Atlas da História

Domínio de Gana (independência de Gana)

6 mar. 1957 a 1º jul. 1960 · África Ocidental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Forma política de Gana entre a independência, em 6 de março de 1957, e a proclamação da república, em 1960. Kwame Nkrumah liderou o país nesse período.

Da Gold Coast a Gana

Na introdução da coletânea de documentos britânicos sobre o fim do império organizada por Richard Rathbone (1992), Gana aparece como o primeiro Estado da África tropical a alcançar a plena condição de Estado-nação, depois de um domínio colonial de pouco mais de um século no litoral; só a África do Sul e o Sudão tinham aberto esse caminho antes. O nome Gana foi adotado na própria independência, em 6 de março de 1957. Cooper (2019), numa história da África desde 1940, trata essa passagem como parte da descolonização e pergunta o que a independência significou e o que não significou, com destaque para a questão do desenvolvimento, que passou dos regimes coloniais às novas elites africanas. (Rathbone 1992; Cooper 2019)

Símbolos para um país novo

Depois de mais de um século de domínio britânico, o novo Estado precisava criar uma identidade comum numa sociedade de muitas tradições étnicas. Benjamin Linzy (2015), ao resenhar o livro do historiador Harcourt Fuller, mostra como Nkrumah usou símbolos visuais para reforçar sua autoridade e fortalecer o Estado. A antropóloga Carola Lentz (2023) lembra que a idolatria em torno de Nkrumah começou antes mesmo da independência: uma estátua dele foi encomendada em 1956 e inaugurada no primeiro aniversário da independência, em 1958. Para ela, era a busca de um fundador carismático capaz de estabilizar a nova nação, com os limites e riscos que isso trazia. (Linzy 2015; Lentz 2023)

Golpe, exílio e uma memória em disputa

Nkrumah foi deposto por um golpe em 1966 e morreu no exílio em 1972; depois de sua queda, o governo militar destruiu estátuas e imagens dele, e sua memória virou tabu, conta Lentz (2023). O governante militar Acheampong planejou um mausoléu, mas foi derrubado por Jerry Rawlings em 1979, e o memorial só foi concluído em 1992, com projeto do arquiteto ganense Don Arthur, figuras de tocadores de trompa de marfim axântis e uma estátua de Nkrumah vestido de kente. Em 2007, no cinquentenário da independência, o governo de John Kufuor, do partido rival de Nkrumah, ergueu monumentos a outros fundadores, como J. B. Danquah. O parque foi renovado em 2023, e o debate sobre Nkrumah como democrata ou déspota segue vivo. (Lentz 2023)

Fontes

  1. Cooper, F. (2019). Africa since 1940. Cambridge University Press. DOI 10.1017/9781108672214. Acessar
  2. Rathbone, R. (org.) (1992). Ghana. British Documents on the End of Empire, Series B, vol. 1, Part I: 1941–1952. HMSO. ISBN 9780112905257.
  3. Lentz, C. (2023). "Kwame Nkrumah: memorials to the man who led Ghana to independence have been built, erased and revived again". The Conversation. DOI 10.64628/aaj.gw75ewrqd. Acessar
  4. Linzy, B. (2015). "“Nkrumah Lives Forevermore”: Independence, Symbolic Nationalism, and Nation-Building in Ghana". SAIS Review of International Affairs 35(2): 117–120. DOI 10.1353/sais.2015.0029. Acessar

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