos mais antigos conhecidos do sul da América do Sul 30.
Monumentos e grandes obras
Caral
No vale do rio Supe, nos Andes Centrais do Peru, fica Caral, com plataformas monumentais de pedra e terra, praças circulares rebaixadas e seis grandes estruturas piramidais. A UNESCO a descreve como o centro de civilização mais antigo das Américas, um dos 18 assentamentos urbanos da mesma área 31. Shady e López situam o período em que Caral se formou, chamado pelos arqueólogos de Arcaico Tardio, entre 3000 e 2500 a.C. 32. Para Shady, foi ali que se formou a primeira organização estatal da região 32.
As datas exatas de Caral dependem de um artigo publicado em 2001 na revista Science, que não conseguimos ler para este texto. Por isso, aqui fica só a faixa do Arcaico Tardio dada por Shady.
Os geoglifos do Acre
No Acre e arredores há centenas de estruturas de terra em formas geométricas, valetas que desenham quadrados, círculos e hexágonos 33 34. São os geoglifos. Em 2007, Schaan e colegas usaram os geoglifos para contestar a ideia de que os povos da terra firme amazônica, as áreas que não alagam, nunca teriam formado sociedades complexas. Para eles, as estruturas indicam uma população grande, organizada em escala regional, vivendo por centenas de anos num "habitat que foi uma vez considerado como inadequado para sustentar" populações assim 33.
Quanto às datas, as poucas disponíveis em 2007 situavam os sítios entre 500 a.C. e 1000 d.C. Os autores estimavam, por analogia com outras partes da Amazônia, que a maior parte das estruturas seria de 800 a 1300 33. Em 2018, com datas novas, de Souza e colegas situaram o auge dos geoglifos do Acre mais cedo, por volta de 100 a 400 d.C., com declínio claro depois do ano 1000 34. Pela falta de restos de moradia e pelos achados de oferendas, os geoglifos são interpretados como centros cerimoniais 34.
O mesmo estudo descobriu recintos semelhantes nas cabeceiras do Tapajós e mostrou que uma faixa de 1.800 quilômetros no sul da Amazônia foi ocupada por povos construtores de obras de terra, com aldeias fortificadas entre cerca de 1250 e 1500 34. Os autores estimam que essa faixa, só 7% da Amazônia, poderia ter sustentado centenas de milhares de pessoas. Isso desmente as estimativas antigas, baixas demais, de 1,5 a 2 milhões de habitantes para toda a bacia 34.
Às vésperas de 1500
Marajó
Na ilha de Marajó, no Pará, os cientistas do século XIX encontraram grandes urnas funerárias decoradas, com ossos e objetos 35. A cultura marajoara é conhecida por essa cerâmica. Por muito tempo se pensou que ela tinha desaparecido pouco antes da chegada dos europeus. Em 2000, Schaan publicou dados do sítio Cacoal, datado de cerca de 1300 a 1650, e concluiu que a cultura marajoara ainda existia quando os portugueses se instalaram na costa leste da ilha 36. Ela também propôs que as sociedades marajoaras eram multiétnicas 36.
El Vergel, no sul do Chile
No sul do Chile, entre cerca de 1000 e 1550, desenvolveu-se o complexo El Vergel, que ocupou vales, costa, ilhas e parte da cordilheira 37. Os povos El Vergel cultivavam batata, quinoa, milho, feijão e abóbora, caçavam, pescavam e coletavam, e chegaram a criar filhotes de guanaco em semidomesticação 38. Os enterros mais característicos eram em grandes urnas de cerâmica, mas havia outras formas de sepultamento 38. Segundo o Museu Chileno de Arte Pré-Colombiano, é provável que o povo mapuche histórico tenha surgido de El Vergel e de seus vizinhos, talvez como reação à chegada dos espanhóis 38.
Os tupinambá do litoral
Quando franceses e portugueses se instalaram na região do Rio de Janeiro no século XVI, encontraram ali povos tupi conhecidos como tupinambá 39. Segundo a síntese de Neme e Beltrão, que segue Fernandes (1963), eles ocupavam a costa de São Sebastião, no litoral paulista, a Cabo Frio 39. Os relatos de viagem franceses e portugueses do século XVI descreveram a guerra e a antropofagia ritual dos tupinambá, e Lima mostra como cronistas e etnólogos interpretaram essas práticas como vingança ritualizada e como parte essencial da vida social desses povos 40.
Quando esses relatos foram escritos, havia gente na América do Sul fazia pelo menos 14 mil anos.
Linha do tempo
- c. 17 mil a 14 mil anos atrás (Lesnek et al. 2018; Dillehay et al. 2008) Povoamento das Américas pela costa do Pacífico mapa
- presença humana intermitente de c. 15 mil a 8 mil anos atrás, antes do monte; as camadas sob o monte vão de 15.217 a 10.158 cal AP (Dillehay et al. 2017) Huaca Prieta: ocupação antiga do litoral peruano mapa
- c. 14.500 anos cal AP para o nível aceito MV-II (Dillehay et al. 2015); horizontes de c. 18.500–14.500 cal AP (talvez até 19.000) são contestados Monte Verde mapa
- Período 1 de ocupação de c. 12,7 a 7,9 mil anos cal AP; sepultamentos desde c. 10,6–10,3 mil anos cal AP, em três padrões funerários (10,6–9,7; 9,6–9,4; 8,6–8,2 mil anos cal AP) (Strauss et al. 2015); Araujo et al. 2018 dão 12.460–8.700 cal AP à primeira ocupação, seguida de hiato de c. 3.600 anos Lapa do Santo mapa
- c. 12,4–11,4 mil anos atrás (datas calibradas; Pereira e Moraes 2019) Caverna da Pedra Pintada mapa
- c. 9.300 a 1.300 anos atrás (UNESCO, justificativa) Cueva de las Manos (rio Pinturas) mapa
- c. 8980–8730 cal AP (c. 7030–6780 a.C.), faixa calibrada de duas datas diretas de colágeno ósseo do indivíduo 6, segundo Haas e outros (2020) Wilamaya Patjxa (altiplano de Puno, Peru): a jovem sepultada com um kit de caça e o debate sobre a divisão sexual do trabalho (c. 7000 a.C.) mapa
- c. 8700 a 5100 cal AP (c. 6750–3150 a.C.), intervalo entre as duas ocupações de Lapa do Santo, segundo Araujo e outros (2018); a leitura regional de Araujo e outros (2025) dá c. 8200 a 5300 cal AP Lagoa Santa (Minas Gerais): a interrupção de milênios na ocupação dos abrigos e a "persistência cultural extrema" (c. 8700–5100 cal AP) mapa
- c. 8600 cal AP (c. 6650 a.C.), conversão dada pelos autores para "cerca de 8000 anos 14C AP"; os dentes foram associados a datas entre 8210 ± 180 e 6970 ± 60 anos 14C AP, que são idades de radiocarbono não calibradas e não valem como ano de calendário Amido em cálculo dentário de Ñanchoc (Peru): abóbora, amendoim, feijão e pacay na dieta de c. 8600 anos atrás mapa
- c. 8600–8200 cal AP (c. 6650–6250 a.C.), terceiro padrão funerário (LSMP-3) do abrigo, segundo Strauss e outros (2015); os padrões anteriores vão de c. 10,6 a 9,4 mil anos cal AP Lapa do Santo (Lagoa Santa, Minas Gerais): do corpo manipulado ao poço de ossos, o terceiro padrão funerário (c. 8600–8200 cal AP) mapa
- c. 8550 a 7300 cal AP (c. 6600 a 5300 a.C.) para o núcleo de enterramentos do setor A; o sítio continua a receber sepultamentos até c. 4950 cal AP Arroyo Seco 2 (Pampa argentina): um lugar de enterramento recorrente e a ancestralidade da paisagem (c. 8550 a 7300 cal AP) mapa
- c. 8500 cal AP (c. 6550 a.C.) para o indivíduo mais antigo da linhagem da Argentina Central (rótulo "JesusMaria_8500BP"), datado por radiocarbono calibrado (OxCal 4.4, IntCal20 do Hemisfério Sul); o artigo mostra a linhagem presente até c. 150 AP Genomas antigos do Cone Sul central: a linhagem da Argentina Central, com indivíduo de c. 8500 anos atrás, e oito milênios de continuidade mapa
- c. 5450 a 890 a.C. (UNESCO) Mumificação artificial chinchorro (Arica e Camarones) mapa
- ocupação desde c. 6 mil anos AP e ao menos até a fase Bacabal, que começa c. 4.300 AP (Villagran et al. 2022); o fim real não tem data confiável Sambaqui Monte Castelo: evidência de domesticação do arroz mapa
- c. 3350 a.C., c. 5.300 anos atrás (Zarrillo et al. 2018) Santa Ana–La Florida: o uso mais antigo conhecido do cacau mapa
- c. 5 mil anos atrás (Gazzán et al. 2022) até o séc. XVII (Cabrera Pérez 2005) Cerritos de índios de India Muerta (Rocha, Uruguai) mapa
- c. 2627–1977 a.C. (datas calibradas) Caral mapa
- datas entre c. 500 a.C. e 1000 d.C. (Schaan et al. 2007); auge c. 100–400 d.C. e declínio depois de 1000 d.C. (de Souza et al. 2018) Geoglifos do Acre mapa
- c. 400–1650: surgimento por volta de 400 d.C. e o sítio Cacoal, de c. 1300 a 1650, mostra a cultura ainda viva na chegada dos portugueses (Schaan 2000) Cultura Marajoara mapa
- c. 1000 a 1500–1550 d.C. (Díaz de Aranda 2022; Gajardo 2019) Complexo El Vergel mapa
- séc. XVI (período do contato com europeus) Tupinambá: povos tupi do litoral no século XVI mapa
O que os pesquisadores discutem
Quando chegaram as primeiras pessoas. Quem aceita só os sítios que passam por critérios rígidos, como Prates e colegas, chega a 15 a 16 mil anos atrás 3. Os níveis mais antigos de Monte Verde, de até 18.500 anos, indicam que pode ter havido gente antes de 15 mil anos 1, e os pesquisadores da Serra da Capivara defendem datas ainda mais antigas, em trabalhos que não estão entre as fontes deste texto. A diferença não é só de data, mas de método: o que conta como prova de presença humana.
Por onde entraram. A costa do Pacífico tem a geologia a seu favor 5 2, mas ainda nenhum sítio costeiro da época de entrada foi encontrado na América do Norte. Em 2018, Potter e colegas viam mais evidências a favor do corredor, sem descartar a costa 4; o estudo deles é anterior às datas de 2022, que pesam contra o corredor 2.
Quem eram os primeiros sul-americanos. A morfologia dos crânios de Lagoa Santa sugeria duas populações fundadoras 9. A genética indica uma só origem e uma substituição de população no Holoceno médio 13. A arqueologia de Lagoa Santa vê continuidade cultural antes e depois de um longo vazio 10.
O que a Pedra Pintada data. As pinturas foram datadas pela composição dos pigmentos das camadas antigas 8, mas Pereira e Moraes propõem, pelas diferenças de tema e estilo, que elas sejam de épocas diferentes 8.
Quando foram feitos os geoglifos. Schaan e colegas estimavam, por analogia, 800 a 1300 33; as datas novas de de Souza e colegas põem o auge em 100 a 400 d.C. 34.
Se Marajó desapareceu antes de 1500. Schaan contesta a leitura de desaparecimento pouco antes da conquista e defende a permanência até o século XVII 36.
Quem caçava. O caso de Wilamaya Patjxa e a meta-análise de Haas sugerem que mulheres caçavam animais grandes 17, mas o caso seguro é um só.
O que ainda não sabemos
- A data real da chegada. Os sítios mais antigos aceitos são um limite mínimo, não a data da chegada 3.
- Por que Lagoa Santa ficou vazia por mais de 3 mil anos, e para onde foram as pessoas 10 14.
- Se o feijão de Ñanchoc já era domesticado 15.
- As datas exatas de Caral e dos geoglifos, que dependem de fontes que não conseguimos ler para este texto.
- Quantas pessoas viviam na Amazônia antes de 1500. As estimativas antigas, baixas, foram desmentidas 34, mas ainda não há uma nova cifra segura para toda a bacia.
- Como os povos de 1500 se ligam aos de milênios antes. No centro da Argentina, a genética mostra oito mil anos de continuidade 21. Para a maior parte do Brasil, essa conta ainda não foi feita.
Fontes
- Dillehay, T. D.; Ocampo, C.; Saavedra, J.; Sawakuchi, A. O. et al. (2015). "New Archaeological Evidence for an Early Human Presence at Monte Verde, Chile". PLoS ONE 10(11): e0141923. DOI 10.1371/journal.pone.0141923. Acessar
- Clark, J.; Carlson, A. E.; Reyes, A. V.; Carlson, E. C. B. et al. (2022). "The age of the opening of the Ice-Free Corridor and implications for the peopling of the Americas". Proceedings of the National Academy of Sciences 119(14). DOI 10.1073/pnas.2118558119. Acessar
- Prates, L.; Politis, G. G.; Perez, S. I. (2020). "Rapid radiation of humans in South America after the last glacial maximum: A radiocarbon-based study". PLoS ONE 15(7): e0236023. DOI 10.1371/journal.pone.0236023. Acessar
- Potter, B. A.; Baichtal, J. F.; Beaudoin, A. B.; Fehren-Schmitz, L. et al. (2018). "Current evidence allows multiple models for the peopling of the Americas". Science Advances 4(8). DOI 10.1126/sciadv.aat5473. Acessar
- Lesnek, A. J.; Briner, J. P.; Lindqvist, C.; Baichtal, J. F. et al. (2018). "Deglaciation of the Pacific coastal corridor directly preceded the human colonization of the Americas". Science Advances 4(5). DOI 10.1126/sciadv.aar5040. Acessar
- Dillehay, T. D.; Goodbred, S.; Pino, M.; Vásquez Sánchez, V. F. et al. (2017). "Simple technologies and diverse food strategies of the Late Pleistocene and Early Holocene at Huaca Prieta, Coastal Peru". Science Advances 3(5): e1602778. DOI 10.1126/sciadv.1602778. Acessar
- Science Advances (2026). "Erratum for the Research Article “Simple technologies and diverse food strategies of the Late Pleistocene and Early Holocene at Huaca Prieta, Coastal Peru” by T. Dillehay et al.". Science Advances 12(34): eaek2171. DOI 10.1126/sciadv.aek2171. Acessar
- Pereira, E. da S.; Moraes, C. de P. (2019). "A cronologia das pinturas rupestres da Caverna da Pedra Pintada, Monte Alegre, Pará: revisão histórica e novos dados". Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas 14: 327–342. DOI 10.1590/1981.81222019000200005. Acessar
- Neves, W. A.; Hubbe, M. (2005). "Cranial morphology of early Americans from Lagoa Santa, Brazil: Implications for the settlement of the New World". PNAS 102(51): 18309–18314. DOI 10.1073/pnas.0507185102. Acessar
- Araujo, Astolfo G. M.; Pugliese Jr., Francisco A.; Santos, Rafael O. dos; Okumura, Mercedes (2018). "Extreme cultural persistence in eastern-central Brazil: the case of Lagoa Santa Paleaeoindians" [sic]. Anais da Academia Brasileira de Ciências 90(2 suppl 1), ago. 2018. DOI 10.1590/0001-3765201720170109. Texto bruto lido em https://doi.org/10.1590/0001-3765201720170109 (SciELO Brasil), em 29/10/2026. Acessar
- Strauss, A.; Oliveira, R. E.; Bernardo, D. V.; Salazar-García, D. C. et al. (2015). "The Oldest Case of Decapitation in the New World (Lapa do Santo, East-Central Brazil)". PLOS ONE 10(9): e0137456. DOI 10.1371/journal.pone.0137456. Acessar
- Strauss, A.; Oliveira, R. (2018). "Early Holocene mortuary practices in Lagoa Santa region: a 9600-9495 years cal BP case of perimortem body manipulation from Lapa do Santo (East-Central Brazil)". CLIO Arqueológica 33(2): 138–183. DOI 10.20891/clio.v33n2p138-183. Acessar
- Posth, C.; Nakatsuka, N.; Lazaridis, I. et al. (2018). "Reconstructing the Deep Population History of Central and South America". Cell 175(5): 1185–1197.e22. DOI 10.1016/j.cell.2018.10.027. Acessar
- Araujo, Astolfo G. M.; Correa, Letícia Cristina; Perez, Glauco Constantino; Di Gregorio, Enrico Dalmas; Okumura, Mercedes (2025). "Human-environment interaction during the Holocene in Eastern South America: Rapid climate changes and population dynamics". PLOS ONE 20(2): e0315747, 3 fev. 2025. DOI 10.1371/journal.pone.0315747. Texto bruto lido em https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC11790176/fullTextXML (Europe PMC), em 29/10/2026. Acessar
- Piperno, Dolores R.; Dillehay, Tom D. (2008). "Starch grains on human teeth reveal early broad crop diet in northern Peru". Proceedings of the National Academy of Sciences 105(50): 19622–19627. DOI 10.1073/pnas.0808752105 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2604935/ em 29/10/2026. Acessar
- Watling, Jennifer; Shock, Myrtle P.; Mongeló, Guilherme Z.; Almeida, Fernando O.; Kater, Thiago; De Oliveira, Paulo E.; Neves, Eduardo G. (2018). "Direct archaeological evidence for Southwestern Amazonia as an early plant domestication and food production centre". PLOS ONE 13(7): e0199868. DOI 10.1371/journal.pone.0199868 (resolve em doi.org). Texto completo baixado pela API do Europe PMC, PMC6059402, em 29/10/2026. Acessar
- Haas, Randall; Watson, James; Buonasera, Tammy; Southon, John; Chen, Jennifer C.; Noe, Sarah; Smith, Kevin; Viviano Llave, Carlos; Eerkens, Jelmer; Parker, Gabriel (2020). "Female hunters of the early Americas". Science Advances 6(45): eabd0310, 4 nov. 2020. DOI 10.1126/sciadv.abd0310. Texto bruto lido em https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC7673694/fullTextXML (Europe PMC, PMC7673694), em 29/10/2026. Acessar
- UNESCO World Heritage Centre, "Settlement and Artificial Mummification of the Chinchorro Culture in the Arica and Parinacota Region", lista nº 1634. https://whc.unesco.org/en/list/1634/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
- Standen, V. G. (2003). "Bienes funerarios del cementerio chinchorro Morro 1: descripción, análisis e interpretación". Chungará (Arica) 35(2). DOI 10.4067/s0717-73562003000200002. Acessar
- Santoro, C. M.; Rivadeneira, M. M.; Latorre, C.; Rothhammer, F.; Standen, V. G. (2012). "Rise and decline of Chinchorro sacred landscapes along the hyperarid coast of the Atacama Desert". Chungará (Arica) 44(4): 637–653. DOI 10.4067/s0717-73562012000400007. Acessar
- Maravall-López, Javier; Motti, Josefina M. B.; Pastor, Nicolás; Tavella, M. Pía; Fabra, Mariana; Babot, M. Pilar; et al. (2026). "Eight millennia of continuity of a previously unknown lineage in Argentina". Nature 649(8097): 647–656 (publicado em nov. 2025, fascículo de jan. 2026, conforme metadados do PMC). DOI 10.1038/s41586-025-09731-3 (resolve em doi.org). Manuscrito de autor baixado pela API do Europe PMC, PMC12747222, em 29/10/2026; a paginação do texto lido não foi conferida. Acessar
- Scabuzzo, Clara; Politis, Gustavo G. (2024). "Bioarqueología de los cazadores-recolectores tempranos de la región pampeana. Nuevos datos del sitio Arroyo Seco 2 (provincia de Buenos Aires, Argentina)". Chungara Revista de Antropología Chilena 56(2): 203-224. Texto bruto lido em PDF aberto da revista (Universidad de Tarapacá), em 29/10/2026.
- UNESCO World Heritage Centre, "Cueva de las Manos, Río Pinturas", lista nº 936. https://whc.unesco.org/en/list/936/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
- Aschero, C.; Schneier, P. (2023). "Ese asunto de volver: producción y significación en el arte rupestre de Cueva de las Manos, Patagonia meridional andina". Boletín del Museo Chileno de Arte Precolombino 28(2): 91–110. DOI 10.56522/bmchap.0050020280003. Acessar
- Villagran, X. S.; Alves, M. L.; Kater, T.; Silva, K. B. V. da et al. (2022). "Petrografia de cerâmicas da fase Bacabal (sambaqui Monte Castelo): um dos mais antigos usos de cauixi na Amazônia". Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas 17(1): e20200120. DOI 10.1590/2178-2547-bgoeldi-2020-0120. Acessar
- Hilbert, L.; Neves, E. G.; Pugliese, F.; Whitney, B. S. et al. (2017). "Evidence for mid-Holocene rice domestication in the Americas". Nature Ecology & Evolution 1(11): 1693–1698. DOI 10.1038/s41559-017-0322-4. Acessar
- Zarrillo, S.; Gaikwad, N.; Lanaud, C.; Powis, T. et al. (2018). "The use and domestication of Theobroma cacao during the mid-Holocene in the upper Amazon". Nature Ecology & Evolution 2(12): 1879–1888. DOI 10.1038/s41559-018-0697-x. Acessar
- Lanaud, C.; Vignes, H.; Utge, J.; Valette, G. et al. (2024). "A revisited history of cacao domestication in pre-Columbian times revealed by archaeogenomic approaches". Scientific Reports 14: 2972. DOI 10.1038/s41598-024-53010-6. Acessar
- Cabrera Pérez, L. (2005). "Patrimonio y arqueología en el sur de Brasil y región Este de Uruguay: los cerritos de Indios". Salduie 5: 221–254. DOI 10.26754/ojs_salduie/sald.200556513. Acessar
- Iriarte, J.; Holst, I.; Marozzi, O.; Listopad, C. et al. (2004). "Evidence for cultivar adoption and emerging complexity during the mid-Holocene in the La Plata basin". Nature 432(7017): 614–617. DOI 10.1038/nature02983. Acessar
- UNESCO World Heritage Centre, "Sacred City of Caral-Supe", lista nº 1269. https://whc.unesco.org/en/list/1269/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
- Shady Solís, R.; López Trujillo, S. (1999). "Ritual de enterramiento de un recinto en el Sector Residencial A en Caral-Supe". Boletín de Arqueología PUCP 3: 187–212. DOI 10.18800/boletindearqueologiapucp.199901.010. Acessar
- Schaan, D.; Pärssinen, M.; Ranzi, A.; Piccoli, J. C. (2007). "Geoglifos da Amazônia ocidental". Revista de Arqueologia 20(1): 67–82. DOI 10.24885/sab.v20i1.229. Acessar
- de Souza, J. G.; Schaan, D. P.; Robinson, M. et al. (2018). "Pre-Columbian earth-builders settled along the entire southern rim of the Amazon". Nature Communications 9: 1125. DOI 10.1038/s41467-018-03510-7. Acessar
- Schaan, D. P. (2008). "A Arte da Cerâmica Marajoara: encontros entre o passado e o presente". Habitus 5: 99–117. DOI 10.18224/hab.v5.1.2007.99-117. Acessar
- Schaan, D. P. (2000). "Evidências para a permanência da Cultura Marajoara à época do contato europeu". Revista de Arqueologia 12(1): 23–42. DOI 10.24885/sab.v12i1.150. Acessar
- Gajardo A., J. (2019). "Pinturas y engobes en la Araucanía: análisis composicional de vasijas decoradas El Vergel (sur de Chile, 1000-1550 d.C.)". Boletín de Arqueología PUCP 27: 87–102. DOI 10.18800/boletindearqueologiapucp.201902.005. Acessar
- Museo Chileno de Arte Precolombino, "Chile Precolombino: El Vergel" (páginas Historia, Economía, Organización social, Culto y funebria, Patrón de asentamiento). https://chileprecolombino.cl/prehistoria/culturas/sur/el-vergel/historia/ (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Neme, S.; Beltrão, M. da C. (1993). "Tupinambá, franceses e portugueses no Rio de Janeiro durante o século XVI". Revista de Arqueologia 7(1): 133–151. DOI 10.24885/sab.v7i1.99. Acessar
- Lima, J. C. e (2017). "A translucidez da antropofagia tupinambá". Espaço Ameríndio 11(1): 195–218. DOI 10.22456/1982-6524.66128. Acessar
Leia também
Este artigo faz parte do tema Brasil e América do Sul.