Atlas da História

Erupção do Tambora (1815)

10–11 abr. 1815 (Stothers 1984) · Sudeste Asiático insular

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Erupção do vulcão Tambora, na ilha de Sumbawa, em 10 e 11 de abril de 1815, que Oppenheimer (2003) chama de a maior erupção histórica conhecida. O enxofre lançado na estratosfera esfriou o clima, e 1816 ficou conhecido como ano sem verão no nordeste dos EUA, no Canadá marítimo e na Europa. Tantri (2019) registra fome, falta de água, doenças e quebras de safra.

Datas e relatos do clímax em abril de 1815

Stothers (1984) reconstrói de forma quantitativa os eventos de 10 e 11 de abril de 1815 e os apresenta como a maior erupção de cinzas desde o fim da última Era do Gelo, até onde se sabe. Tantri (2019), lendo o relatório de J. T. Ross enviado ao governador Raffles e publicado em Batávia em 1816, registra a erupção em 11 e 12 de abril, e a autora nota que os documentos de Ross trazem informações dispersas sobre estrondos ouvidos em Java, Sumatra, Makassar e Maluku. A diferença de um dia entre as datas mostra que as fontes dependem de quem observava e de onde: os relatos foram reunidos junto a residentes e a chefes locais de vários distritos, e o próprio texto de Tantri os descreve como incompletos, ainda que suficientes para mostrar os fenômenos. (Stothers 1984; Tantri 2019)

Cinzas, escuridão e mar revolto no arquipélago

Segundo os relatos coloniais reunidos por Tantri (2019), a chuva de cinzas cobriu grandes áreas: em Banyuwangi, a camada era tão espessa que as portas das casas custavam a abrir, e a poeira impedia a luz do sol de entrar nas casas, com escuridão em partes do arquipélago por vários dias. Navios que se aproximavam de Bima encontraram a água coberta de pedra-pomes e troncos, e só entenderam a causa quando o residente de Bima lhes disse que as cinzas vinham do Tambora. A autora também registra tsunamis em costas de Sumbawa, Bima, Bali, Makassar e Java Oriental. Em Bima, o relato associa a subida das águas e as cinzas à perda de sete povoados. (Tantri 2019)

Sumbawa depois da erupção: fome, água e doença

Tantri (2019) descreve, a partir do relatório de Ross, estradas com corpos e sinais de sepultamentos, casas caídas e sobreviventes dispersos à procura de comida nos distritos de Dompu e Bima. Em Dompu, o alimento restante eram palmeiras, entre elas o coco, e talos de mamoeiro e bananeira. O texto aponta diarreia grave em Bima, Dompu e Saugur, que os moradores atribuíam à água contaminada pelas cinzas, as quais também matavam animais de criação e cavalos. Há ainda o envio de arroz vindo de Java e a venda de cavalos e búfalos por uma fração do valor do arroz. A autora afirma que quatro reinos de Sumbawa (Sanggar, Dompu, Tambora e Papekat) foram apagados. Este texto não reproduz as cifras de vítimas do artigo, que não foram confrontadas com uma segunda estimativa. (Tantri 2019)

Um véu de enxofre e o 1816 sem verão

Para Oppenheimer (2003), o Tambora expeliu cerca de 140 gigatoneladas de magma, com colunas plinianas que chegaram a cerca de 43 km, e lançou à estratosfera cerca de 60 milhões de toneladas de enxofre, seis vezes o volume de Pinatubo em 1991. O autor liga esse véu ao 'ano sem verão' de 1816 no nordeste dos Estados Unidos, nas províncias marítimas do Canadá e na Europa, com quebras de safra, emigração da Nova Inglaterra e tifo epidêmico. É a leitura de escala global, que complementa o foco local de Tantri (2019): a mesma erupção aparece de um lado como colapso de reinos e de lavouras em Sumbawa e, de outro, como anomalia climática no Atlântico Norte. (Oppenheimer 2003; Tantri 2019)

Memória local e a lição para o presente

Tantri (2019) cita a Syair Kerajaan Bima, um relato local que, segundo a análise de Chambert-Loir, atribui a erupção a um ato de impiedade do sultão de Tambora, que teria mandado matar um árabe vindo de Bengkulu. Essa explicação convive com o registro colonial britânico, que descreve o pavor da população e as suspeitas sobre a causa da fúria da natureza. A autora observa que a documentação sobre a população local antes da erupção é escassa e que a erupção de Karangasem (1808), em Bali, não era comparável. Seu argumento final é prático: conhecer os efeitos sociais e ambientais de 1815 serve de base para preparar a região para futuras erupções do Tambora. (Tantri 2019)

Fontes

  1. Oppenheimer, C. (2003). "Climatic, environmental and human consequences of the largest known historic eruption: Tambora volcano (Indonesia) 1815". Progress in Physical Geography: Earth and Environment 27: 230–259. DOI 10.1191/0309133303pp379ra. Acessar
  2. Stothers, R. B. (1984). "The Great Tambora Eruption in 1815 and Its Aftermath". Science 224: 1191–1198. DOI 10.1126/science.224.4654.1191. Acessar
  3. Tantri, E. (2019). "Narasi Dampak (Alam dan Sosial) Letusan Gunung Tambora 1815". Patra Widya: Seri Penerbitan Penelitian Sejarah dan Budaya 20: 131–148. DOI 10.52829/pw.v20i2.289. Acessar

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