Colisão da Índia com a Ásia e a data em debate
início entre c. 60 e c. 50 milhões de anos atrás, conforme a fonte (há quem proponha 34) · Leste Asiático, Sul da Ásia
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
A placa indiana, que se deslocou para o norte depois de se separar da Gondwana, colidiu com a Ásia e ergueu o Himalaia e o planalto tibetano. A data do início do choque é muito debatida: as leituras mais citadas vão de 60 a 50 milhões de anos atrás.
Por que não há consenso
Wu e colegas lembram que a colisão entre a Índia e a Ásia foi o maior choque continental dos últimos 500 milhões de anos e que a elevação do planalto tibetano mudou rios, oceanos, clima e a história de extinções. Mesmo assim, os métodos usados dão idades de 70 a 34 milhões de anos: paleomagnetismo, distribuição de fósseis, fim da sedimentação marinha, discordâncias na zona de sutura, metamorfismo de eclogitos e fim do magmatismo de arco. Meng e colegas atribuem a faixa de 20 a 70 milhões sobretudo a paleolatitudes incoerentes para a margem sul da Ásia. (Wu et al. 2014; Meng et al. 2012)
Os zircões das bacias de Sangdanlin e Gyangze
A equipe do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, com colegas de Taiwan e dos EUA, datou por urânio-chumbo e analisou háfnio em zircões detríticos de rochas das bacias de Sangdanlin (oeste) e Gyangze (centro), no sul do Tibete. Os grãos mostram que sedimentos de origem asiática começaram a chegar à margem indiana há cerca de 60 milhões de anos. Não acharam sinal de um arco de ilhas no meio do oceano Neotétis. Concluem que 60 milhões de anos é o início da colisão ao menos no centro do Tibete, com fechamento final do oceano a oeste e a leste depois disso. (Wu et al. 2014)
A bússola das rochas: o argumento paleomagnético
Jun Meng e colegas, da China University of Geosciences, em Pequim, e da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, mediram o magnetismo de rochas da bacia de antearco de Xigaze, no sul do Tibete, e acharam que ela estava a 24,2 ± 5,9°N entre 54 e 57 milhões de anos atrás. Isso fixa a posição da margem sul da Ásia e leva à colisão inicial há cerca de 50 milhões de anos e 24°N. Para eles, o Tibete resistiu ao empurrão indiano nos primeiros 16 milhões de anos e depois de 34 milhões a Grande Índia foi consumida e o cráton indiano tocou a Ásia. (Meng et al. 2012)
Fontes
- Wu, F.-Y.; Ji, W.-Q.; Wang, J.-G.; Liu, C.-Z. et al. (2014). "Zircon U-Pb and Hf isotopic constraints on the onset time of India-Asia collision". American Journal of Science 314(2): 548–579. DOI 10.2475/02.2014.04. Acessar
- Meng, J.; Wang, C.; Zhao, X.; Coe, R. et al. (2012). "India-Asia collision was at 24°N and 50 Ma: palaeomagnetic proof from southernmost Asia". Scientific Reports 2: 925. DOI 10.1038/srep00925. Acessar
Na mesma região
- Zhoukoudian: o "Homem de Pequim" e o debate sobre o fogo c. 0,77 a 0,3 milhão de anos atrás (camadas inferiores: Shen et al. 2009; conjunto: Fu et al. 2026)
- Caverna de Xianrendong c. 20 mil a 19 mil anos atrás (Wu et al. 2012)
- Amido de painço em pedras de moer e em cerâmica de Nanzhuangtou e Donghulin (planície do norte da China): processamento de cereais, c. 11.500–9.500 cal AP 11,5–11,0 mil anos cal. AP em Nanzhuangtou e 11,0–9,5 mil anos cal. AP em Donghulin (c. 9550 a 7500 a.C.)
- Cultura de Cishan c. 10.300 a 7500 anos cal. AP, isto é, c. 8350 a 5550 a.C.; em ano astronômico, −8350 a −5550 (início em debate)
- Donghulin M2 (Mentougou, Pequim): esqueleto flexionado de c. 7250 a.C., com genoma de cobertura de 2,2× e a variante EGLN1 de adaptação à altitude c. 9200 anos AP ("∼9200 yr B.P.", Yang et al. 2026), isto é, c. 7250 a.C. (ano astronômico −7250). O texto lido dá a data arredondada, sem a faixa calibrada; a conversão é 1950 − 9200
- Secagem de corpos sobre o fogo antes do enterro, em Huiyaotian (Nanning, Guangxi): concheiro de caçadores-coletores com 169 sepultamentos, c. 7080 a.C. Datação direta de um dente de Huiyaotian (Beta-429237) em 9030–8975 cal. AP, segundo Hung et al. (2025), isto é, 7080–7025 a.C. (ano astronômico −7080 a −7025). É a única data direta do cemitério no texto lido; o registro vai do início ao fim dessa faixa, e a duração real do cemitério é desconhecida. A prática é atestada em outros sítios, mais antigos, citados no artigo