Atlas da História

Transferência da Corte portuguesa para o Brasil (1807–1821)

29 nov. 1807 a 26 abr. 1821 (Wikidata); abertura dos portos em jan. 1808 · Terras baixas da América do Sul, Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

A Corte portuguesa deixou Lisboa no fim de 1807 e ficou no Brasil até 1821. A primeira medida do príncipe regente D. João, em janeiro de 1808, foi abrir os portos às nações amigas, o que mudou a relação econômica entre metrópole e colônia e deu ao Rio de Janeiro novas funções de sede de governo.

Uma cidade escravista vira Corte

Santos (2013) lembra que o Rio de Janeiro tinha em 1799 cerca de 43.736 habitantes, com pouco mais de 34% de escravizados. A Corte chegou acompanhada de mais de 15 mil reinóis, e a autora argumenta que a manutenção da escravidão foi decisiva para fazer da cidade uma Corte, num momento em que a instituição era questionada. Em 1808, 11.971 africanos escravizados desembarcaram no Sudeste, segundo o banco de dados do tráfico. Depois de 1808, Salvador recebia cerca da metade do que chegava ao Rio. (Santos 2013)

Controle urbano e trabalho cativo

Segundo Santos (2013), a Intendência Geral de Polícia, dirigida por Paulo Fernandes Viana, controlava a população escravizada, e as obras da cidade eram feitas por cativos. O artigo parte de casos de 1811 em que cativos como João Cassange e Pedro Mina foram presos por oficiais da Intendência. A imagem de "Versalhes Tropical", associada à cidade-Corte, convive, nessa leitura, com uma cidade que dependia de pessoas escravizadas para funcionar. (Santos 2013)

Guerra contra os Botocudos

Moreira (2010) mostra que a carta régia de 13 de maio de 1808 (uma compilação cita 15 de maio) declarou guerra ofensiva contra os Botocudos do rio Doce e reintroduziu o cativeiro indígena por dez anos. A medida foi abolida em 1831. A autora estuda o Espírito Santo, onde coexistiam indígenas cativos e quilombos, e examina como a guerra se ligou à formação de quilombos na capitania. O caso mostra que a Corte instalada no Rio teve efeitos sobre povos indígenas do interior. (Moreira 2010)

Fontes

  1. Cardoso, J. L. (2008). "A abertura dos portos do Brasil em 1808: dos factos à doutrina". Ler História 54: 9–31. DOI 10.4000/lerhistoria.2342. Acessar
  2. Carvalho, A. L. dos S. (2014). "O Rio de Janeiro a partir da chegada da Corte Portuguesa: planos, intenções e intervenções no século XIX". Paranoá: cadernos de arquitetura e urbanismo 13: 54–63. DOI 10.18830/issn.1679-0944.n13.2014.12047. Acessar
  3. Santos, A. T. (2013). "Relações Brasil-Inglaterra pós 1845 e o tráfico de escravos: o rompimento, o Bill Aberdeen e a Lei Eusébio de Queirós". Revista de Iniciação Científica da FFC 13(2). DOI 10.36311/1415-8612.2013.v13n2.2313. Acessar
  4. Moreira, V. (2010). "A guerra contra os índios botocudos e a formação de quilombos no Espírito Santo". Afro-Ásia 41: 57–83. DOI 10.9771/aa.v0i41.21198. Acessar

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