Inscrições yupa de Mulawarman (Muara Kaman, Kalimantan)
c. 400–450 d.C. (datações reunidas por Sarip 2020) · Sudeste Asiático insular
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Sete pilares de pedra (yupa) com inscrições em sânscrito, em escrita pallava, achados em 1879 e 1940 em Muara Kaman, no leste de Kalimantan, e datados do século V d.C. Registram cerimônias e grandes oferendas do rei Mulawarman, neto de Kundungga; nenhum deles traz o nome Kutai, pelo qual o reino ficou conhecido.
Como as pedras de Muara Kaman chegaram aos estudiosos
Segundo o resumo do artigo de Vogel (1918), em junho de 1879 K. F. Holle chamou a atenção da Sociedade de Artes e Ciências de Batávia para uma pedra inscrita que estaria em Kutai, no leste de Bornéu. O assistente do residente confirmou, em carta de setembro daquele ano, que havia pedras inscritas e outros vestígios "do período hindu" em Muara Kaman, e que no mesmo lugar se encontravam restos de um junco chinês. Em 1880, o sultão de Kutai decidiu doar à Sociedade quatro pedras inscritas, que chegaram a Batávia ainda naquele ano e foram depositadas no Museu. Sarip (2020) informa que os sete pilares (yupa) foram achados em 1879 e 1940, em Muara Kaman, e que as inscrições estão em sânscrito, escritas em escrita pallava. (Vogel 1918; Sarip 2020)
Entre c. 400 e c. 450: a data dos pilares
Sarip (2020) reúne três propostas de datação. O primeiro estudioso do conjunto, J. H. C. Kern, fixou a feitura das inscrições em torno de 400 d.C. (segundo Vogel, 1917, citado por Sarip). O epigrafista L.-C. Damais indicou 425 d.C. E Edhie Wurjantoro, arqueólogo da Universidade da Indonésia, situou os yupa em meados do século V, c. 450. O autor trata o reino como fundado por volta de 400 e fala em reis que teriam governado entre os séculos IV e V. As propostas, portanto, vão de c. 400 a c. 450, e a escolha entre elas cabe a quem confere a paleografia das inscrições, pois Sarip não decide por uma delas. (Sarip 2020)
Kundungga, Aswawarman e Mulawarman
Os yupa nomeiam três gerações de reis: Kundungga, seu filho Aswawarman e o neto Mulawarman. Sarip (2020) sustenta que Kundungga era natural de Bornéu, e não imigrante de Champa ou da Índia, e que o hinduísmo se tornou religião oficial quando Aswawarman se converteu por intermédio de brâmanes. Mulawarman, seu sucessor, viveu o auge do reino, e as inscrições registram cerimônias monumentais com oferendas de grandes volumes de bens de recursos naturais. Segundo o autor, que cita Vogel (1917), brâmanes da Índia foram trazidos para gravar o sânscrito em escrita pallava nas pedras. As afirmações sobre a origem local de Kundungga e sobre a vinda dos brâmanes são interpretações lidas por Sarip em outros autores, e não podem ser conferidas aqui nos próprios textos das inscrições. (Sarip 2020)
Por que Kutai talvez não seja o nome certo
Nenhum dos sete yupa menciona o nome "Kutai". Segundo Sarip (2020), o nome foi aplicado por pesquisadores desde o período holandês, a partir do local do achado, no território do sultanato de Kutai. Ele cita C. A. Mees (1935) para dizer que a colônia hindu de Muara Kaman nunca se chamou Kutai e que o nome só surgiu no fim do século XIII, com a fundação, por Aji Batara Agung Dewa Sakti, de um reino na foz do Mahakam. A fonte central de Sarip é a Salasilah Kutai, crônica em escrita árabe-malaia concluída em 1849 e guardada na Biblioteca Estatal de Berlim, que o próprio autor admite misturar mito e história. Com base nela, ele distingue dois reinos: Martapura, em Muara Kaman, fundado c. 400 por Aswawarman e extinto em 1635 por um ataque de Kutai Kertanegara, e o reino de Kutai Kertanegara, fundado c. 1300 rio abaixo. Para ele, "Martadipura", hoje muito usado, é forma tardia, surgida nos anos 1980. (Sarip 2020)
Nome, memória e limites da evidência
Sarip (2020) afirma que a distinção entre Martapura e Kutai Kertanegara ajudaria a corrigir informações da história local de Kalimantan Oriental, misturadas com lendas. Ele registra, porém, que outros historiadores leram a continuidade de outro modo: para Vlekke, citado por ele, embora não haja inscrições posteriores, o império de Mulawarman parece ter continuado, pois um reino depois sultanato perto da foz do Mahakam produziu as crônicas sobre o reino de Muara Kaman. O autor admite ainda ter lido parte da literatura holandesa com tradutor automático e a ajuda de colegas, o que o historiador deve considerar ao conferir citações. A tese sobre o nome Martapura e a data de 1635, portanto, repousam sobre uma crônica de 1849 e sobre a leitura de um único autor, e não substituem a evidência das inscrições, que dão apenas os nomes dos reis. (Sarip 2020)
Fontes
- Sarip, M. (2020). "Kajian Etimologis Kerajaan (Kutai) Martapura di Muara Kaman, Kalimantan Timur". Yupa: Historical Studies Journal 4: 50–61. DOI 10.30872/yupa.v4i2.264. Acessar
- Vogel, J. Ph. (1918). "The Yupa, Inscriptions of King Mulavarman, From Koetei (East Borneo)". Bijdragen tot de Taal-, Land- en Volkenkunde 74: 167–232. DOI 10.1163/22134379-90001650. Acessar
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