Atlas da História

Srivijaya

c. 650–1377 (Wikidata); segundo Manguin (2017), o Estado surge no fim dos anos 670 ou início dos 680 e dura cerca de sete séculos · Sudeste Asiático insular

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Império com base na ilha de Sumatra, cujo comércio é estudado como ligação entre o Índico e a China. Sua origem é tema clássico da história econômica da Indonésia antiga.

Krishna sobre Garuda
Bronze javanês de tema hindu, do período de Java Central. Não vem de Srivijaya, que ficava em Sumatra, mas é de época próxima e mostra a circulação de religiões e estilos indianos pelo mundo insular que Srivijaya ajudava a conectar. Krishna sobre Garuda, artistas javaneses não identificados, segunda metade do séc. IX. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

Antes de Srivijaya: casas sobre palafitas em mangues

Manguin (2017) descreve uma revisão arqueológica das últimas décadas: sítios costeiros em pântanos de maré a jusante de Palembang, com casas sobre palafitas a partir dos séculos III e IV d.C. e artefatos de redes de troca de longa distância no oceano Índico e no mar da China Meridional. A descoberta refutou a ideia de que a costa, na época de Srivijaya, ficaria cerca de 80 km mais para o interior, o que faria de Palembang uma cidade costeira. O autor liga esses sítios aos de outras costas do Sudeste Asiático e conclui que formação do Estado e urbanização estavam em curso na região muito antes da fundação de Srivijaya, com o comércio de longa distância como um dos principais facilitadores. Entre os centros anteriores estava Malayu, que enviou sua primeira embaixada à China em 644 e, na segunda metade do século VII, era um centro de aprendizado religioso e sânscrito frequentado por monges budistas chineses a caminho da Índia. (Manguin 2017)

A fundação nos anos 680 e as inscrições em malaio antigo

Segundo Manguin (2017), o monge Yijing, que passou cerca de dez anos no sudeste de Sumatra, relata que, no fim dos anos 670 ou início dos 680, Malayu "tornou-se Shilifoshi", cidade com mais de mil monges budistas. Dali em diante, a maioria das entidades que enviavam embaixadas à China some dos registros chineses, e só Shilifoshi continua enviando-as até 742. Em 1918, George Coedès ligou essas fontes a um grupo de inscrições em escrita de origem indiana e língua malaia antiga, gravadas entre 683 e 686 e que falam de uma nova entidade chamada Śrīvijaya. Com elas, a estátuas budistas e hindus e a relatos árabes, indianos e chineses, concluiu que o centro e o berço de Srivijaya ficavam em Palembang. Segundo Manguin, o texto das inscrições é obra provável do governante fundador, que se apresenta como budista devoto; depois delas, os governantes de Srivijaya ficam mudos, e o autor aponta a falta de inscrições até os últimos anos do reino, no século XIII. (Manguin 2017)

Por que Palembang: um porto que se alimentava de sagu

Manguin (2017) explica a escolha de Palembang por fatores geográficos e ecológicos: a confluência de rios, o acesso ao curso principal do Musi e, portanto, ao mar, e um sítio que se estende por cerca de 12 km ao longo da margem norte do rio, com assentamentos "rurbanos" de baixa densidade. Governar um grande porto implicava alimentar muita gente, sobretudo na estação de comércio, quando afluíam mercadores e tripulações de fora. O arroz irrigado não podia ser cultivado ali; o que dava resultado era o arroz de vazante nos terrenos inundáveis, e a população dependia muito do sagu. Zhao Rugua, no século XIII, conta que o rei não podia comer grão, mas sagu, e a inscrição de Talang Tuo, dos anos 680, registra entre as boas ações do fundador a criação de jardins de sagu, coco, palmeira de açúcar e areca, sem citar o arroz. (Manguin 2017)

O comércio entre o Índico e a China

Manguin (2017) vê nos achados arqueológicos uma confirmação do processo que Wolters (1967) formulou a partir sobretudo de fontes chinesas em Early Indonesian Commerce. Para Manguin, o aumento do comércio marítimo asiático, com a reunificação da China sob os Sui e os Tang e o declínio do comércio persa de longa distância, abriu um grande mercado chinês aos comerciantes do Sudeste Asiático. Cânfora, benjoim e outras oleorresinas de Sumatra e da península Tai-Malaia passaram a substituir o incenso do Oriente Médio nos rituais budistas chineses, ao lado das especiarias das ilhas do leste, e navegantes locais já construíam grandes embarcações para as rotas entre a China e a Índia. Escavações dos anos 1990 em Palembang, com camadas a partir do fim do século VIII ou início do IX, deram centenas de milhares de cacos de cerâmica, cerca de 20% importados, sobretudo chineses, e confirmaram que o porto-cidade prosperou no auge econômico dos séculos IX e X, quando os chineses passaram a chamar o Estado de Sanfoqi. (Manguin 2017)

Um Estado de periferias e a questão do fim

Manguin (2017) nota que as inscrições do período de fundação mostram a preocupação do soberano em estender seu poder, com o uso de forças armadas contra os que não prestavam obediência, e que Srivijaya controlava o fluxo de ouro e produtos florestais de duas grandes bacias fluviais. A historiografia, segundo ele, ora a descreve com modelos concêntricos (mandala), ora com estruturas amorfas de centros móveis, ora com modelos dendríticos, entre rio acima e rio abaixo; ele próprio rejeita o antigo olhar "orientalista" que via esses Estados como nascidos de um passado remoto indistinto, "civilizado" por um vizinho indiano mais avançado. Sobre o fim, ele afirma apenas que a corte de Srivijaya permaneceu no sudeste de Sumatra por cerca de sete séculos depois dos anos 680 e que Jambi se tornou capital no fim do século XI. (Manguin 2017)

Fontes

  1. Wolters, O. W. (1967). Early Indonesian Commerce: A Study of the Origins of Srivijaya. Cornell University Press. ISBN 9780801404610.
  2. Wikidata Q234197 (P571 650, P576 1377; descrição 'from 650 to around 1025'); consultado via API em out. 2026
  3. Manguin, P.-Y. (2017). "At the Origins of Sriwijaya: The Emergence of State and City in Southeast Sumatra". In: Toyo Bunko Research Library 16, cap. 5. Toyo Bunko, Tóquio. https://toyo-bunko.repo.nii.ac.jp/record/3632 (consultado em 07/10/2026). Acessar

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