Conferência de Bandung
18 a 24 abr. 1955 · Sudeste Asiático insular
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Reunião de Estados asiáticos e africanos em Bandung, na Indonésia, em abril de 1955, com Sukarno como anfitrião. É um marco do mundo pós-colonial, e seus desdobramentos políticos são o tema da coletânea de Lee (2019).
Bruxelas 1927: a rede anti-imperialista antes de Bandung
No discurso de abertura, em 18 de abril de 1955, Sukarno lembrou o congresso de Bruxelas de fevereiro de 1927, que fundou a Liga contra o Imperialismo. Segundo Utama (2016), aquele encontro, organizado por Willi Münzenberg, ligado à Internacional Comunista, reuniu 174 delegados de 134 organizações de 34 países. Ali Jawaharlal Nehru conheceu Mohammad Hatta, da Perhimpunan Indonesia, e o senegalês Lamine Senghor; Messali Hadj, James La Guma e Josiah Gumede também estiveram presentes. O autor enumera outros antecedentes, como os congressos pan-africanos iniciados em Londres em 1900, as conferências pan-asiáticas de Nagasaki (1926) e Xangai (1927) e a Conferência de Relações Asiáticas de Nova Délhi (1947). Para ele, os historiadores costumam partir de 1947 e deixam na sombra o elo entre Bruxelas e Bandung, que via como ponto de chegada de redes anti-imperialistas de longa duração. (Utama 2016)
De Colombo a Bogor: como a reunião foi convocada
Em 1954, Birmânia, Ceilão, Índia, Indonésia e Paquistão, as chamadas potências de Colombo, reuniram-se no Ceilão por iniciativa do primeiro-ministro John Kotelawala. Em 30 de abril, o primeiro-ministro indonésio Ali Sastroamidjojo propôs uma conferência afro-asiática, que Nehru recebeu com ceticismo (Utama 2016). Danilevicz Pereira e Medeiros (2015) tratam Colombo como um ensaio e lembram que, no mesmo ano, Índia e China firmaram cinco princípios: coexistência pacífica, respeito mútuo à soberania e à integridade territorial, não interferência, não agressão e igualdade com benefício mútuo. Em Bogor, de 28 a 30 de dezembro de 1954, os cinco organizadores discutiram o convite à China, condição da Birmânia para participar, deixaram de fora Israel e as duas Coreias e decidiram convidar 25 países além dos cinco organizadores; 29 participaram. Os quatro propósitos iam da cooperação entre os povos às questões de soberania e colonialismo e à contribuição da Ásia e da África para a paz. (Utama 2016; Danilevicz Pereira e Medeiros 2015)
Um comunicado final em cinco partes
Os participantes iam de monarquias a governos socialistas. Para Danilevicz Pereira e Medeiros (2015), essa diversidade não impediu uma plataforma comum contra o colonialismo e pela autodeterminação, e o não alinhamento ali esboçado não significava equidistância entre os blocos. O comunicado final tinha seções sobre cooperação econômica, cooperação cultural, direitos humanos e autodeterminação, problemas dos povos dependentes e promoção da paz. Pedia assistência técnica, um fundo especial da ONU para o desenvolvimento, a diversificação das exportações e uma agência internacional para o uso pacífico da energia atômica. Reafirmava a Carta da ONU e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, reivindicava lugar para os países afro-asiáticos no Conselho de Segurança e defendia o desarmamento, a proibição das armas de destruição em massa e a suspensão dos testes nucleares. Os Dez Princípios de Bandung condensaram esse programa. (Danilevicz Pereira e Medeiros 2015)
De Bandung a Belgrado, à UNCTAD e a Argel
Danilevicz Pereira e Medeiros (2015) veem Bandung como o primeiro encontro de representantes asiáticos e africanos e um marco da emergência do chamado Terceiro Mundo no sistema internacional. Em 1961, em Belgrado, o Movimento dos Países Não Alinhados adotou os princípios de Bandung como critério de adesão. Em 1964 surgiram a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Grupo dos 77, e em 1967 veio a Carta de Argel do G-77 (a dos Não Alinhados é de 1973). Os autores acompanham essa trajetória até a conferência de Buenos Aires de 1978, lida como parte da emergência da periferia no sistema mundial. (Danilevicz Pereira e Medeiros 2015)
Fontes
- Lee, C. J. (org.) (2019). Making a World after Empire: The Bandung Moment and Its Political Afterlives. 2ª ed., prefácio de V. Prashad. Ohio University Press. DOI 10.2307/j.ctv224txjd; ISBN 9780896805057. Acessar
- Utama, W. S. (2016). "From Brussels to Bogor: Contacts, Networks and the History of the Bandung Conference 1955". Journal of Indonesian Social Sciences and Humanities 6(1): 11–24. DOI 10.14203/jissh.v6i1.56. Acessar
- Danilevicz Pereira, A.; Medeiros, K. (2015). "A emergência da periferia no sistema mundial: da Conferência de Bandung à Conferência de Buenos Aires (1955-1978)". Austral: Revista Brasileira de Estratégia e Relações Internacionais 4(7): 119–138. DOI 10.22456/2238-6912.56965. Acessar
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