Fim das terramare, na planície do Pó (c. 1150 a.C.): colapso, clima e uso da terra
c. 1150 a.C. (data de colapso citada por Capuzzo et al.; a contração demográfica que eles medem vai de 1200 a 1050 a.C.) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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As terramare, povoados cercados por aterros e fossos na planície do Pó, no norte da Itália, chegaram ao auge populacional no Bronze Médio e Recente e entram em colapso por volta de 1150 a.C. Segundo Capuzzo et al. (2018), que medem a população por datas de radiocarbono, o colapso foi provavelmente efeito de uma combinação de exploração insustentável da paisagem e mudança climática, dentro de uma contração demográfica entre 1200 e 1050 a.C.; Cremaschi et al. (2021) ligam o declínio, no séc. XIII–XII a.C., à aridez crescente.
Como se mede uma população sem escrita
Capuzzo et al. (2018) aplicam a distribuição de probabilidade calibrada somada (SCPD) a grandes coleções de datas de radiocarbono do Bronze à transição para o Ferro (1800–800 a.C.), numa área que vai do Ebro ao Danúbio e em cinco regiões, e a comparam com dados de pólen. Eles dizem que a tendência supra-regional é estável e que as regiões variam muito, e que não veem correlação convincente de longo prazo entre população e clima, mas episódios locais de estagnação ou queda coincidem com mudanças ou extremos climáticos. (Capuzzo et al. 2018)
Auge e queda
Segundo Capuzzo et al., a rede de assentamentos ao sul dos Alpes foi relativamente estável durante a maior parte do Bronze e chegou a seu pico de densidade com o desenvolvimento das terramare na planície do Pó; no início do séc. XVI a.C. houve expansão, e a área povoada da planície triplicou. A contração demográfica entre 1200 e 1050 a.C. se dá no intervalo do colapso da cultura de palafitas e terramare, por volta de 1150 a.C., e uma retomada do crescimento é visível depois de c. 1050 a.C. A fonte não dá população absoluta nem número de pessoas afetadas. (Capuzzo et al. 2018)
Mudanças antes do fim
Cremaschi et al. (2021) associam a transição do Bronze Médio 2 para o 3 (c. 1450 a.C. no sítio vizinho de Montale) a mudanças marcadas nos padrões de assentamento, o início da cremação como rito funerário dominante, e mais desmatamento para ampliar lavouras e pastos; eles datam, por dendrocronologia e radiocarbono, a vasca votiva de Noceto (dois tanques de madeira de carvalho, o inferior por volta de 1444±4 a.C. e o superior 12 anos depois), no limite sul da planície do Pó, perto de uma terramara destruída por pedreiras no séc. XIX. Esse é o contexto que o artigo dá para a mudança social anterior ao colapso; ele não trata do fim da cultura em si. (Cremaschi et al. 2021)
Fontes
- Capuzzo, G.; Zanon, M.; Dal Corso, M.; Kirleis, W.; Barceló, J. A. (2018). Highly diverse Bronze Age population dynamics in Central-Southern Europe and their response to regional climatic patterns. PLoS ONE 13(8): e0200709, publicado em 8/8/2018. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0200709 (texto completo no Europe PMC, PMC6082520) (baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026). Acessar
- Cremaschi, M.; Griggs, C.; Kocik, C.; Mutti, A.; Zerboni, A.; Manning, S. W. (2021). Dating the Noceto Vasca Votiva, a unique wooden structure of the 15th century BCE, and the timing of a major societal change in the Bronze Age of northern Italy. PLoS ONE 16(6): e0251341, publicado em 9/6/2021. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0251341 (texto completo no Europe PMC, PMC8189450) (baixado e lido em texto bruto em 30/10/2026). Acessar
Na mesma região
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- O DNA do túmulo 2 de Los Castellets II (Mequinenza, Aragão): 24 pessoas de uma família estendida do Bronze Final no nordeste da Península Ibérica (c. 1200–827 a.C.) Túmulo 2: c. 1200–827 a.C. (radiocarbono calibrado, segundo os autores); o ano -1000 é o ponto médio aproximado dessa faixa, usado só para situar o registro
- Radiocarbono e a cronologia absoluta da Idade do Ferro egeia: as datas de Lefkandi, Kalapodi, Corinto e Sindos para o Protogeométrico e o Geométrico (início no séc. X a.C.) c. 1050–1000 a.C. para a passagem do Submicênico ao Protogeométrico (Toffolo e colegas), até c. 800–780 a.C. para o Geométrico Médio e Tardio Ib (Gimatzidis e Weninger)
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- Lefkandi (Eubeia): o edifício de Toumba e a sepultura dupla de um guerreiro e uma mulher, c. 1000–950 a.C. c. 1000–950 a.C., Protogeométrico Médio (Ruiz-Gálvez 2007); c. 950 a.C. (Coucouzeli, McRobie e Kavrakov 2024, citando Popham e colegas 1993). Datação por tipologia cerâmica, não por radiocarbono, nas fontes lidas
- Bronzetti nurágicos: as figuras de bronze dos santuários da Sardenha, feitas com cobre sardo e ibérico e estanho de fora, na passagem do Bronze Final para a Idade do Ferro c. 900 – c. 700 a.C.: Berger e colegas seguem o grupo mais antigo (Uta-Abini) em c. 950–800 a.C., dizem que os primeiros bronzetti foram feitos por volta do séc. IX a.C. e datam o grupo mais tardio (Mediterraneizzante) em c. 800–700 a.C.