Holoceno médio na Austrália: o que a curva de datas de radiocarbono diz sobre a atividade humana e a 'intensificação'
declínios ou patamares da curva entre c. 5,6 e 4,8 mil anos cal AP (c. 3650 a 2850 a.C.), com inversão da taxa de crescimento c. 6,3 mil anos cal AP (c. 4350 a.C.); datas calibradas, agrupadas em intervalos de 200 anos · Austrália / Sahul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Williams (2013) reuniu 4.575 datas de radiocarbono de 1.750 sítios australianos e as tratou como indicador da atividade humana, com correção para a perda de vestígios antigos. Na curva, o Holoceno médio é um período variável, com declínios ou patamares por volta de 5,6 a 4,8 mil anos cal AP, e só depois vem um aumento em degraus a partir de cerca de 4 mil anos. O autor discute o modelo da intensificação de Lourandos e conclui que o crescimento da população foi um processo mais longo, que pode ter sofrido a influência da instabilidade climática.
A base: 4.575 datas de 1.750 sítios
O conjunto completo tem 5.041 datas de radiocarbono de 1.750 sítios arqueológicos; 466 foram excluídas por falta de informação ou por serem consideradas anômalas por seus autores, e 4.575 entram na análise. As datas terrestres foram calibradas com IntCal09 e as marinhas com Marine09, e cada uma foi agrupada em intervalos de 200 anos pela mediana. Williams supõe que a colonização ocorreu entre 46 e 50 mil anos atrás, que não houve nova migração depois e que não houve lacuna contínua em toda a Austrália nesse período. Ele aplica a correção tafonômica aos sítios abertos e deixa sem correção os abrigos rochosos. (Williams 2013)
O que a curva mostra no Holoceno médio
A curva cresce de forma contínua de 12 a 0,4 mil anos atrás, com pulsos a cerca de 8,3 a 6,6, 4,4 a 3,7 e 1,6 a 0,4 mil anos, e declínios ou patamares a cerca de 5,6 a 4,8, 2,6 a 2,2 e depois de 0,4. A análise por região descreve um período muito variável no Holoceno médio, com quedas ou lacunas na maioria das latitudes por volta de 5 mil anos, seguido de um aumento em degraus a partir de cerca de 4 mil anos, com pico entre 1,6 e 0,4. A taxa de crescimento tem três inversões no Holoceno, em torno de 6,3 mil, 4,1 mil e nos últimos 2.000 anos. O próprio autor aponta que a queda dos últimos 600 anos pode ser efeito de amostragem. (Williams 2013)
Intensificação e clima
Williams lembra que Lourandos defendeu uma intensificação social e econômica no Holoceno tardio, e que a maioria dos arqueólogos aceita sinais de mais gente e de mudanças econômicas e sociais nessa fase. O novo resultado indica que o aumento começou antes, a partir de cerca de 12 mil anos, e sugere ligação com a elevação do mar e o fortalecimento da monção do norte. Ele relaciona as quedas ao clima instável, em especial ao último máximo glacial (queda de até 61% entre 21 e 18 mil anos), ao ótimo climático do Holoceno médio e ao início do El Niño-Oscilação Sul, e nota que já no Holoceno inicial há evidência de novos sítios, de depósitos densos, de gravuras rupestres e de técnicas como armadilhas de peixe. (Williams 2013)
Estimativas de população e seus limites
Com a população etnográfica de 750 mil a 1,2 milhão como ponto final, Williams ajusta a curva e chega a uma população fundadora de mais de 1.000 e menos de 3.000 pessoas. As estimativas mais altas, de cerca de 1,2 milhão, ocorrem por volta de 500 anos atrás. O autor diz que o resultado concorda em geral com estudos anteriores, mas que a precisão não resolve o número de pessoas na colonização ou no contato europeu. Ele também declara que o radiocarbono é usado como indicador de atividade humana e que a correção tafonômica ainda não tem curva específica para a Austrália. (Williams 2013)
Fontes
- Williams, Alan N. (2013). "A new population curve for prehistoric Australia". Proceedings of the Royal Society B 280(1761): 20130486. DOI 10.1098/rspb.2013.0486. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3652441/. Texto bruto lido em 29/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Paisagem cultural de Budj Bim (Gunditjmara) há pelo menos 6,6 mil anos (UNESCO 1577)
- Nível do mar alto do Holoceno médio na Austrália: a data de Bulli Beach revista início do nível alto em 6.880±50 cal AP (c. 4930 a.C.), pelo modelo bayesiano de Dougherty e colegas 2019; a data da queda do nível não consta no trecho lido. Datas calibradas
- Pontas, lâminas com dorso e tulas: as "pequenas ferramentas" de pedra da Austrália c. 7.000 a 4.000 anos AP, em anos de radiocarbono (Hiscock 1994, que não informa calibração); conversão aproximada por 1950 − AP
- Dabangay, em Mabuyag (Zenadh Kes): povoamento durante a subida do mar e o nível alto c. 7.239 a 3.349 cal AP (c. 5289 a 1399 a.C.), fase 1 de Wright, Hiscock e Aplin 2013; Wright e Jacobsen 2013 dão 7.239 a 3.211 cal AP. Datas calibradas (OxCal 4.1, SHCal04). Nova fase de povoamento desde c. 1.800 cal AP
- Chegada do dingo à Austrália presente no sul da Austrália há 3.348–3.081 anos (Balme et al. 2018); chegada anterior em debate
- Plantas, nozes tóxicas e fogo nas florestas tropicais de Queensland (Wet Tropics) primeiro uso claro da mata por volta de 8.000 anos cal. AP (c. 6050 a.C.); plantas da floresta em sítios por volta de 5.000 anos atrás (c. 3050 a.C.); vestígios mais densos de 2.500–1.500 cal. AP até a invasão europeia (c. 1860), segundo Roberts et al. (2021)