Maria Quitéria
c. 1792 – 21 ago. 1853 (Wikidata; Soriano Neto 1999) · Terras baixas da América do Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Filha de um fazendeiro do sertão baiano, alistou-se em Cachoeira em 1822, vestida de homem, como "soldado Medeiros", e lutou nas forças que combatiam as tropas portuguesas no Recôncavo. Entrou em Salvador no desfile de 2 de julho de 1823 e foi condecorada por D. Pedro no Rio de Janeiro. Morreu em 1853.
A decisão de partir
Maria Graham (1824) registra o que Maria de Jesus lhe contou em 29 de agosto de 1823: o pai, português, tinha uma fazenda de gado e algodão no Rio do Peixe, na freguesia de São José, a cerca de 40 léguas de Cachoeira, e empregava 26 escravizados. Um emissário dos patriotas passou pela casa, e ela disse que sentiu o coração "arder no peito". O pai, velho, recusou-se a ir ou a mandar alguém e perguntou que interesse teria um escravizado em lutar pela independência. Ela foi à casa da irmã, pegou roupas do cunhado e seguiu para Cachoeira. (Graham 1824)
O soldado Medeiros no Recôncavo
Graham (1824) afirma que, em poucos dias, ela já estava na artilharia e fazia guarda, mas, por ser franzina, passou à infantaria; seu sexo só foi conhecido quando o pai procurou o comandante. Soriano Neto (1999) diz que ela se apresentou como Medeiros, em agradecimento ao cunhado José Cordeiro de Medeiros, e serviu no Batalhão de Voluntários do Príncipe D. Pedro, chamado "Periquitos" pela cor das golas. Cita combates em Conceição, Pituba, Itapuã e na foz do Paraguaçu e o título de primeira cadete que lhe deu o general Labatut. (Graham 1824; Soriano Neto 1999)
Dois de Julho e a corte no Rio
Segundo Soriano Neto (1999), em 2 de julho de 1823 o Exército Libertador entrou em Salvador, abandonada na véspera pelos portugueses, e o Batalhão dos Periquitos desfilou com Maria Quitéria usando um saiote escocês. Em agosto, Graham a viu no Rio de Janeiro, com uniforme de um batalhão do imperador e um saiote de tartã que ela dizia ter adotado de um quadro, por ser o traje militar mais feminino. A viajante escreve que ela era analfabeta, mas esperta, e que o imperador lhe dera comissão de alferes e a ordem do Cruzeiro, que ele mesmo prendeu em sua jaqueta. (Soriano Neto 1999; Graham 1824)
Como o Exército a lembra
Soriano Neto (1999), coronel de Infantaria, descreve a memória que o Exército construiu a partir dela: o centenário da morte, em 21 de agosto de 1953, foi lembrado em festividades, a primeira turma do Quadro Complementar de Oficiais, formada em 1992 em Salvador, recebeu seu nome, e o artigo justifica sua escolha como patrono desse quadro. Para o autor, ela foi a primeira mulher a assentar praça numa unidade militar do país. É uma leitura militar e comemorativa, que repete boa parte do relato de Graham e deve ser confrontada com a historiografia. (Soriano Neto 1999)
Fontes
- Graham, M. (1824). Journal of a Voyage to Brazil, and Residence There, During Part of the Years 1821, 1822, 1823. Londres. Texto digital em Project Gutenberg, https://www.gutenberg.org/ebooks/21201 (consultado em 08/10/2026). Acessar
- Soriano Neto, M. (1999). "Maria Quitéria de Jesus". ADN (revista do Exército), 1999. https://decex.nucleoead.net/ebrevistas22/ADN/article/download/5726/4957 (consultado em 08/10/2026). Acessar
- Wikidata Q2618916 (P569 1792-07-27 e P570 1853-08-21); consultado via API em out. 2026
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