Depósito da ria de Huelva (Odiel): cerca de 400 bronzes de armas e adornos dragados em 1923, depositados no séc. X a.C., e o debate entre naufrágio e oferenda
c. 997–925 cal a.C. (seis datas de radiocarbono de astiles de lança, recalibradas por Mederos 2006, citado por Fernández Rodríguez 2014); 976–932 cal a.C. na calibração de Ruiz-Gálvez 1995; 987–922 a.C. em Mederos 2019 · Europa Mediterrânea, Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em março e abril de 1923, a dragagem do rio Odiel, em Huelva, tirou do leito, entre 7,5 e 9,5 m de profundidade, cerca de 400 objetos de bronze, entre armas e peças de vestuário, misturados a restos de madeira. Seis datas de radiocarbono de astiles de lança colocam o conjunto no século X a.C. (c. 997–925 cal a.C. na recalibração citada por Fernández Rodríguez). Desde a descoberta a leitura dominante foi a de um naufrágio com carga de sucata, mas Ruiz-Gálvez e outros defendem que se trata de oferendas votivas lançadas à água.
A dragagem de 1923 e o que saiu do Odiel
Segundo Fernández Rodríguez, a draga Cinta, da Junta de Obras do Porto de Huelva, começou a extrair bronzes do fundo do Odiel no fim de março de 1923, entre 7,5 e 9,5 m de profundidade, a 23 m ao sul do cais da mineradora Tharsis, no lugar chamado Cabeza de Tharsis. Foram retirados até cerca de 400 objetos de bronze, entre equipamento militar e elementos de vestuário; o inventário judicial publicado em outubro de 1923 lista 396 peças. Os bronzes estavam numa camada de areia grossa e conchas, sob lama sem achados, e junto vieram fragmentos de madeira. Em 1925, outra dragagem sobre 20.000 m2 recuperou muito poucas peças, provavelmente alheias ao conjunto de 1923. (Fernández Rodríguez 2014)
As datas de radiocarbono e o que elas não resolvem
Almagro-Gorbea (1977) publicou as primeiras datas absolutas, de seis amostras de madeira dos astiles das lanças (CSIC 202–207), então lidas como 880–850 a.C. Ruiz-Gálvez (1995) as calibrou e as situou entre a segunda metade do séc. XI e a primeira metade do IX a.C., com datas calibradas de 976 a 932 a.C. e preferência pelo séc. X; Mederos (2006) recalibrou o conjunto para c. 997–925 a.C. Mederos (2019) dá 987–922 a.C. para as mesmas seis datas. Fernández Rodríguez lembra que algumas peças são mais antigas (espadas que Mederos eleva ao séc. XII a.C.) ou mais recentes (fíbulas de cotovelo do tipo Huelva, com datas do séc. IX a.C.), e que, se as fíbulas anulares fossem ligadas à dragagem de 1923, o conjunto desceria ao séc. VI–V a.C. (Fernández Rodríguez 2014; Mederos Martín 2019)
Um rio onde se depositou por séculos
O autor reúne outros achados dragados na ria: um capacete coríntio de bronze do séc. VII–VI a.C. (1930), figuras de bronze de 'deus que golpeia', identificadas com o fenício Melkart, e um fragmento de aríbalo coríntio do Coríntio Médio, entre 590 e 560 a.C. Para ele, isso reforça a ideia de um espaço sagrado e ritual que se manteve muito além do Bronze Final. Ele compara com a foz do Ulla, na Galiza, onde armas se acumularam do fim do Bronze Médio até a época moderna, com um hiato na Idade do Ferro, e cita a leitura de que Huelva foi um enclave estratégico de trocas que permitiu às elites locais ligar-se a vastos territórios. (Fernández Rodríguez 2014)
Fontes
- Fernández Rodríguez, J. M. (2014). Los depósitos de la ría de Huelva: en busca del barco perdido. Onoba. Revista de Arqueología y Antigüedad 2, p. 3–26 (publicado em 20/05/2014). ISSN 2340-3047. https://ariasmontano.uhu.es/bitstreams/0041ce11-9c08-4dc9-abdb-9d983bc70dc4/download (baixado e lido em texto bruto em 29/10/2026). Acessar
- Mederos Martín, A. (2019). Los cascos con cresta del Bronce Final de la Península Ibérica y la segunda fase de las estelas del Suroeste con espejo y casco (1275-1200 AC). Complutum 30(2), p. 273–311. DOI 10.5209/cmpl.66335. https://revistas.ucm.es/index.php/CMPL/article/download/66335/4564456552667/4564456577132 (baixado e lido em texto bruto em 29/10/2026). Acessar
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