Destruição do Palácio de Nestor, em Pilos (c. 1200 a.C.), e as causas em debate
c. 1200–1180 a.C. (3150–3130 anos antes de 1950, na transição do Heládico Recente IIIB para o IIIC, como Finné et al. situam a destruição) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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O palácio micênico de Pilos, na Messênia, foi destruído na passagem do Heládico Recente IIIB para o IIIC, por volta de 1200–1180 a.C., e não foi reconstruído. Segundo Finné et al. (2017), uma estalagmite da caverna de Mavri Trypa mostra clima mais úmido na hora da destruição, uma seca breve cerca de duas a oito décadas antes e um ressecamento gradual depois, que teria dificultado a reconstituição de um poder central. Kaniewski et al. (2013), com dados de Chipre e da Síria, defendem para o colapso do Mediterrâneo oriental uma cadeia de fome por mudança climática, invasões marítimas e guerra, e Finné et al. lembram que o tema inclui também terremotos e instabilidade política.
O palácio e a data
Segundo Finné et al., o Palácio de Nestor, em Pilos, foi destruído na transição do Heládico Recente IIIB para o IIIC, por volta de 3150–3130 anos antes de 1950 (c. 1200–1180 a.C.), e depois da destruição há muitos sinais de colapso político e social em Pilos e em toda a Messênia. O registro de clima do artigo vem de uma estalagmite (S1) da caverna de Mavri Trypa, no sudoeste do Peloponeso, datada por 24 medições de urânio-tório com precisão média de ±26 anos (2σ); o período da destruição, marcado nas figuras, é tomado de outros trabalhos (refs. 27, 29 e 31 do artigo), e não da estalagmite. (Finné et al. 2017)
Seca antes, ressecamento depois
O registro de δ18O mostra uma seca breve em torno de 3200 anos antes de 1950, dentro do Heládico Recente IIIB, de duas a oito décadas antes da destruição, e depois uma volta ao úmido, até que a aridez recomeça por volta de 3150 anos antes de 1950. Segundo Finné et al., a administração centralizada de Pilos sobreviveu à primeira seca, embora já houvesse rachaduras nos anos anteriores à destruição; as secas de 3100 anos antes de 1950 em diante, já no Heládico Recente IIIC, teriam contribuído para a incapacidade dos palácios do Peloponeso de reafirmar seu poder. Para os autores, é a primeira vez que há indícios de que o clima pode ter sido um dos mecanismos do processo. (Finné et al. 2017)
Um debate com várias causas
Finné et al. dizem que o debate sobre as causas da queda de muitas sociedades do Mediterrâneo oriental no fim do Bronze Final inclui mudança climática, terremotos, fome, instabilidade política e invasões dos chamados Povos do Mar, e que a ideia de aridez generalizada ganhou espaço recentemente, apesar das incertezas cronológicas e do risco de explicação determinista. Kaniewski et al. descrevem o mundo do Bronze Final como uma rede de civilizações egeia, egípcia, síro-palestina e hitita que desmoronou há cerca de 3200 anos, e afirmam que, em Chipre e na Síria, a fome causada pelo clima e as invasões marítimas estão ligadas. (Finné et al. 2017; Kaniewski et al. 2013)
Do que as fontes lidas não tratam
Nenhuma das duas fontes lidas descreve a destruição em si (fogo, camada de queimado, vítimas, tabuletas em Linear B), nem traz número de mortos ou de sobreviventes: Finné et al. trabalham com o clima ao redor do evento, e Kaniewski et al. com Chipre e a Síria. O quadro de causas do palácio de Pilos continua, portanto, uma questão em aberto nas fontes lidas, e o registro não escolhe entre elas. (Finné et al. 2017; Kaniewski et al. 2013)
Fontes
- Finné, M.; Holmgren, K.; Shen, C.-C.; Hu, H.-M.; Boyd, M.; Stocker, S. (2017). Late Bronze Age climate change and the destruction of the Mycenaean Palace of Nestor at Pylos. PLoS ONE 12(12): e0189447, publicado em 27/12/2017. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0189447 (texto completo no Europe PMC, PMC5744937) (baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026). Acessar
- Kaniewski, D.; Van Campo, E.; Guiot, J.; Le Burel, S.; Otto, T.; Baeteman, C. (2013). Environmental Roots of the Late Bronze Age Crisis. PLoS ONE 8(8): e71004, publicado em 14/08/2013. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0071004 (texto completo no Europe PMC, PMC3743901) (baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Fim das terramare, na planície do Pó (c. 1150 a.C.): colapso, clima e uso da terra c. 1150 a.C. (data de colapso citada por Capuzzo et al.; a contração demográfica que eles medem vai de 1200 a 1050 a.C.)
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- Lefkandi (Eubeia): o edifício de Toumba e a sepultura dupla de um guerreiro e uma mulher, c. 1000–950 a.C. c. 1000–950 a.C., Protogeométrico Médio (Ruiz-Gálvez 2007); c. 950 a.C. (Coucouzeli, McRobie e Kavrakov 2024, citando Popham e colegas 1993). Datação por tipologia cerâmica, não por radiocarbono, nas fontes lidas
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