Atlas da História

Galeão de Manila (rota transpacífica)

1565–1815 (Wikidata) · Sudeste Asiático insular, Pacífico, Mesoamérica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Rota de navios espanhóis que ligou as Filipinas à Nova Espanha através do Pacífico entre 1565 e 1815. O intercâmbio deixou marcas asiáticas na América sob domínio espanhol. Desde o início do século XVII, viúvas tinham o privilégio de embarcar carga no galeão, e algumas investiam no comércio pelas redes deixadas pelos maridos.

Prata para a China, seda para a América

Segundo Ruiz-Stovel (2009), entre 1565 e 1815 galeões carregados de prata atravessaram o Pacífico quase todos os anos, levando pesos de oito do porto de Acapulco até Manila e dali à província chinesa de Fujian, e voltando com seda crua e manufaturada para os mercados da América espanhola. Villamar (2022) observa que a literatura costuma tomar 1571, quando Manila foi fundada como capital das Filipinas, como início do mecanismo que manteve em contato as duas margens do maior oceano por dois séculos e meio. Alva (2016) usa 1593 como marco da organização do comércio entre Filipinas e Nova Espanha. Os marcos citados pelos autores são, portanto, diferentes (1565, 1571 e 1593), e a escolha entre eles cabe a quem confere as obras. (Ruiz-Stovel 2009; Villamar 2022; Alva 2016)

Como se repartia a carga em Manila

Alva (2016) descreve o sistema em funcionamento nos anos 1691 a 1708. Desde 1593, todo morador inscrito no livro de registros da cidade tinha direito a participar do negócio. A cada ano, depois de medida a capacidade do porão da nau, uma Junta de Repartição distribuía as peças que cada um podia embarcar, com prioridade para antiguidade, méritos e, sobretudo, fortuna, e cada morador recebia uma cédula (boleta) com o número de peças. Uma peça era um fardo de medidas fixas, com sedas, especiarias, objetos de madeira ou marfim e produtos da terra, como as mantas de Ilocos, avaliado em geral em 150 pesos (às vezes 120). Depois que a nau partia para a Nova Espanha, só restava esperar que voltasse com a prata arrecadada na feira de Acapulco, que em geral era investida na compra de mais bens para o galeão do ano seguinte. (Alva 2016)

Uma cidade espanhola de maioria chinesa

Para Ruiz-Stovel (2009), com a chegada dos primeiros galeões a comunidade chinesa de Manila cresceu muito: por volta de 1603 havia cerca de 30 mil chineses e apenas algumas centenas de colonos espanhóis, de modo que Manila, possessão espanhola, era na prática uma cidade chinesa, habitada por comerciantes e por um contingente de trabalhadores e artesãos que sustentava a colônia. Os sangleys, como os espanhóis chamavam os chineses de Manila, viviam confinados no Parián, um gueto murado, e eram proibidos de morar em Intramuros. Houve levantes chineses em 1603, 1639 e 1686, seguidos de massacres de migrantes. O autor relaciona esses episódios à tributação exorbitante, à segregação e ao medo espanhol de ser superado em número, e os situa no papel de Manila como entreposto multirracial da economia do galeão. (Ruiz-Stovel 2009)

As viúvas e o comércio do galeão

Alva (2016) mostra que, desde o início do século XVII, as viúvas de Manila recebiam uma ou duas peças, ou seja, de 150 a 300 pesos em mercadorias, no que era visto como obra de caridade. A maioria usava as peças como sustento, mas algumas as aplicavam como comerciantes homens. Em 1705, 29 mulheres assinaram uma carta ao governador contra a proibição de revender as peças recebidas; o governador deu razão a elas, e só seis devolveram suas peças, o que indica que as maiores interessadas eram as que investiam. Algumas viúvas embarcaram de quatro a nove peças com regularidade, outras de dez a vinte (de 1.500 a 3.000 pesos), e uma, Josefa Cortés, quarenta peças em 1694, cerca de 6.000 pesos. Alva conclui que não eram "pobres viúvas" e que, além do comércio legal, elas entraram no ilegal e investiram em casas e lojas. O estudo trata de uma população hispânica, peninsular ou crioula; não de mulheres asiáticas. (Alva 2016)

Redes familiares e marcas asiáticas

Para Alva (2016), a carreira de Sebastián Rayo Doria é exemplo de estratégia matrimonial pensada: um primeiro casamento o ligou a uma das famílias mais antigas de Manila e o segundo, com Ana Pestaño, o introduziu nos circuitos do galeão e no cabildo, e sua filha María Rosa se casou com o general do galeão de 1689. As viúvas também podiam se casar de novo e, assim, dar ao marido acesso a ofícios de prestígio. Villamar (2022), por sua vez, trata do galeão como encontro de culturas e de sistemas de troca asiáticos e ocidentais, que deixou uma marca cultural profunda, sobretudo pela influência asiática na América sob domínio espanhol, hoje em reavaliação. Ruiz-Stovel lembra que o retorno dos galeões trazia seda crua e manufaturada da China para os mercados da América espanhola. (Alva 2016; Villamar 2022; Ruiz-Stovel 2009)

Fontes

  1. Villamar, C. (2022). "El Galeón de Manila y el comercio de Asia: Encuentro de culturas y sistemas". Interacción Sino-Iberoamericana / Sino-Iberoamerican Interaction 2: 85–109. DOI 10.1515/sai-2022-0008. Acessar
  2. Alva, I. (2016). "Redes comerciales y estrategias matrimoniales. La mujeres en el comercio del Galeón de Manila (siglos XVII-XVIII)". Revista Complutense de Historia de América 42: 203–220. DOI 10.5209/rcha.53716. Acessar
  3. Giraldez, A. (2015). The Age of Trade: The Manila Galleons and the Dawn of the Global Economy. Rowman & Littlefield Publishers. ISBN 9780742556638.
  4. Ruiz-Stovel, G. (2009). "Chinese Merchants, Silver Galleons, and Ethnic Violence in Spanish Manila, 1603-1686". México y la Cuenca del Pacífico 12(36). DOI 10.32870/mycp.v12i36.330. Acessar

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