Mansa Musa
c. 1280 – c. 1337; reinado estimado em 1312–1337 (Wikidata; Canós-Donnay 2019) · África Ocidental, África do Norte, Península Arábica
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Governante (mansa) do Império do Mali no início do século XIV, tornou-se conhecido pela peregrinação a Meca em 1324–1325, com passagem pelo Cairo. As fontes árabes, em especial Al-Umari, descrevem uma comitiva enorme e tanto ouro gasto que o preço do metal caiu no Egito.
Um governante no auge do Mali
Canós-Donnay descreve o Mali como um dos maiores Estados da história da África Ocidental, que alcançou sua maior extensão no início do século XIV, depois de anexar as regiões de Oualata, Gao, Tombuctu, a Gâmbia e o vale do Senegal. Estima-se que Mansa Musa tenha reinado entre 1312 e 1337, com base em Ibn Khaldun. A autora chama a atenção para o fato de que a fama dele se deve a seu reinado ser o mais bem documentado, não necessariamente o mais rico ou poderoso. (Canós-Donnay 2019)
A peregrinação de 1324–1325
Segundo Canós-Donnay, a viagem a Meca e a visita ao Cairo em 1324–1325 foram a primeira peregrinação de um governante do Mali registrada com tanto detalhe, em parte porque a historiografia mameluca vivia então seu auge. As fontes concordam na opulência da comitiva, que teria reunido centenas ou milhares de pessoas e tanto ouro que o preço do metal teria caído no Cairo por mais de uma década. Tehari e Medjenneh citam Al-Umari, para quem o mithqal valia pelo menos 25 dirhams antes da visita e passou a menos de 22 depois. (Canós-Donnay 2019; Tehari e Medjenneh 2026)
Rota, gastos e volta
Para Tehari e Medjenneh, a caravana saiu de Niani por Mema, Oualata, Taghaza, Tuat, Ouargla, Ghadames e Trípoli até Alexandria e o Cairo, onde se juntou à caravana egípcia de peregrinos; na volta passou por Gadamés, Kukiya e Tombuctu. Depois dos gastos, ele teria precisado tomar dinheiro emprestado no retorno. Os autores contam que trouxe de Meca quatro membros dos Quraysh e o letrado e arquiteto Abu Ishaq al-Sahili, ligado à construção de edifícios reais no Mali. (Tehari e Medjenneh 2026)
Memória, fontes e o que se discute
Ibn Battuta, que visitou o Mali em 1352–1353, lembra Musa como um príncipe generoso que gostava dos brancos e deu a Abu Ishaq al-Sahili quatro mil mithqals num só dia, segundo a tradução de Gibb. Canós-Donnay observa que o conhecimento do Mali depende de tradições orais, crônicas árabes, relatos europeus e arqueologia, que se combinam com cuidado. Ela mostra ainda que a capital do Mali segue sem localização firme, o que afeta o início da rota da peregrinação. (Gibb 1929; Canós-Donnay 2019)
Fontes
- Canós-Donnay, S. (2019). "The Empire of Mali". Em: Oxford Research Encyclopedia of African History. Oxford University Press. DOI 10.1093/acrefore/9780190277734.013.266. Acessar
- Tehari, F.; Medjenneh, A. (2026). "The Civilizational Impact of Scholarly and Pilgrimage Journeys from the Western Sudan during the middle Ages: An Analytical Study through Three Selected Cases". Review of Contemporary Philosophy 25(1): 602–613.
- Gibb, H. A. R. (trad. e sel.) (1929). Ibn Battuta: Travels in Asia and Africa, 1325–1354. Londres: Routledge & Kegan Paul (Broadway Travellers). Lido em cópia digitalizada do Internet Archive.
Na mesma região
- Mesquita Djinguereber (Tombuctu) 1327 (Wikidata); reconstruída em 1570–1583 (UNESCO)
- Tráfico atlântico de africanos escravizados viagens registradas entre 1514 e 1866
- Domínio de Gana (independência de Gana) 6 mar. 1957 a 1º jul. 1960
- Djenné-Djenno (Jenné-jeno) desde o séc. III a.C. (UNESCO)
- Cultura Nok séc. XV a.C. ao séc. I a.C. (Wikidata)
- Oficina de lascamento de quartzo e fogueira de Ravin Blanc X (vale do Falémé, Senegal), c. 9100 anos atrás c. 9100 cal AP (c. 7150 a.C. em ano astronômico). As três datas de carvão da fogueira, calibradas pelos autores, vão de 9271 a 8988 cal AP (c. 7320–7040 a.C.); uma quarta, da mesma camada, de 9397 a 9028 cal AP