Teodora (Bizâncio)
c. 500 – 548 (Harvey 2001; Grau 2023) · Anatólia e Cáucaso, África do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Esposa do imperador Justiniano e imperatriz de 527 a 548, Teodora teria nascido em Bizâncio, filha de um tratador de ursos da facção dos Verdes, segundo Procópio. As fontes sobre sua juventude, sobretudo a História Secreta de Procópio, são hostis e seguem modelos literários; a tradição síria a lembra como protetora de líderes anticalcedonianos, e a Igreja ortodoxa a venera como santa.
Origem e juventude segundo Procópio
Na História Secreta, Procópio diz que Teodora nasceu em Bizâncio, filha de Acácio, tratador de ursos da facção dos Verdes. Conta que ela acompanhou Hecébolo à Pentápolis africana, foi dispensada, foi para Alexandria e percorreu todo o Oriente antes de voltar à capital, onde Justiniano a tomou por esposa. O tom é de ataque à imperatriz, e Grau (2023) lembra que a obra foi escrita por volta de 550, pouco depois da morte dela. (Procópio de Cesareia (c. 550). Anecdota (História Secreta); Grau 2023)
Alexandria e o círculo antiocalcedoniano
Harvey (2001) escreve que Teodora esteve em Alexandria no início da vida adulta e ali foi instruída por Severo de Antioquia, líder dos cristãos que recusavam o concílio de Calcedônia. Segundo a tradição síria estudada pela autora, ela abrigou mais tarde Severo, Teodósio de Alexandria e Antimo de Constantinopla. (Harvey)
Casamento e reinado
Harvey (2001) data o casamento com Justiniano em 525, em Constantinopla, e o reinado conjunto de 527 a 548, ano da morte dela. Procópio escreve que o casal tomou o império três dias antes da Páscoa. A tradição síria, porém, situa o casamento em Mabbug (Hierápolis). (Harvey; Procópio de Cesareia (c. 550). Anecdota (História Secreta))
Memória e leitura das fontes
Grau (2023) mostra que o relato de Procópio retoma o modelo hagiográfico da prostituta que se torna santa, o que ajuda a entender por que a imagem de Teodora oscilou entre vilã e santa. Na tradição ortodoxa ela é venerada em 14 de novembro, segundo o mesmo artigo. Harvey (2001) estuda a imagem síria da 'rainha crente', outra memória que contrasta com a bizantina. (Grau 2023; Harvey)
Fontes
- Procópio de Cesareia (c. 550). Anecdota (História Secreta), cap. 9. Trad. H. B. Dewing, Loeb Classical Library, 1935. Texto em LacusCurtius: penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Procopius/Anecdota/9*.html.
- Harvey, S. A. (2001 [2010]). "Theodora the 'Believing Queen': A Study in Syriac Historiographical Tradition". Hugoye: Journal of Syriac Studies 4(2): 209–234. DOI 10.31826/hug-2010-040115. Acessar
- Grau, S. (2023). "Theodora, a (not so) Holy Harlot: Procopius' Secret History and the Hagiographic Narrative". Greek, Roman, and Byzantine Studies 63: 447–465.
Na mesma região
- Inscrições de Bolnisi Sioni (493/494): as mais antigas em escrita georgiana datadas no território da Geórgia 493 ou 494 d.C. As fontes lidas divergem: a Enciclopédia Georgiana dá 493–494 (fundação no 20º ano do rei Peroz, 479, e conclusão 15 anos depois), Loosley dá a conclusão em 493 e Chelidze data a inscrição de 494. O registro começa em 493
- Batalha de Avarair (451): a revolta armênia contra a imposição do masdeísmo, segundo Elishe primavera de 451 (sábado, 26 de Mareri no calendário armênio, que o editor Langlois converte em 2 de junho; o Wikidata dá 26 de maio)
- Concílio de Calcedônia (451): a definição das duas naturezas de Cristo e a deposição de Dioscoro de Alexandria, nas atas outubro–novembro de 451 (a sentença contra Dioscoro fala de 13 de outubro; o Wikidata dá 1º de novembro)
- Criação do alfabeto armênio por Mashtots (tradicionalmente 405) e início da tradução da Bíblia em Samósata 405 d.C., data tradicional dada pelo site Krapar e pelo Wikidata (Q11932, que a registra com precisão de década); Koriun, o biógrafo e discípulo de Mashtots, não dá ano, só o 'quinto ano do reinado de Vramshapuh'. O registro começa em c. 405
- Cristianização da Armênia 301 (tradição; UNESCO) ou c. 314
- Revolta armênia de 774–775: as batalhas de Arche'sh e de Bagrewand contra o califado abássida 774–775 (Bedrosian); batalhas finais em "Hrotits'" (dezembro, segundo a tradução de Bedrosian); Wikidata: abril de 775