Atlas da História

Mesquita Djinguereber (Tombuctu)

1327 (Wikidata); reconstruída em 1570–1583 (UNESCO) · África Ocidental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Mesquita de Tombuctu cuja construção inicial a UNESCO atribui a Kankan Moussa (Mansa Musa), soberano do Mali. Foi reconstruída entre 1570 e 1583.

Plano de Tombuctu em 1853
Plano da cidade desenhado pelo explorador alemão Heinrich Barth, que a visitou em 1853 e publicou o relato em 1858. Marca as mesquitas de Djinguereber e Sankoré. É um olhar de fora, feito para o público europeu, mas documenta a forma da cidade no século XIX. Plano de Tombuctu em 1853, Heinrich Barth (explorador alemão), 1858 (plano de 1853). Domínio público. Ver no acervo
Manuscrito de Tombuctu com tabelas astronômicas (Instituto Ahmed Baba)
Página de manuscrito do acervo do Instituto Ahmed Baba, com tabelas astronômicas atribuídas a Ibn Yunus, astrônomo egípcio. Mostra que Tombuctu foi um centro de estudo e cópia de livros de várias ciências, ligado à vida em torno de suas mesquitas. Manuscrito de Tombuctu com tabelas astronômicas (Instituto Ahmed Baba), copista não identificado; texto do astrônomo Ibn Yunus, data da cópia não registrada. Domínio público. Ver no acervo

Do retorno de Meca à reforma de Al Aqib

A UNESCO atribui a primeira construção da Djinguereber a Kankan Moussa, na volta de sua peregrinação a Meca, e registra que ela foi reconstruída e ampliada entre 1570 e 1583 pelo imame Al Aqib, cádi de Tombuctu. Maistrello et al. (2011) dão 1327 como data da construção original. A mesquita fazia parte de uma cidade de estudos: segundo a UNESCO, a mesquita de Sankore reunia 180 escolas corânicas e 25 mil estudantes, e Tombuctu chegou a 100 mil habitantes no séc. XVI, ligada ao comércio do sal de Teghaza. Gomez (2019) insere esse mundo numa história em que a savana e o Sahel da África Ocidental, longe de periféricos, combinaram islã, comércio, inclusive de pessoas escravizadas, e experimentos políticos que culminaram em impérios. (UNESCO, lista nº 119; Maistrello et al. 2011; Gomez 2019)

Reboco de barro e os pedreiros de Tombuctu

A Djinguereber é uma construção de terra que precisa ser cuidada sempre. Joffroy e Essayouti (2020), ligados ao CRAterre, em Grenoble, e à Missão Cultural de Tombuctu, descrevem o reboco renovado a cada dois ou três anos, em maio, antes das chuvas, num trabalho ligado à oração pela chuva; o mesmo vale para as mesquitas da região. A tarefa cabe a famílias de pedreiros. Maistrello et al. (2011) apontam os cupins como a pior ameaça ao edifício, com danos também em paredes e painéis, no contexto da restauração conduzida pelo Aga Khan Trust for Culture. A UNESCO cita ainda a pressão da urbanização. (Joffroy e Essayouti 2020; Maistrello et al. 2011; UNESCO, lista nº 119)

Destruição em 2012 e reconstrução

Depois do conflito iniciado em janeiro de 2012, os grupos Ansar Eddine e AQMI destruíram manuscritos e 15 mausoléus de Tombuctu, sobretudo durante a sessão do Comitê do Patrimônio Mundial de junho e julho de 2012, e o bem foi posto na Lista em Perigo. Segundo Joffroy e Essayouti (2020), a cidade foi retomada em 28 de janeiro de 2013, a Djinguereber foi inspecionada em junho do mesmo ano e um carro-bomba explodiu perto dela em setembro. A reconstrução começou em 14 de março de 2014 com orações dirigidas pelo imame da mesquita e um sacrifício da corporação de pedreiros. O projeto-piloto tratou dois mausoléus junto ao muro oeste do pátio da Djinguereber, com técnicas locais de reboco, e as obras terminaram em 2016. (Joffroy e Essayouti 2020)

O patrimônio diante de um tribunal

A destruição levou ao caso Al Mahdi no Tribunal Penal Internacional, o primeiro em que a destruição de patrimônio cultural foi o único crime julgado. Oumar Ba (2020) argumenta que o caso foi priorizado por conveniência e por convergência de interesses, e que a comunidade internacional, o Estado malinês e a comunidade local de Tombuctu atribuem sentidos diferentes a esse patrimônio. (Ba 2020)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Timbuktu", lista nº 119. https://whc.unesco.org/en/list/119/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
  2. Gomez, M. A. (2019). African Dominion. Princeton University Press. DOI 10.23943/princeton/9780691196824.001.0001. Acessar
  3. Joffroy, T.; Essayouti, B. (2020). "Lessons learnt from the reconstruction of the destroyed mausoleums of Timbuktu, Mali". The International Archives of the Photogrammetry, Remote Sensing and Spatial Information Sciences XLIV-M-1-2020: 913–920. DOI 10.5194/isprs-archives-xliv-m-1-2020-913-2020. Acessar
  4. Ba, O. (2020). "Contested Meanings: Timbuktu and the prosecution of destruction of cultural heritage as war crimes". African Studies Review 63(4): 743–762. DOI 10.1017/asr.2020.16. Acessar
  5. Maistrello, L.; D'Ilario, J.; Bicheron, G.; Bouleau, C. (2011). "Damage by insect pests to the Djingarey Ber Mosque in Timbuktu: detection and control". Journal of Entomological and Acarological Research 43(2): 99. DOI 10.4081/jear.2011.99. Acessar

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