Povoado mesolítico de Maroulas, na ilha de Kythnos (Cíclades): pescadores do mar Egeu e a gruta do Ciclope
c. 8770–8640 a.C. (cal.), faixa calibrada de uma datação de carvão (9440±40 BP) do povoado, segundo Kaczanowska e Kozłowski (2018); Carter e outros (2016) falam em ocupação no início e em meados do 9º milênio a.C. cal., sem fim conhecido · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em Maroulas, na costa da ilha de Kythnos, no Egeu, um grupo de caçadores-coletores-pescadores deixou, por volta de 8770–8640 a.C. (anos calibrados, uma única datação de carvão), o que Kaczanowska e Kozłowski chamam de protoassentamento: mais de trinta construções redondas de pedra, enterramentos sob os pisos e uma alimentação de peixe marinho, caramujos e plantas. Com a gruta do Ciclope, na ilha de Gioura, é um dos dois únicos sítios do Egeu insular com datações absolutas do início do Holoceno, segundo Carter e outros. A discussão aberta é se esses sítios mostram moradores permanentes das ilhas ou visitas repetidas de gente do continente.
O que o sítio mostra: casas, mortos e comida
Segundo Kaczanowska e Kozłowski, Maroulas se distingue pela exploração de recursos marinhos: peixes migradores de porte médio, como atum e cavala, e peixes de beira de costa, como enguia, sargo e escorpena. Somam-se a coleta de caramujos (sobretudo Helix) e, pelos equipamentos de moagem, o uso de alimentos vegetais. Ossos de aves que migram em estações diferentes indicam ocupação o ano todo. Os mais de trinta recintos redondos de pedra apontam uma ocupação estável em mais de uma fase. Sob os pisos e entre as casas havia enterramentos de esqueletos contraídos, e em algumas casas apareceram ossos humanos soltos. Os autores descrevem tudo isso como protoassentamento, termo deles. (Kaczanowska e Kozłowski 2018)
Pedra lascada e contatos pelo mar
Segundo Kaczanowska e Kozłowski, a indústria de pedra lascada de Maroulas e de outros sítios das ilhas usava matéria-prima local, sobretudo quartzo, para fazer lascas-ferramenta. Em todos os sítios mesolíticos das ilhas do Egeu aparece também obsidiana de Melos e de Giali, o que, dizem, documenta contatos marítimos sistemáticos pelo Egeu. A obsidiana serviu a peças como pontas e inserções geométricas. Carter e outros somam que o chert (sílex) pesa muito entre os instrumentos desses sítios do sul do Egeu: 83% na gruta do Ciclope, 98% em Livari, 52% em Kerame 1 e 11% em Maroulas, em geral tido como local, embora raras vezes comprovado. (Kaczanowska e Kozłowski 2018; Carter)
A gruta do Ciclope, em Gioura, e outras ilhas
Kaczanowska e Kozłowski juntam a Maroulas a gruta do Ciclope, na ilha de Gioura (Esporadas do Norte). Nela a pesca teve papel central, com anzóis de osso e muitos ossos de peixe da família Sparidae, e apareceram ossos de cabra numa fase inicial de domesticação. Os dois autores listam sítios mesolíticos também em Ikaria, Naxos (Stélida), Roos e Chalki. Carter e outros dizem que a gruta do Ciclope foi ocupada no início e em meados do 9º milênio a.C. cal., como Maroulas, e reocupada na segunda metade do 8º milênio. Sampson, citado por eles, via a ocupação da gruta como regular, por pelo menos boa parte do ano; Kerame 1, em Ikaria, seria soma de estadias repetidas. (Kaczanowska e Kozłowski 2018; Carter)
Colonização das ilhas: o modelo em revisão
Carter e outros lembram que o modelo dominante via a colonização do Mediterrâneo insular como obra neolítica, com Creta primeiro, por volta de 7000 a.C. cal., e as Cíclades só no Neolítico Final, por volta de 5000 a.C. cal. O conjunto crescente de sítios do início do Holoceno nas Cíclades, em Creta, no Dodecaneso e nas Esporadas, dizem, pede revisão desse quadro. Eles apontam a falta de evidência de assentamentos nas Cíclades entre 8500 e 7000 a.C. cal. e não afirmam que as ilhas ficaram habitadas nesse intervalo. Para Kaczanowska e Kozłowski, o Mesolítico dos Bálcãs do sul foi disperso e muito diverso, em contraste com a densidade e a homogeneidade do Neolítico Antigo. (Carter; Kaczanowska e Kozłowski 2018)
Fontes
- Kaczanowska, Małgorzata; Kozłowski, Janusz K. "Before the Neolithization: causes of Mesolithic diversity in the Southern Balkans". Acta Archaeologica Academiae Scientiarum Hungaricae 69 (2018), p. 253–270. DOI 10.1556/072.2018.69.2.2. Autores na Universidade Jaguelônica, Cracóvia, segundo o cabeçalho. Lido em PDF (acesso em 30/10/2026). Acessar
- Carter, Tristan; Contreras, Daniel A.; Doyle, Sean; Mihailovic, Danica D.; Skarpelis, Nikolaos. "Early Holocene Interaction in the Aegean Islands: Mesolithic Chert Exploitation at Stélida (Naxos, Greece) in Context". In: Géoarchéologie des îles de Méditerranée. CNRS Éditions, 2016, p. 275–286. Depósito HAL hal-01473816, https://hal.science/hal-01473816v1 (lido em PDF, acesso em 30/10/2026). Acessar
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