Atlas da História

Concílio de Calcedônia (451): a definição das duas naturezas de Cristo e a deposição de Dioscoro de Alexandria, nas atas

outubro–novembro de 451 (a sentença contra Dioscoro fala de 13 de outubro; o Wikidata dá 1º de novembro) · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Em 451, o imperador Marciano e a imperatriz Pulquéria reuniram em Calcedônia, na Bitínia, um concílio de bispos que depôs Dioscoro de Alexandria por não ter comparecido às três convocações. A definição de fé confessa um só Cristo, perfeito em divindade e em humanidade, 'em duas naturezas', sem mistura nem divisão, e recebeu a Carta de Leão de Roma e as cartas de Cirilo. A fórmula foi depois contestada, e o registro lido é uma edição inglesa das atas feita para leitores ocidentais.

A deposição de Dioscoro

Segundo as atas editadas por Percival, os legados de Roma presidiram a sessão em nome de Leão. Dioscoro foi convocado três vezes para responder às acusações e não se apresentou. A sentença que o concílio lhe enviou diz que, em 13 de outubro, foi deposto do episcopado e tornado estranho a toda ordem eclesiástica por desrespeito aos cânones, desobediência ao concílio e outros crimes de que foi achado culpado, pois não compareceu quando chamado três vezes. (Henry R. Percival (ed.))

Como se chegou à definição

Na introdução, Percival cita Bossuet: quase todo o Ocidente e a maioria dos orientais, inclusive Anatólio de Constantinopla, já haviam assinado a carta de Leão antes do concílio, e na assembleia os bispos gritavam que acreditavam como Leão. Mesmo assim, os magistrados imperiais perguntaram a cada bispo se a exposição de Niceia e dos 150 de Constantinopla concordava com a carta, e alguns declararam ter dúvidas, vindas da língua estrangeira ou de palavras que pareciam apontar uma divisão na pessoa de Cristo, dissipadas pelos legados. (Henry R. Percival (ed.))

O que a definição afirma

A definição acolhe as cartas de Cirilo a Nestório e aos orientais, para refutar Nestório, e a de Leão a Flaviano, contra Eutiques. Rejeita quem divide o mistério em dois filhos, quem atribui sofrimento à divindade, quem mistura as duas naturezas e quem fala de duas naturezas antes da união e só uma depois. Ensina que Jesus Cristo é um só e o mesmo, perfeito em divindade e em humanidade, nascido da Virgem Maria, 'Mãe de Deus' quanto à humanidade, e deve ser confessado 'em duas naturezas', sem confusão, sem mudança, sem divisão. Percival anota que, em 553, a expressão foi criticada por quem preferia 'a partir de duas naturezas'. (Henry R. Percival (ed.))

Fontes

  1. Henry R. Percival (ed.), The Seven Ecumenical Councils of the Undivided Church: Their Canons and Dogmatic Decrees, Together with the Canons of all the Local Synods which have Received Ecumenical Acceptance (Nicene and Post-Nicene Fathers, second series, vol. 14). New York: Charles Scribner's Sons, 1900 (domínio público). https://archive.org/download/sevenecumenicalc00perc/sevenecumenicalc00perc_djvu.txt (texto bruto lido em 30/10/2026; introdução e extratos das sessões 1, 3 e 4 do concílio, com a definição de fé) Acessar

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