Atlas da História

Extinção do fim do Permiano: a seção de Meishan, na China

c. 251,94 milhões de anos atrás (início da extinção; datações de zircão resumidas em Burgess et al. 2017) · Leste Asiático

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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A maior extinção em massa conhecida acabou com mais de 90% das espécies marinhas e cerca de 75% das terrestres, num intervalo de no máximo uns 60 mil anos. A seção de Meishan, em Zhejiang, na China, é a referência mundial do limite entre o Permiano e o Triássico.

Meishan, o ponto de referência do limite

Em março de 2001 a União Internacional de Ciências Geológicas ratificou o limite entre o Permiano e o Triássico na base da camada 27c da seção D de Meishan, no condado de Changxing, província de Zhejiang, sul da China. O marcador é o primeiro aparecimento do conodonte Hindeodus parvus, um animal marinho minúsculo conhecido por peças dentiformes fósseis. Até 1984 usava-se o amonoide Otoceras; em 1986 o grupo chinês de Yin e colegas propôs trocar o marcador, e a candidatura de Meishan passou nas votações de 1999 e 2000. A ICS dá ao limite a idade de 251,902 ± 0,024 milhões de anos. (Yin et al. 2001; International Commission on Stratigraphy 2026)

Como se mede um colapso tão rápido

A datação usa cristais de zircão (um mineral que guarda urânio e chumbo), cuja razão isotópica dá a idade; em Meishan há camadas de cinza vulcânica datadas desse modo, como as camadas 33 e 34, citadas por Burgess e Bowring (2015). Burgess e colegas situam o início da extinção em 251,941 ± 0,037 milhões de anos, e Burgess e Bowring (2015) estimam que ela durou no máximo 61 mil anos, com margem de 48 mil. Logo antes dela há uma queda abrupta e curta (de 2 a 18 mil anos) do carbono-13 nos carbonatos, sinal da entrada rápida de carbono isotopicamente leve no sistema marinho; a temperatura da superfície do mar subiu cerca de 10 °C, segundo trabalhos citados por Burgess et al. 2017. (Burgess e Bowring 2015; Burgess et al. 2017)

Quem morreu e o que se debate sobre a causa

Burgess e Bowring (2015) citam a perda de mais de 90% das espécies marinhas e de cerca de 75% das terrestres; Burgess et al. 2017 lembram que o padrão seletivo das perdas marinhas tem um viés fisiológico, isto é, ligado ao modo como os organismos reagem ao ambiente. As Trapas Siberianas coincidem no tempo com a crise, mas duraram muito mais que ela: cerca de dois terços das lavas saíram nos 300 mil anos anteriores à extinção sem grande efeito sobre a vida. Para Burgess e colegas, o gatilho foi o início da intrusão de sills na bacia de Tunguska. A explicação não é consenso: a ligação exata entre magmatismo e extinção segue em estudo. (Burgess e Bowring 2015; Burgess et al. 2017)

O mundo de Meishan na virada do período

Na época da extinção, o bloco de crosta onde fica Meishan era um fragmento afastado por rifte (abertura de crosta) no nordeste de um arquipélago do oceano Tétis, a cerca de 20° de latitude norte. Os autores descrevem ali uma plataforma de carbonatos que passava a águas mais profundas, com uma depressão onde Meishan se situava, entre uma elevação e a plataforma. Os estratos combinam calcários e folhelhos, e o nível do mar oscilou em três sequências entre o final do Changhsingiano e o início do Triássico. O atlas mostra o ponto na posição reconstruída desse bloco. (Yin et al. 2001)

Fontes

  1. Yin, H.; Zhang, K.; Tong, J.; Yang, Z.; Wu, S. (2001). "The Global Stratotype Section and Point (GSSP) of the Permian-Triassic Boundary". Episodes 24: 102–114.
  2. Burgess, S. D.; Bowring, S. A. (2015). "High-precision geochronology confirms voluminous magmatism before, during, and after Earth's most severe extinction". Science Advances 1(7): e1500470. DOI 10.1126/sciadv.1500470. Acessar
  3. Burgess, S. D.; Muirhead, J. D.; Bowring, S. A. (2017). "Initial pulse of Siberian Traps sills as the trigger of the end-Permian mass extinction". Nature Communications 8: 164. DOI 10.1038/s41467-017-00083-9. Acessar
  4. International Commission on Stratigraphy (2026). Global Boundary Stratotype Section and Points (GSSP), tabela. https://stratigraphy.org/gssps/ (consultada em 07/10/2026). Acessar

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