Episódio Pluvial Carniano: chuva, aquecimento e renovação da vida
c. 234 a 232 milhões de anos atrás (Dal Corso et al. 2020) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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No Triássico Superior, uma fase de chuvas mais intensas e aquecimento global marcou a passagem para um mundo com ecossistemas de aspecto moderno. Uma revisão de 2020 associa o episódio a uma extinção marinha e a diversificações de dinossauros, crocodilomorfos, tartarugas e outros grupos.
Um episódio no meio de um andar
O Carniano é o primeiro andar do Triássico Superior; a revisão de Dal Corso e colegas dá ao seu limite inferior cerca de 237 milhões de anos, por zircão datado em uma camada de tufo com forte controle bioestratigráfico, e ao superior cerca de 227. O episódio pluvial ocorreu em torno de 234 a 232 milhões de anos, ou seja, no meio do andar, e isso ajuda a explicar por que passou despercebido: as bases de dados usadas para estudar extinções agrupavam o tempo em fatias de 10 a 11 milhões de anos. A ICS marca a base do Carniano na seção de Prati di Stuores, nos Dolomitas italianos. (Dal Corso et al. 2020; International Commission on Stratigraphy 2026)
Mais chuva, mais calor, carbono em desequilíbrio
O traço mais marcante do episódio é uma intensificação do ciclo da água, com quatro fases de chuva maior, apontadas por dados de sedimentos e fósseis. Houve também repetidos desequilíbrios no ciclo do carbono, com quedas abruptas do carbono-13, associadas a aquecimento. No sul da China, a temperatura do mar subiu cerca de 4 °C na primeira fase, medida por oxigênio em conodontes. Nos mares rasos, os recifes de microbialitos deram lugar a recifes de corais escleractínios, de tipo moderno, e a carbonatos de menor produção; em outros pontos, houve mais entrada de sedimento vindo da terra. (Dal Corso et al. 2020)
Quem perdeu e quem ganhou
Na revisão, a riqueza de gêneros de invertebrados marinhos caiu de 1.129 no Carniano inicial para 775 no tardio, e 33% dos gêneros marinhos desapareceram. Amonoides foram trocados por novos grupos, como tropitídeos e juvavitídeos. Em terra, os autores relatam diversificação de coníferas, insetos, dinossauros, crocodilomorfos, lagartos, tartarugas e mamíferos; dizem que os dinossauros, que existiam desde o Triássico Inferior ou Médio, ficaram raros até se diversificarem durante o episódio. Nos Dolomitas, as faunas dominadas por dinossauros aparecem depois do fim das chuvas. O trabalho tem coautores da Itália, do Reino Unido, da China, da Áustria e da Alemanha. (Dal Corso et al. 2020)
Fontes
- Dal Corso, J.; Bernardi, M.; Sun, Y.; Song, H. et al. (2020). "Extinction and dawn of the modern world in the Carnian (Late Triassic)". Science Advances 6(38): eaba0099. DOI 10.1126/sciadv.aba0099. Acessar
- International Commission on Stratigraphy (2026). Global Boundary Stratotype Section and Points (GSSP), tabela. https://stratigraphy.org/gssps/ (consultada em 07/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Homo antecessor c. 949 mil a 772 mil anos atrás (datação direta do dente ATD6-92, citada por Welker et al. 2020)
- Arte rupestre do Vale do Côa e de Siega Verde c. 24 mil a 10 mil anos atrás (UNESCO: 22.000–8.000 a.C.)
- Povoado mesolítico de Maroulas, na ilha de Kythnos (Cíclades): pescadores do mar Egeu e a gruta do Ciclope c. 8770–8640 a.C. (cal.), faixa calibrada de uma datação de carvão (9440±40 BP) do povoado, segundo Kaczanowska e Kozłowski (2018); Carter e outros (2016) falam em ocupação no início e em meados do 9º milênio a.C. cal., sem fim conhecido
- Caverna Franchthi: do Mesolítico final ao Neolítico Inicial (c. 6600–6450 a.C.) datas combinadas de 6650–6590 cal a.C. (transição) e 6600–6500 cal a.C. (base do estrato de argila cinza), até 6460–6400 cal a.C. (carvão, Neolítico Inicial), segundo a tabela de Reingruber (2015) sobre dados de Perlès e outros (2013); anos astronômicos por −(ano a.C.) + 1
- Como o Neolítico chegou à Grécia e ao Egeu (c. 6600–6400 a.C.): difusão, adaptação local, rotas marítimas e origens múltiplas c. 6600–6400 cal a.C., faixa das primeiras datas de vida curta do Neolítico no sul da Grécia, na Tessália e na costa egeia da Anatólia nas fontes lidas; anos astronômicos por −(ano a.C.) + 1
- Neolítico Antigo da Tessália: Argissa, Sesklo e Achilleion (a partir de c. 6450 a.C.) início do Neolítico Antigo na Tessália só depois de 6500 cal a.C. (limite inferior, 'terminus post quem'), com a data mais antiga de Sesklo em 6450 cal a.C. e a transição para o Neolítico Médio por volta de 6000 cal a.C. em Achilleion, segundo Reingruber e outros (2017); anos astronômicos por −(ano a.C.) + 1