Atlas da História

República do Congo (Léopoldville): independência e crise

30 jun. 1960 – 1971 · África Central

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Estado nascido da independência em relação à Bélgica, em 30 de junho de 1960, com Patrice Lumumba como primeiro-ministro eleito. Em meio à secessão de Katanga e à primeira crise do Congo, Lumumba foi assassinado naquela província em janeiro de 1961. Em 1971, o país passou a se chamar Zaire.

Uma independência apressada

As conclusões da comissão parlamentar belga que investigou o assassinato de Lumumba (2001) lembram que Van Bilsen propôs, em 1955, um plano gradual de emancipação, mas os motins de janeiro de 1959 precipitaram o processo: a independência veio cerca de cinco meses depois da conferência de Bruxelas, em plena Guerra Fria. Segundo o AfricaMuseum, em 4 e 5 de julho de 1960 a Force publique se amotinou contra os oficiais belgas, depois de uma frase provocadora do comandante Janssens. Tropas belgas intervieram, e o governo congolês pediu ajuda à ONU. Em 11 de julho, Tshombe, da CONAKAT, proclamou a secessão de Katanga com apoio belga; em 8 de agosto, Kalonji fez o mesmo no Sul do Kasai. (Chambre des représentants de Belgique; Musée royal de l'Afrique centrale (AfricaMuseum))

Lumumba isolado

Segundo a comissão, Bruxelas apoiou Katanga com o objetivo de um Congo confederal, montou uma Missão Técnica Belga junto ao governo de Tshombe e usou fundos secretos de pelo menos 50 milhões de francos belgas; a Union Minière pagava impostos ao governo katanguês. Lumumba, defensor de um Estado unitário, rompeu com o secretário-geral da ONU, Hammarskjöld, e enfrentou planos dos Estados Unidos contra ele e uma oposição interna agravada pela campanha do exército nacional no Sul do Kasai. O primeiro-ministro belga, Eyskens, pediu ao presidente Kasavubu a destituição de Lumumba, que ocorreu em 5 de setembro de 1960, depois de 67 dias de governo. Mobutu “neutralizou” os dois campos e criou o Colégio de Comissários-Gerais. (Chambre des représentants de Belgique; Musée royal de l'Afrique centrale (AfricaMuseum))

Transferência para Katanga e assassinato

Em 6 de outubro, um telex belga falava na “élimination définitive” de Lumumba, e a comissão encontrou planos belgas de assassinato que não chegaram a ser executados. Em janeiro de 1961, as autoridades de Léopoldville, com apoio belga, organizaram sua transferência para Katanga. Lumumba foi assassinado em 17 de janeiro, cerca de cinco horas depois de chegar, junto com Mpolo e Okito, por ordem das autoridades katanguesas, por gendarmes e policiais katangueses, diante de ministros katangueses, de um comissário de polícia belga e de três oficiais belgas. Os corpos foram destruídos. A comissão não achou documento de ordem belga para o crime, mas apontou a indiferença do governo à segurança de Lumumba e a responsabilidade moral de alguns de seus membros. A Bélgica apresentou desculpas, segundo o AfricaMuseum. (Chambre des représentants de Belgique; Musée royal de l'Afrique centrale (AfricaMuseum))

Secessões, rebeliões e o golpe de 1965

Segundo o AfricaMuseum, a secessão do Sul do Kasai terminou em 1961, e a de Katanga, em 1963, com a ação da ONU. Em 1964 e 1965, rebeliões tomaram partes do país: a de Mulele, no Kwilu, e a dos Simba, no leste, com líderes como Gbenye, Olenga, Soumialot e L.-D. Kabila e centro em Stanleyville. Tshombe voltou como primeiro-ministro e recorreu a mercenários e a paraquedistas belgas. A constituição de 1965 criou 21 províncias e restringiu o voto aos homens. O período terminou com o golpe de Mobutu, em 1965. (Musée royal de l'Afrique centrale (AfricaMuseum))

Fontes

  1. De Witte, L. (2001). The Assassination of Lumumba. Verso. ISBN 9781859846186.
  2. Nzongola-Ntalaja, G. (2002). The Congo from Leopold to Kabila: A People's History. Zed Books. DOI 10.5040/9781350223004; ISBN 9781842770535. Acessar
  3. Ndaywel è Nziem, I. (1998). Histoire générale du Congo: de l'héritage ancien à la république démocratique. Duculot / De Boeck & Larcier / Afrique-Éditions. ISBN 9782801111741.
  4. Chambre des représentants de Belgique, "The conclusions of the enquiry committee" (comissão parlamentar de inquérito sobre o assassinato de Patrice Lumumba, 2001). https://www.lachambre.be/kvvcr/pdf_sections/comm/lmb/conclusions.pdf (consultado em 07/10/2026). Acessar
  5. Musée royal de l'Afrique centrale (AfricaMuseum), "La crise congolaise" (exposição Indépendance!). https://independance.africamuseum.be/fr/exhibition/independance/independance-crise-congolaise (consultado em 07/10/2026). Acessar

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