Atlas da História

Inconfidência Mineira

1788–1789 (Wikidata: 1789) · Terras baixas da América do Sul

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Conspiração separatista de 1788–1789 na capitania de Minas Gerais. Para Belém, foi um movimento heterogêneo e ambíguo, tributário das Luzes e do Antigo Regime, sem política fiscal definida. A memória sobre ela foi disputada, como no culto a Tiradentes promovido no Estado Novo.

Quem eram os conjurados

Belém (2021), apoiando-se em Furtado (2002) e Villalta, destaca a heterogeneidade do grupo: oficiais, poetas, religiosos, um agrimensor e o alfaiate mulato Vitoriano Gonçalves Veloso. Eles conviviam com ideias das Luzes e com valores do Antigo Regime, e a fala atribuída a Tiradentes de que o objetivo era restaurar, e não levantar, indica esse enquadramento. Não havia consenso entre os conjurados sobre a escravidão, o tipo de governo ou o tributo. A conjuração é, portanto, um movimento de elites coloniais com projetos diferentes entre si. (Belém 2021)

A derrama e os boatos

Belém (2021) lembra a cobrança de 100 arrobas anuais de ouro e a ameaça da derrama. Gaspar (2010) mostra que o governador Barbacena anunciou a derrama em 16 de julho de 1788 e a suspendeu em 14 de março de 1789, um dia antes da delação de Joaquim Silvério dos Reis, em 15 de março. O autor discute a cronologia de Maxwell (1973) frente à tradição, que ligava a derrama a um levante popular. Para ele, os boatos sobre a derrama circularam em 1788 e 1789, e a historiografia a descreveu como reação "espasmódica" de pobres, leitura que ele questiona ao notar que o tributo colidia com os interesses da elite mineira. (Belém 2021; Gaspar 2010)

Os conjurados e a escravidão

Carvalho (1988), com base nos Autos de Devassa, estuda o que os conjurados disseram sobre libertar escravizados. Segundo os autos, Alvarenga propôs libertar os cativos primeiro, mas José Álvares Maciel temia desorganizar as minas, e se chegou a falar em libertar só crioulos e mulatos. A historiografia divide-se: a História Geral da Civilização Brasileira deixa a questão em suspenso, enquanto Carvalho e outros veem os conjurados como pioneiros do abolicionismo. O próprio caso de Alexandre da Silva, escravizado do padre Rolim, absolvido em 19 de abril de 1792 e posto à venda por edital de 25 de abril, mostra o destino de pessoas cativas ligadas aos réus. (Carvalho 1988)

Tiradentes como herói: Vargas e a política atual

Fraga (2021) mostra que, em 1936, o decreto 756-A mandou trazer os restos mortais de 13 inconfidentes de igrejas em Angola e Moçambique. O navio Baependi chegou ao Rio em 24 de dezembro e o desembarque foi em 27 de dezembro, em cerimônia ligada ao projeto "Os nossos grandes mortos" de Capanema. Em 1940 houve disputa sobre a Juventude Brasileira: um crítico chamou Tiradentes de "herói pouco imponente", e Capanema o defendeu. Belém (2021) trata de usos recentes: o Partido Novo recorreu a Tiradentes no Twitter em 2018 e 2020, e uma coluna na Folha o fez em 2020. (Fraga 2021; Belém 2021)

Fontes

  1. Belém, G. de C. (2021). "Tiradentes em Mont-Pèlerin: Neoliberalismo e memória da Inconfidência Mineira". Epígrafe 10(1): 273–298. DOI 10.11606/issn.2318-8855.v10i1p273-298. Acessar
  2. Fraga, A. B. (2021). "Usos políticos do passado no governo Vargas: Tiradentes e a Inconfidência Mineira". História (Unisinos) 25(2): 337–350. DOI 10.4013/hist.2021.252.12. Acessar
  3. Carvalho, J. G. V. de (1988). "Os conjurados de 1789 e a escravidão". Revista de História 119: 91–99. DOI 10.11606/issn.2316-9141.v0i119p91-99. Acessar
  4. Gaspar, T. de S. (2010). "Derrama, boatos e historiografia: o problema da revolta popular na Inconfidência Mineira". Topoi 11(21): 51–73. DOI 10.1590/2237-101x011021004. Acessar

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