Laticínios dos primeiros agricultores da Europa Central: resíduos de leite em cerâmica da cultura da Cerâmica Linear, datados diretamente (início por volta de 5400–5250 a.C.)
Início da produção de laticínios entre 5445 e 5230 cal a.C. (95% de probabilidade; ano astronômico −5444 a −5229), provavelmente em 5380–5275 cal a.C. (68%), segundo o modelo de Casanova et al. (2022); o ano −5340 é o meio do intervalo de 95%, usado só como marca no tempo · Europa Ocidental e do Norte, Europa Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 2022, Casanova, Evershed e colegas publicaram 27 datas de radiocarbono feitas diretamente nos ácidos graxos preservados em cacos de cerâmica da cultura da Cerâmica Linear (LBK) de 14 sítios da Europa Central, 16 delas em resíduos identificados como gordura de leite. Pelo modelo dos autores, a produção de laticínios começou entre 5445 e 5230 a.C., no 54º século a.C., tanto no leste (Polônia) quanto no oeste (França, Países Baixos, Alemanha). Eles concluem que o leite chegou com os primeiros colonos dessas áreas e não foi adotado aos poucos, embora o uso fosse desigual entre os sítios.
O método de datação
Segundo Casanova e colegas (2022), o método isola os ácidos graxos C16:0 e C18:0, que vêm da gordura animal degradada e ficam absorvidos na parede do vaso, e os data por radiocarbono. Os valores de δ13C desses ácidos distinguem a gordura do leite (Δ13C de −3,1‰ ou menos) da gordura da carcaça, e a datação direta do resíduo evita as incertezas de datar carvão ou ossos do mesmo contexto, que podem ter chegado ali depois ou ser mais antigos. O estudo parte de 4.327 vasos de 70 assentamentos já analisados, dos quais 353, de 46 sítios, tinham gordura de leite. (Casanova et al. 2022)
Amostras e resultados
Os autores selecionaram 43 vasos de 14 sítios (Hungria, Polônia, França, Países Baixos e Alemanha): 31 com resíduos de laticínios, 9 de gordura de ruminante e 4 de não ruminante. Deles, 27 deram datas consistentes entre os dois ácidos (16 em laticínios e 11 em gordura de carcaça); 5 falharam no controle de qualidade e 11 não tinham carbono suficiente. As idades convencionais vão de cerca de 6450 a 6000 BP. Segundo o modelo principal, a produção de laticínios começou em 5445–5230 cal a.C., provavelmente em 5380–5275. (Casanova et al. 2022)
Leste e oeste da cultura
Em separado, os autores estimam que os laticínios chegaram à área oeste, a oeste do Reno (França, Países Baixos, Alemanha), em 5420–5225 cal a.C. (95%), um pouco depois da data do início da cultura nessa região em Jakucs e colegas, o que atribuem à diferença das áreas consideradas. No sudeste, só o sítio húngaro de Apc-Bereklja 1 forneceu material, com data compatível com o início local da cultura. No leste, na Polônia, só três datas entram no modelo, e a estimativa é imprecisa. A cronologia da Polônia, dizem, ainda é discutida, sobretudo a fase mais antiga. (Casanova et al. 2022)
Rotas possíveis do leite
Casanova e colegas (2022) dizem que a região sudeste, de onde a cultura emergiu, pode ter sido influenciada pela economia leiteira dos Bálcãs, que remonta ao sexto milênio a.C. No oeste, a presença de cerâmica de La Hoguette e de Limburg, com decorações de feição mediterrânea parecida com a cerâmica Impressa e Cardial, pode ter ajudado a difundir o leite pelo eixo Ródano–Reno, hipótese que citam de outros autores. Na Alsácia, o sinal de leite é intenso em Ensisheim, desde a fase antiga, mas na Baixa Alsácia só aparece na fase final, em Bischoffsheim. (Casanova et al. 2022)
Fontes
- Casanova, Emmanuelle; Knowles, Timothy D. J.; Bayliss, Alex; Roffet-Salque, Mélanie; Heyd, Volker; Pyzel, Joanna; Claßen, Erich; Domboróczki, László; Ilett, Michael; Lefranc, Philippe; Jeunesse, Christian; Marciniak, Arkadiusz; van Wijk, Ivo; Evershed, Richard P. (2022). "Dating the emergence of dairying by the first farmers of Central Europe using 14C analysis of fatty acids preserved in pottery vessels". Proceedings of the National Academy of Sciences 119(43): e2109325118. DOI 10.1073/pnas.2109325118. Texto obtido via https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC9618069/fullTextXML em 30/10/2026. Acessar
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