O DNA do túmulo 2 de Los Castellets II (Mequinenza, Aragão): 24 pessoas de uma família estendida do Bronze Final no nordeste da Península Ibérica (c. 1200–827 a.C.)
Túmulo 2: c. 1200–827 a.C. (radiocarbono calibrado, segundo os autores); o ano -1000 é o ponto médio aproximado dessa faixa, usado só para situar o registro · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em Los Castellets II, em Mequinenza (Aragão), uma necrópole do Bronze Final tem inumações e cremações lado a lado, e o túmulo 2 reúne pelo menos 30 pessoas enterradas, c. 1200–827 a.C. Bretos Ezcurra e colegas obtiveram dados genômicos de 24 adultos desse conjunto: a ancestralidade vem de duas fontes, uma parecida com a do Bronze Antigo e Médio do sudeste ibérico e outra, com mais ancestralidade ligada às estepes, que eles associam a grupos da Europa Central por intermédio de vizinhos. Cerca de dois terços eram parentes próximos, e os autores leem o túmulo como mausoléu de uma família estendida.
O sítio e o túmulo 2
Segundo Bretos Ezcurra e colegas, o complexo de Los Castellets fica em Mequinenza, perto da confluência dos rios Segre e Ebro, em dois esporões rochosos separados por uma ravina. A necrópole de Los Castellets II mistura montículos de inumação e de cremação do Bronze Final (c. 1300 a.C.) à Idade do Ferro (c. 500 a.C.), e é o único exemplo do nordeste da Península onde as duas práticas aparecem numa janela curta, com sobreposição entre c. 900 e 800 a.C.; a inumação cessa por volta de 800 a.C. O túmulo 2, de inumação coletiva, tinha pelo menos 30 pessoas, com cerâmica de decoração em canais, pequenas contas de bronze, um bracelete de bronze e um furador de osso, e os ossos de muitas estavam deslocados. (Bretos Ezcurra)
O que se leu no DNA
Foram selecionadas 23 pessoas adultas do túmulo 2, de um mínimo de 30, e mais uma de um outro túmulo (o 27), a partir de ossos petrosos e dentes; o DNA foi extraído e enriquecido para 1,24 milhão de posições do genoma em laboratório limpo do Instituto Max Planck, e o sexo genético mostrou 11 mulheres e 13 homens. Os autores também geraram dados de uma pessoa da Idade do Ferro Antiga da Cueva de los Piojos, datada direta de 760–431 a.C. cal. A contaminação estimada ficou abaixo de 3% no DNA nuclear dos homens e no DNA mitocondrial de todos. (Bretos Ezcurra)
Ancestralidade: sudeste ibérico e Europa Central
Os testes rejeitaram a continuidade genética com o Bronze Antigo e Médio do nordeste ibérico (p muito baixo). O melhor modelo usa como fonte principal o Bronze Antigo e Médio do sudeste da Ibéria, com sítios argáricos como La Almoloya e La Bastida, mais uma parcela de ancestralidade de tipo centro-europeu, com mais ancestralidade ligada às estepes, de cerca de 17%. Todos os homens carregam linhagem Y compatível com R1b-Z198, comum no Bronze ibérico anterior, e não as linhagens da Europa Central, o que leva os autores a supor que a parcela centro-europeia veio por grupos vizinhos e talvez por mulheres que se deslocavam entre grupos. (Bretos Ezcurra)
Uma família estendida
Ao menos dois terços das pessoas do túmulo 2 eram parentes de 1º a mais de 6º grau: um par pai e filho, entre dois homens (com a ressalva de que um deles tem baixa cobertura e poderiam ser irmãos), sete pares de 2º grau, dois de 3º, cinco de 4º e ao menos doze de 5º/6º. Um homem, que os autores chamam LCA003, é o centro da rede, com pelo menos oito parentes. Há mais laços entre homens do que entre mulheres, o que sugere patrilinearidade e talvez virilocalidade, mas o teste de localidade não foi significativo, e duas pessoas do grupo têm sinais de endogamia, que os autores relacionam a estratégias de elites em alguns contextos, sem excluir uma prática mais geral. (Bretos Ezcurra)
Fontes
- Bretos Ezcurra, Marina; Rohlrach, Adam B.; Papac, Luka; Royo Guillén, José Ignacio; Barquera, Rodrigo; Gómez Lecumberri, Fabiola; Laborda Lorente, Rafael; Risch, Roberto; Krause, Johannes; Picazo Millán, Jesús V.; Haak, Wolfgang; Villalba-Mouco, Vanessa. "Genomic insights from a final Bronze Age community buried in a collective tumulus in an Urnfield settlement in Northeastern Iberia". Communications Biology 8: 1299, 28 ago. 2025. DOI 10.1038/s42003-025-08668-7. Texto integral via Europe PMC (PMC12394608), consultado em 29/10/2026. Acessar
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