Homo antecessor
c. 949 mil a 772 mil anos atrás (datação direta do dente ATD6-92, citada por Welker et al. 2020) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Espécie proposta em 1997 para fósseis humanos do nível TD6 da Gran Dolina, na serra de Atapuerca, Espanha, do fim do Pleistoceno Inferior. Tem rosto de feição moderna, e as proteínas do esmalte de um dente a põem como linhagem-irmã próxima do grupo que inclui humanos modernos, neandertais e denisovanos.
Os fósseis do nível TD6 da Gran Dolina
Desde 1994, o nível TD6 da Gran Dolina, na serra de Atapuerca, em Burgos, forneceu mais de 170 restos humanos, datados do fim do Pleistoceno Inferior (Welker et al. 2020). Entre eles há um crânio parcial de jovem, uma hemimandíbula de adulto jovem e dentes, anteriores à inversão magnética Brunhes-Matuyama, de 780 mil anos (Wagner et al. 2010). Ao propor a espécie, Bermúdez de Castro et al. (1997) destacaram uma combinação única de traços do crânio, da mandíbula e dos dentes e um meio do rosto de forma plenamente moderna, cerca de 650 mil anos anterior a qualquer outro registro desse traço. Para eles, a forma do meio do rosto e da região abaixo do nariz nos humanos modernos pode ser a retenção de um padrão juvenil que ainda não existia no H. ergaster. (Welker et al. 2020; Wagner et al. 2010; Bermúdez de Castro et al. 1997)
O que dizem as proteínas do esmalte
Como o DNA antigo se degrada em fósseis dessa idade, Welker et al. (2020) analisaram proteínas do esmalte de um molar de TD6, o ATD6-92, datado diretamente entre 949 mil e 772 mil anos por ressonância de spin eletrônico e série do urânio, e de um molar de H. erectus de Dmanisi, de 1,77 milhão de anos. O resultado põe o H. antecessor como linhagem-irmã próxima dos hominíneos que vieram depois, incluindo humanos modernos, neandertais e denisovanos. Para os autores, isso indica que o rosto de feição moderna tem raízes antigas no gênero Homo e que o crânio dos neandertais é que representa uma forma derivada. Sequências de peptídeos específicas da proteína AMELY mostraram que o dente era de um indivíduo do sexo masculino. A equipe reuniu a Universidade de Copenhague, institutos alemães, a Universidade Pompeu Fabra, na Espanha, e a Universidade de York. (Welker et al. 2020)
Os primeiros europeus e a dúvida sobre a espécie
Wagner et al. (2010) situam o TD6 num quadro mais amplo: um fragmento de mandíbula do nível TE9 da Sima del Elefante, também em Atapuerca, de 1,2 a 1,1 milhão de anos, era então o fóssil humano mais antigo da Europa. Os autores perguntam se há base para separar o conjunto de TD6 dos fósseis de Mauer, da Sima de los Huesos e de Arago, já que os fósseis do H. antecessor são poucos, vários são fragmentários ou de indivíduos jovens, e a hemimandíbula foi comparada às de H. erectus da China. Harvati e Reyes-Centeno (2022) lembram que o rosto de TD6, de cerca de 850 mil anos, obrigou a reexaminar se certos traços faciais são derivados ou ancestrais, e citam os fósseis de Tighenif, no norte da África, como possíveis membros do mesmo táxon, numa das hipóteses sobre o último ancestral comum de neandertais e humanos modernos. (Wagner et al. 2010; Harvati e Reyes-Centeno 2022)
Fontes
- Bermúdez de Castro, J. M.; Arsuaga, J. L.; Carbonell, E.; Rosas, A. et al. (1997). "A Hominid from the Lower Pleistocene of Atapuerca, Spain: Possible Ancestor to Neandertals and Modern Humans". Science 276: 1392–1395. DOI 10.1126/science.276.5317.1392. Acessar
- Welker, F.; Ramos-Madrigal, J.; Gutenbrunner, P.; Mackie, M. et al. (2020). "The dental proteome of Homo antecessor". Nature 580: 235–238. DOI 10.1038/s41586-020-2153-8. Acessar
- Wagner, G. A.; Krbetschek, M.; Degering, D.; Bahain, J.-J. et al. (2010). "Radiometric dating of the type-site for Homo heidelbergensis at Mauer, Germany". Proceedings of the National Academy of Sciences 107: 19726–19730. DOI 10.1073/pnas.1012722107. Acessar
- Harvati, K.; Reyes-Centeno, H. (2022). "Evolution of Homo in the Middle and Late Pleistocene". Journal of Human Evolution 173: 103279. DOI 10.1016/j.jhevol.2022.103279. Acessar
Na mesma região
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- Rev5, mulher do Neolítico inicial de Revenia (norte da Grécia), de c. 6350 a.C., com genoma sequenciado 6438–6264 cal a.C. (intervalo de 95,4%), c. 6437–6263 em ano astronômico (−(ano a.C.) + 1), data da amostra calibrada por Hofmanová et al. (2016); o ano −6350 é o meio do intervalo, usado só como marca no tempo