Atlas da História

Segunda migração para a Escandinávia, vinda do nordeste pela costa atlântica da Noruega (hipótese genética e das lâminas por pressão)

c. 10 200 cal AP (c. 8250 a.C. em ano astronômico, 1950 − 10 200): primeira aparição, no norte da Escandinávia, da técnica de lâminas por pressão, que Günther e outros ligam a essa migração; o momento da chegada em si não é datado pelas fontes · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Segundo o estudo genômico de Günther e outros (2018), o povoamento da Escandinávia depois da última glaciação teve duas levas: uma vinda do sul, ligada à tradição de Ahrensburg, e outra vinda do nordeste pela costa atlântica da Noruega, livre de gelo, que teria misturado com a primeira. A segunda leva é ligada à técnica de lâminas por pressão, vista no norte escandinavo por volta de 10 200 anos cal. AP (c. 8250 a.C.). É uma hipótese que combina genética e arqueologia; arqueólogos noruegueses, como Åstveit e Berg-Hansen, discutem em 2014 outras origens e rotas para o primeiro povoamento do sul da Noruega.

As duas rotas segundo a genética

Günther e outros sequenciaram genomas de sete caçadores-coletores da Escandinávia, datados de 9500 a 6000 anos cal. AP, do sudoeste e do norte da Noruega e das ilhas de Stora Karlsö e Gotland, no Báltico. Todos misturam ascendência dos caçadores-coletores ocidentais e orientais da Europa, mas o padrão é o oposto do visto em outras partes da Europa mesolítica: mais ascendência oriental no oeste da Escandinávia. Os autores concluem que houve duas migrações, a primeira do sul e a segunda do nordeste, ao longo da costa atlântica norueguesa livre de gelo, e que as duas se misturaram. Notam também que os indivíduos do oeste e do norte tinham dieta marinha extrema, o que seria compatível com migração pela costa apoiada em recursos locais. (Günther)

Por que não o Báltico: o argumento por exclusão

Segundo Günther e outros, se o grupo oriental tivesse atravessado o Báltico, o gradiente teria o máximo de ascendência oriental no leste da Escandinávia, justo o contrário do observado. O mesmo valeria para a rota pela costa finlandesa e descendo pela costa sueca, ou ao longo do sul do Báltico, que faria da Letônia o grupo com mais ascendência oriental, mas os letões têm a menor proporção (33,7% ± 4,7%). Acrescentam que os assentamentos datados a leste do Báltico são mais novos que os primeiros da Escandinávia. Por exclusão, restaria o nordeste pela costa norueguesa, que a técnica de lâminas por pressão talvez tenha facilitado. Os autores usam "podem ter" e "provavelmente"; a conclusão não é dada como prova. (Günther)

As lâminas por pressão como marca arqueológica

Segundo o artigo, a técnica de percussão direta de lâminas do fim do Glacial, em torno de 11 000 anos cal. AP, lembra a da Europa ocidental e foi usada para sugerir migração do sudoeste da Europa. A técnica de lâminas por pressão, que surge no norte da Escandinávia por volta de 10 200 anos cal. AP, indicaria contato com grupos do leste, talvez origem oriental dos primeiros povoadores. O artigo diz que a leva oriental veio depois da ocidental porque os achados mais antigos de lâminas por pressão são posteriores aos de percussão direta. A datação do evento, neste registro, é a dessa técnica, e não a de uma chegada de pessoas datada diretamente. (Günther)

O debate norueguês sobre origem: renas ou mar

Åstveit conta que, para Ingrid Fuglestvedt, os primeiros povoadores do litoral norueguês seguiram renas que se moviam para o norte, com laços sociais com o continente e longas viagens a partir dele. Para Hein Bjerck, o barco e os recursos marinhos foram a força decisiva e o ambiente marinho foi uma passagem sem volta, tanto que levou mais de 3000 anos desde que a costa oeste ficou livre de gelo até os primeiros sinais seguros de gente. Åstveit aceita o papel do barco e a vida costeira o ano todo, mas pensa que a diversidade de matéria-prima e de técnicas da pedra mostra dinâmica e oportunismo, e que há poucos dados confiáveis de radiocarbono para o Mesolítico antigo. Berg-Hansen acrescenta que a rota do Mar do Norte para o sudoeste deve ser descartada. (Åstveit 2014; Berg-Hansen 2014)

Fontes

  1. Günther, Torsten; Malmström, Helena; Svensson, Emma M.; Omrak, Ayça; Sánchez-Quinto, Federico; Kılınç, Gülşah M.; Krzewińska, Maja; Eriksson, Gunilla; Fraser, Magdalena; Edlund, Hanna; et al. "Population genomics of Mesolithic Scandinavia: Investigating early postglacial migration routes and high-latitude adaptation". PLOS Biology 16(1): e2003703, 9/01/2018. DOI 10.1371/journal.pbio.2003703. Autores em universidades de Uppsala, Estocolmo e Lund, segundo as filiações da página. Lido em HTML (acesso em 30/10/2026). Acessar
  2. Åstveit, Leif Inge. "Noen synspunkt på den tidligmesolittiske bosetningen i Sør-Norge" [Alguns pontos de vista sobre o povoamento do Mesolítico antigo no sul da Noruega]. Primitive tider 16 (2014), p. 87–104 (seção Debate). DOI 10.5617/pt.7233, que leva a journals.uio.no/PT/article/view/7233. Autor no Museu Universitário de Bergen. Lido em PDF (acesso em 30/10/2026). Acessar
  3. Berg-Hansen, Inger Marie. Comentário a Leif Inge Åstveit, "Noen synspunkt på den tidligmesolittiske bosetningen i Sør-Norge". Primitive tider 16 (2014), p. 105 e segs. Autora no Museu de História Cultural da Universidade de Oslo. PDF lido em https://journals.uio.no/PT/article/download/7238/6660 (acesso em 30/10/2026). Acessar

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