Atlas da História

Radiocarbono e a cronologia absoluta da Idade do Ferro egeia: as datas de Lefkandi, Kalapodi, Corinto e Sindos para o Protogeométrico e o Geométrico (início no séc. X a.C.)

c. 1050–1000 a.C. para a passagem do Submicênico ao Protogeométrico (Toffolo e colegas), até c. 800–780 a.C. para o Geométrico Médio e Tardio Ib (Gimatzidis e Weninger) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Até as últimas décadas, as datas absolutas dos estilos de cerâmica Protogeométrico e Geométrico da Grécia vinham de ligações com fontes históricas do Egito e do Oriente Próximo e das colônias gregas na Sicília, enquanto a sequência relativa dos estilos é considerada sólida. Toffolo e colegas (2013) mediram, em amostras de vida curta de Lefkandi, Kalapodi e Corinto, a passagem do Submicênico ao Protogeométrico e a puseram entre 1050 e 1000 a.C.; Gimatzidis e Weninger (2020), com 21 datas em ossos de animais de Sindos, no norte da Grécia, obtiveram datas mais altas para as fases geométricas posteriores e propõem rever a periodização grega.

Cronologia relativa firme, absoluta frouxa

Segundo Toffolo e colegas, a sequência relativa da Idade do Ferro egeia é sólida, porque se apoia em pequenas mudanças de estilo do Submicênico, do Protogeométrico e do Geométrico e de suas subfases. O que falta são contextos ligados a eventos de datas absolutas das fontes egípcias e do Oriente Próximo, ou a governantes bem datados dessas regiões, para o intervalo entre o fim do Heládico Tardio IIIC, no fim do 2º milênio a.C., e a colonização grega da Itália e da Sicília no fim do séc. VIII a.C. Gimatzidis e Weninger acrescentam que as datas gregas se ancoravam em achados isolados, como um escaravelho do rei egípcio Bocoris em uma tumba de Pitecusa, e em dados históricos de Tucídides sobre fatos três séculos anteriores a ele, cuja base eles consideram discutível. (Toffolo; Gimatzidis)

Lefkandi, Kalapodi e Corinto (2013)

O grupo do Weizmann datou, em quatro anos de trabalho, material de três sítios gregos: 16 amostras do Heládico Tardio IIIC, do Submicênico e do Protogeométrico (sementes de trigo e grão-de-bico queimados, carvão e ossos de animais) e mais algumas do Geométrico. Preferiu agrupamentos de sementes ou ossos de vida curta e mediu mais de uma vez as amostras com material suficiente. Com modelos bayesianos, que usam a ordem da cerâmica como restrição, a passagem do Submicênico ao Protogeométrico caiu entre 1050 e 1000 a.C. nos modelos A e B; só com os dados de Lefkandi (modelo D), entre 1065 e 980 a.C. Os autores centram o resultado em cerca de 1025 a.C. e sugerem 1020 a 1000 a.C. para a passagem. (Toffolo)

Sindos e as fases geométricas (2020)

Em Sindos, perto de Salônica, Gimatzidis e Weninger mediram 21 datas de AMS em ossos de animais de uma estratigrafia contínua, no laboratório de Mannheim, com desvio-padrão inferior a 25 anos de radiocarbono. A série cobre do Protogeométrico Tardio ao Geométrico Tardio Ib e foi tratada com modelagem de idade e profundidade. Segundo eles, a fronteira entre o Geométrico Tardio Ia e Ib fica em 790 a.C., o Geométrico Tardio I começa em 870 a.C., o Geométrico Médio II sobe de 800 para 930 a.C. e o Geométrico Médio I entra bem no séc. X a.C. Eles escrevem que seus resultados desafiam a cronologia grega convencional e pedem uma revisão da periodização. (Gimatzidis)

O que as duas medições deixam em aberto

Os dois estudos medem fases diferentes: o de 2013 fixa o Submicênico/Protogeométrico e conclui a favor da cronologia convencional nesse ponto, e o de 2020 mexe nas fases geométricas, onde sobe as datas. Toffolo e colegas reconhecem que a transição Protogeométrico/Geométrico não foi determinada com precisão e que o Submicênico, que a literatura que eles citam admite como fase curta (no máximo cerca de 50 anos), é uma fase ainda esquiva; Gimatzidis e Weninger notam que o plateau da curva de calibração entre cerca de 800 e 400 a.C. dificulta a leitura das datas mais recentes e que a revisão proposta ainda precisa de confirmação. (Toffolo; Gimatzidis)

Fontes

  1. Toffolo, Michael B.; Fantalkin, Alexander; Lemos, Irene S.; Felsch, Rainer C. S.; Niemeier, Wolf-Dietrich; Sanders, Guy D. R.; Finkelstein, Israel; Boaretto, Elisabetta. "Towards an Absolute Chronology for the Aegean Iron Age: New Radiocarbon Dates from Lefkandi, Kalapodi and Corinth". PLoS ONE 8(12): e83117, 26 dez. 2013. DOI 10.1371/journal.pone.0083117. Texto integral via Europe PMC (PMC3873300), consultado em 29/10/2026. Acessar
  2. Gimatzidis, Stefanos; Weninger, Bernhard. "Radiocarbon dating the Greek Protogeometric and Geometric periods: The evidence of Sindos". PLoS ONE 15(5): e0232906, 27 mai. 2020. DOI 10.1371/journal.pone.0232906. Texto integral via Europe PMC (PMC7252618), consultado em 29/10/2026. Acessar

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