Atlas da História

Homem de Loschbour, caçador-coletor mesolítico do abrigo de Loschbour (Heffingen, Luxemburgo), de c. 6100 a.C.

6220–5990 cal a.C. (intervalo calibrado citado por Lazaridis et al. 2014), c. 6219–5989 em ano astronômico (−(ano a.C.) + 1); o ano −6104 é o meio do intervalo, usado só como marca no tempo. O intervalo termina um pouco depois de 6000 a.C. · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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O homem de Loschbour é um esqueleto masculino escavado em 1935 no abrigo rochoso de Loschbour, em Heffingen (Luxemburgo), datado por radiocarbono em 6220–5990 a.C. calibrados. Seu genoma, sequenciado com cobertura de 22 vezes por Lazaridis e colegas e publicado em 2014, passou a servir de representante dos "caçadores-coletores da Europa Ocidental" (WHG) nas análises da ancestralidade europeia. Segundo os autores, ele tinha cabelo escuro e provavelmente olhos azuis ou de cor intermediária, e não tinha o alelo de pele clara do gene SLC24A5, hoje quase generalizado entre os europeus.

O esqueleto, o dente e a datação

Segundo Lazaridis e colegas (2014), o esqueleto de Loschbour foi escavado em 1935 no abrigo rochoso de Loschbour, em Heffingen, e estava em meio a artefatos de caçadores-coletores. A datação por AMS, publicada antes por outros autores, o situa em 6220–5990 a.C. calibrados. O DNA foi extraído do dente 16 (um primeiro molar superior direito) no laboratório de paleogenética de Mainz e na Universidade de Tübingen, em três extrações, e sequenciado até uma cobertura de 22 vezes. Os autores estimaram a contaminação em 0,4% tanto no DNA nuclear quanto no mitocondrial e viram mais de 20% de substituições típicas de DNA antigo nas pontas das moléculas. (Lazaridis et al. 2014)

Um genoma de baixa diversidade

Loschbour pertencia a um haplogrupo mitocondrial do tipo U5 ou U2, comum entre caçadores-coletores, e ao haplogrupo Y I, que os autores veem como provavelmente frequente nos europeus anteriores à agricultura. Sua heterozigosidade (0,00048) é menor do que a de qualquer população humana atual; os autores a atribuem a um forte gargalo populacional entre seus ancestrais, pois os dados mostram que ele não era filho de parentes próximos. Ele tinha cerca de 2% de ancestralidade neandertal, como as demais pessoas antigas e atuais comparadas, e 13 cópias do gene da amilase salivar AMY1, contra 16 do agricultor de Stuttgart. (Lazaridis et al. 2014)

Pele, cabelo e olhos

Pelas previsões dos autores, Loschbour tinha cabelo escuro (probabilidade acima de 99%) e olhos azuis ou de cor intermediária (acima de 75%), como La Braña e Motala12. Nem ele nem La Braña carregavam o alelo de clareamento da pele do gene SLC24A5, que no agricultor de Stuttgart é homozigoto e hoje está quase fixado entre os europeus. Já Motala12, da Suécia, carregava ao menos uma cópia do alelo derivado, o que mostra, nas palavras dos autores, que ele já existia na Europa antes da agricultura. (Lazaridis et al. 2014)

Representante do WHG

Nas análises de componentes principais, Loschbour e La Braña formam o agrupamento dos "caçadores-coletores da Europa Ocidental" (WHG), que fica mais longe do Oriente Próximo do que os europeus atuais. Para estimar misturas, os autores assumem que Loschbour é um descendente sem mistura do WHG, que Stuttgart representa os primeiros agricultores europeus e que Mal'ta representa os antigos norte-eurasianos. Com esse modelo, estimam que os europeus do norte podem ter até 50% de ancestralidade WHG além da recebida pelos antepassados agricultores. Eles notam ainda que a ancestralidade dos antigos norte-eurasianos, presente nos europeus de hoje, não aparece em Loschbour, mas aparece nos caçadores-coletores suecos de Motala, estimada em 19%. (Lazaridis et al. 2014)

Fontes

  1. Lazaridis, Iosif; Patterson, Nick; Mittnik, Alissa; Renaud, Gabriel; et al. (2014). "Ancient human genomes suggest three ancestral populations for present-day Europeans". Nature 513(7518): 409–413. DOI 10.1038/nature13673 (resolve em doi.org). Texto baixado de https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4170574/ em 30/10/2026; volume e páginas conforme o cabeçalho do manuscrito, não conferidos na versão impressa. Acessar

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