Atlas da História

Conjuração Baiana

1798–1799 (Valim: 1796–1800) · Terras baixas da América do Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Movimento de contestação política em Salvador, com boletins manuscritos em 1798 e participação de setores médios, como milicianos, e de grupos ricos da cidade. Os projetos eram opostos: os médios queriam mudar critérios sociais que os excluíam; os ricos, preservar o sistema colonial.

Os boletins e as reivindicações

Valim (2013) descreve os dez boletins manuscritos afixados em 12 de agosto de 1798 em Salvador, que falavam em "Povo Bahinense e Republicano" e em "Partido da Liberdade". O Aviso nº 1 listava 676 adeptos, dos quais 513 militares. A reivindicação principal era o soldo de 200 réis por dia e a isonomia na carreira militar. Salvador tinha cerca de 60 mil habitantes, e a alta dos preços da carne e da farinha agravava a insatisfação. A tese cita referências dos conjurados à Revolução Americana, à Francesa e à revolução em São Domingos. (Valim 2013)

Pardos, soldados, alfaiates e a repressão

Segundo Valim (2013), muitos envolvidos eram pardos livres e pobres, entre eles os alfaiates Manuel Faustino e João de Deus do Nascimento e os soldados Lucas Dantas de Amorim Torres e Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga. Esses quatro foram enforcados e esquartejados na Praça da Piedade em 8 de novembro de 1799. As devassas prenderam 39 pessoas, entre elas dez escravizados domésticos, e alguns foram degredados. A tese também fala de uma "corporação dos enteados", que entregou escravizados à justiça. Os milicianos pardos tinham sido organizados pela carta régia de 22 de março de 1766. (Valim 2013)

Da barbárie ao movimento mais popular

Valim (2013) resume a historiografia: no século XIX a conjuração foi vista como anomalia ou barbárie, e no século XX como a mais popular das revoltas. Um contemporâneo, Vilhena, a chamou de "insubsistente sublevação" por causa da ausência de escravizados no movimento. O governador era d. Fernando José de Portugal e Castro, e a tese cita a correspondência em que ele relatou os fatos ao ministro d. Rodrigo de Sousa Coutinho. (Valim 2013)

Fontes

  1. Valim, P. (2013). Corporação dos enteados: tensão, contestação e negociação política na Conjuração Baiana de 1798. Universidade de São Paulo. DOI 10.11606/t.8.2013.tde-02042013-115539. Acessar

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