Zhoukoudian: o "Homem de Pequim" e o debate sobre o fogo
c. 0,77 a 0,3 milhão de anos atrás (camadas inferiores: Shen et al. 2009; conjunto: Fu et al. 2026) · Leste Asiático
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Complexo de cavernas a cerca de 42 km de Pequim, com os fósseis de Homo erectus conhecidos como "Homem de Pequim", escavados desde 1927. Datações recentes colocam as camadas mais antigas em cerca de 0,77 milhão de anos, e o uso controlado do fogo no local segue em debate.
Quando viveu o Homem de Pequim
Por muito tempo a idade dos Homo erectus de Zhoukoudian foi incerta por falta de métodos de datação adequados. Shen e colegas aplicaram em 2009 a datação por enterramento com alumínio-26 e berílio-10 em quartzo e artefatos das camadas inferiores do local 1 e obtiveram, para as camadas culturais 7 a 10, a média de 0,77 ± 0,08 milhão de anos. Com outras datações e a estratigrafia do loess, os autores correlacionam essas camadas a 0,68 a 0,78 milhão de anos, mais antigas do que se supunha, e sugerem presença humana num período glacial relativamente ameno. (Shen et al. 2009)
Um sítio de referência para a espécie
Os fósseis de Zhoukoudian datam de cerca de 0,78 a 0,3 milhão de anos, no Pleistoceno Médio do norte da China, e servem com frequência de referência para a morfologia do Homo erectus asiático. Os fósseis humanos escavados entre 1927 e 1937 foram perdidos, mas outros foram achados entre 1949 e 1951 e em 1966. O dente PA69, das camadas 8 e 9 (cerca de 0,42 milhão de anos segundo Fu et al.; Shen et al. 2009 dão c. 0,77 milhão de anos às camadas 7 a 10), foi usado em 2026 por uma equipe do IVPP em Pequim, que extraiu proteínas de esmalte de seis espécimes de H. erectus de três sítios chineses. (Fu et al. 2026)
Proteínas antigas e a posição do Homo erectus
Fu e colegas analisaram o esmalte de seis dentes de Zhoukoudian, Hexian e Sunjiadong, todos de cerca de 0,4 milhão de anos, e afirmam que formam um grupo genético próprio. Também propõem que a introgressão de um grupo muito arcaico nos denisovanos teria vindo do H. erectus. É uma interpretação dos autores sobre dados proteicos de poucos indivíduos, e outros especialistas podem ler a evidência de outro modo. A Unesco inscreveu o sítio em 1987 e registra, além do material do Pleistoceno Médio, restos de Homo sapiens muito mais recentes. (Fu et al. 2026; UNESCO, lista nº 449)
O fogo em Zhoukoudian: duas leituras
Segundo Weiner e colegas, Zhoukoudian era amplamente tido como o local de evidência confiável mais antiga de controle do fogo. Eles reexaminaram a camada 10, o horizonte arqueológico mais baixo, e acharam ossos queimados e não queimados com ferramentas de pedra, sem cinzas nem carvão, o que indica queima apenas de forma indireta. Huang e colegas analisaram por difração de raios X 23 ossos de escavações novas nas camadas 4 e 5 e concluíram que ao menos 15 foram aquecidos acima de 600 °C, o que veem como forte evidência na camada 4. As camadas examinadas são diferentes, e o tema segue em aberto. (Weiner et al. 1998; Huang et al. 2022)
Fontes
- Shen, G.; Gao, X.; Gao, B.; Granger, D. E. (2009). "Age of Zhoukoudian Homo erectus determined with 26Al/10Be burial dating". Nature 458: 198–200. DOI 10.1038/nature07741. Acessar
- Weiner, S.; Xu, Q.; Goldberg, P.; Liu, J.; Bar-Yosef, O. (1998). "Evidence for the Use of Fire at Zhoukoudian, China". Science 281: 251–253. DOI 10.1126/science.281.5374.251. Acessar
- Huang, C.; Li, J.; Gao, X. (2022). "Evidence of Fire Use by Homo erectus pekinensis: An XRD Study of Archaeological Bones From Zhoukoudian Locality 1, China". Frontiers in Earth Science 9. DOI 10.3389/feart.2021.811319. Acessar
- Fu, Q.; Wu, Z.; Bennett, E. A.; Xing, S. et al. (2026). "Enamel proteins from six Homo erectus specimens across China". Nature 655: 141–147. DOI 10.1038/s41586-026-10478-8. Acessar
- UNESCO World Heritage Centre, "Peking Man Site at Zhoukoudian", lista nº 449. https://whc.unesco.org/en/list/449/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
Na mesma região
- Caverna de Xianrendong c. 20 mil a 19 mil anos atrás (Wu et al. 2012)
- Amido de painço em pedras de moer e em cerâmica de Nanzhuangtou e Donghulin (planície do norte da China): processamento de cereais, c. 11.500–9.500 cal AP 11,5–11,0 mil anos cal. AP em Nanzhuangtou e 11,0–9,5 mil anos cal. AP em Donghulin (c. 9550 a 7500 a.C.)
- Cultura de Cishan c. 10.300 a 7500 anos cal. AP, isto é, c. 8350 a 5550 a.C.; em ano astronômico, −8350 a −5550 (início em debate)
- Donghulin M2 (Mentougou, Pequim): esqueleto flexionado de c. 7250 a.C., com genoma de cobertura de 2,2× e a variante EGLN1 de adaptação à altitude c. 9200 anos AP ("∼9200 yr B.P.", Yang et al. 2026), isto é, c. 7250 a.C. (ano astronômico −7250). O texto lido dá a data arredondada, sem a faixa calibrada; a conversão é 1950 − 9200
- Secagem de corpos sobre o fogo antes do enterro, em Huiyaotian (Nanning, Guangxi): concheiro de caçadores-coletores com 169 sepultamentos, c. 7080 a.C. Datação direta de um dente de Huiyaotian (Beta-429237) em 9030–8975 cal. AP, segundo Hung et al. (2025), isto é, 7080–7025 a.C. (ano astronômico −7080 a −7025). É a única data direta do cemitério no texto lido; o registro vai do início ao fim dessa faixa, e a duração real do cemitério é desconhecida. A prática é atestada em outros sítios, mais antigos, citados no artigo
- Cultura de Peiligang c. 9000–7000 anos cal. AP (Zhang e outros 2012), isto é, c. 7050–5050 a.C.; em ano astronômico, −7050 a −5050