Evento climático de 8,2 ka e suas leituras na Europa (c. 6300–6140 a.C.)
8250–8090 cal AP no testemunho de gelo NGRIP, segundo García-Escárzaga e outros (2022), isto é, c. 6300–6140 a.C.; anos astronômicos por 1950 − cal AP · Europa Ocidental e do Norte, Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
O evento de 8,2 ka foi uma queda abrupta de temperatura no início do Holoceno, datada no testemunho de gelo NGRIP entre 8250 e 8090 cal AP. García-Escárzaga e colegas (2022) mostram, na caverna de El Mazo, no norte da Espanha, temperaturas de verão do mar mais baixas e mudança nas espécies de moluscos coletadas. Bondevik e colegas (2024) argumentam que parte do sinal de resfriamento nos sedimentos do Mar da Noruega pode ser contaminação pelo tsunami de Storegga.
El Mazo: o mar mais frio
Segundo García-Escárzaga e colegas, a sequência de conchas da caverna de El Mazo (Astúrias) foi formada entre 9,0 e 7,4 ka cal AP, e o modelo bayesiano isolou unidades formadas durante o evento de 8,2 ka (105, de 8315 a 8185 cal AP, e 112C, de 8180 a 8070 cal AP). Nessas unidades a temperatura mínima do mar caiu em relação aos três séculos anteriores, e as temperaturas de verão, de 22,3 a 22,6 °C, foram as mais baixas da sequência, uma redução de 2,3 °C. Os autores observam que a queda no norte da Ibéria provavelmente começou antes da registrada no gelo da Groenlândia. (García-Escárzaga et al. 2022)
Moluscos e pressão humana sobre a costa
Segundo o mesmo estudo, espécies de moluscos adaptadas ao calor diminuíram e as adaptadas ao frio aumentaram a partir de cerca de 8255 cal AP, embora a tendência possa ter começado em torno de 8355 cal AP. O tamanho das conchas diminuiu a partir de cerca de 8300 cal AP, com mínimos entre 8100 e 8070 cal AP, e voltou a valores anteriores ao evento entre cerca de 7935 e 7870 cal AP. Para os autores, como o efeito de reservatório marinho não mudou de modo significativo, a redução de tamanho se deve sobretudo à pressão humana crescente, com a coleta de áreas mais baixas e expostas às ondas. (García-Escárzaga et al. 2022)
Quando o frio do Atlântico norte é um sinal do tsunami
Bondevik e colegas lembram que os sedimentos do Mar da Noruega e do Mar do Norte usados para reconstruir o evento podem ter sido remobilizados pelo tsunami de Storegga, datado nas décadas mais frias do evento. A simulação deles dá velocidades máximas de 2 a 5 m/s na plataforma a oeste da Noruega e de cerca de 1 m/s até 1000 m de profundidade, suficientes para mover grãos. No testemunho MD95-2011, no platô de Vøring, a camada de 8,2 ka seria um turbidito liberado pelo refluxo do tsunami; os isótopos de oxigênio dos foraminíferos reciclados podem ter inflado o resfriamento. (Bondevik et al. 2024)
Fontes
- García-Escárzaga, Asier; Gutiérrez-Zugasti, Igor; Marín-Arroyo, Ana B.; Fernandes, Ricardo; Núñez de la Fuente, Sara; Cuenca-Solana, David; Iriarte, Eneko; Simões, Carlos; Martín-Chivelet, Javier; González-Morales, Manuel R.; Roberts, Patrick (2022). "Human forager response to abrupt climate change at 8.2 ka on the Atlantic coast of Europe". Scientific Reports, 2022. DOI 10.1038/s41598-022-10135-w. Texto bruto lido em https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9021199/ (Europe PMC, XML)., baixado com curl e extraído com texto.py, em 30/10/2026. Acessar
- Bondevik, Stein; Risebrobakken, Bjørg; Gibbons, Steven J.; Rasmussen, Tine L.; Løvholt, Finn (2024). "Contamination of 8.2 ka cold climate records by the Storegga tsunami in the Nordic Seas". Nature Communications, 2024. DOI 10.1038/s41467-024-47347-9. Texto bruto lido em https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10995125/ (Europe PMC, XML de texto completo)., baixado com curl e extraído com texto.py, em 30/10/2026. Acessar
- Borić, Dušan, et al. (2018). "High-Resolution AMS Dating of Architecture, Boulder Artworks and the Transition to Farming at Lepenski Vir". Scientific Reports, 2018. DOI 10.1038/s41598-018-31884-7. Texto bruto lido em https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6155048/ (Europe PMC, XML; lista completa de autores não conferida)., baixado com curl e extraído com texto.py, em 30/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Deslizamento submarino e tsunami de Storegga (c. 6190 a.C.) c. 8140 ± 55 cal AP (8080–8180 cal AP), em datação de musgo verde morto pelo tsunami, segundo Bondevik e outros (2024); 8100 ± 100 cal AP (95%) em Weninger e outros (2008), isto é, c. 6150 a.C.; anos astronômicos por 1950 − cal AP
- Fim de Doggerland: submersão final por tsunami súbito ou por elevação lenta do mar (debate, c. 6150–6050 a.C.) c. 8100 cal AP (6150 a.C.), data do tsunami de Storegga segundo Weninger e outros (2008), até c. 8000 cal AP (6050 a.C.), data da submersão final segundo Behre (2003) citado por eles; anos astronômicos por 1950 − cal AP
- Homem de Loschbour, caçador-coletor mesolítico do abrigo de Loschbour (Heffingen, Luxemburgo), de c. 6100 a.C. 6220–5990 cal a.C. (intervalo calibrado citado por Lazaridis et al. 2014), c. 6219–5989 em ano astronômico (−(ano a.C.) + 1); o ano −6104 é o meio do intervalo, usado só como marca no tempo. O intervalo termina um pouco depois de 6000 a.C.
- Indivíduo SF12 de Stora Förvar (Stora Karlsö, Suécia): restos de c. 7083–6807 a.C., com genoma de 57,8× de cobertura Restos datados diretamente em 9033–8757 cal. AP (2 sigma, corrigido pelo efeito de reservatório marinho), isto é, 7083–6807 a.C. (ano astronômico −7083 a −6807), segundo Günther et al. (2018). O registro vai do início ao fim dessa faixa; a data de nascimento é desconhecida
- Os primeiros povoadores de Gotland (Suécia): chegada por mar a uma ilha do Báltico, c. 7250 a.C., e a caverna de Stora Förvar c. 9200–7600 cal AP para a fase dos povoadores pioneiros, segundo Apel e Storå (2020); anos astronômicos por 1950 − cal AP, isto é, c. 7250–5650 a.C.
- Laticínios dos primeiros agricultores da Europa Central: resíduos de leite em cerâmica da cultura da Cerâmica Linear, datados diretamente (início por volta de 5400–5250 a.C.) Início da produção de laticínios entre 5445 e 5230 cal a.C. (95% de probabilidade; ano astronômico −5444 a −5229), provavelmente em 5380–5275 cal a.C. (68%), segundo o modelo de Casanova et al. (2022); o ano −5340 é o meio do intervalo de 95%, usado só como marca no tempo