Hildegarda de Bingen, abadessa beneditina, visionária, compositora e autora de obras de medicina e história natural, 1098–1179
1098, em Bermersheim, perto de Alzey (Renânia-Hessen), a 17 set. 1179, no Rupertsberg, perto de Bingen (NDB) · Europa Ocidental e do Norte
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Segundo o NDB (Schipperges, 1972), Hildegarda nasceu em 1098 em Bermersheim, perto de Alzey, décima filha do nobre livre Hildeberto, e foi entregue a Deus e educada pela reclusa Jutta de Spanheim em Disibodenberg. Em 1136 foi eleita mestra da comunidade feminina e, entre 1147 e 1152, fundou o convento do Rupertsberg, perto de Bingen; em 1141 começou a escrever suas visões, o Scivias, e deixou também cartas, cantos e textos de história natural e medicina. Morreu no Rupertsberg em 17 de setembro de 1179.
Disibodenberg e a vida monástica
O NDB diz que Hildegarda, décima filha, foi consagrada a Deus e confiada à educação espiritual da reclusa Jutta de Spanheim. Em Disibodenberg, a reclusa lhe deu instrução elementar na Regra de Bento, na liturgia e em parte das artes liberais. Por volta de 1114 recebeu o véu das mãos do bispo Otto de Bamberg e, depois da morte de Jutta, foi eleita em 1136 mestra da comunidade feminina. Seus pais eram Hildeberto, nobre livre de Bermersheim, e Mechtild; entre os irmãos, o NDB cita Hugo, cantor da catedral de Mainz, Roricus, cônego, e a irmã Clementia, monja do Rupertsberg. (Schipperges 1972)
Visões, Scivias e exame de Roma
Em 1141, segundo o NDB, Hildegarda começou a escrever sua visão da criação e da redenção, o Scivias, com a ajuda do monge Volmar e da monja Richardis de Stade. Em 1147/48 o papa Eugênio III mandou uma comissão examinar o escrito em Disibodenberg para confirmar seu caráter visionário no sínodo de Trier. Visões, uma ampla correspondência e muitos cantos fundaram a fama de "profetisa teutônica". Os correspondentes incluem os papas Eugênio III, Anastácio IV, Adriano IV e Alexandre III, o abade Bernardo de Claraval, o rei Conrado III e Henrique II da Inglaterra, e ela critica de modo enérgico o clero e a política papal de Barbarossa. (Schipperges 1972)
O Rupertsberg e o convento de Eibingen
Entre 1147 e 1152 Hildegarda fundou o convento do Rupertsberg, famoso, diz o NDB, por sua concepção arquitetônica e higiênica generosa, destruído pelos suecos em 1632. Em 1158 assegurou os fundamentos jurídicos do convento com o arcebispo Arnaldo de Mainz, e em 16 de abril de 1163 Frederico Barbarossa lhe deu em Mainz uma carta de proteção em que o título de abadessa aparece pela primeira vez em documento. Em 1165 ela fundou, na outra margem do Reno, acima de Rüdesheim, uma casa filial numa abadia agostiniana vazia, hoje sede da abadia de Santa Hildegarda em Eibingen. (Schipperges 1972)
Obras: teologia, música e história natural
O NDB põe no centro da obra a trilogia visionária: o Liber Scivias (1141–51), o Liber vitae meritorum (1158–63) e o Liber divinorum operum (1163–73), este considerado sua principal realização criadora. A isso se somam cerca de 75 carmina da Symphonia armoniae celestium revelationum e o singspiel Ordo Virtutum, com melodias conservadas em notação de neumas. De 1150–60 são os escritos de história natural e medicina, chamados Physica e Causae et curae. O NDB cita ainda a Vita S. Ruperti, a Vita S. Disibodi e uma Lingua ignota ainda não interpretada. Nos escritos naturais, segundo o verbete, ser humano e natureza se correspondem, e a imagem da viriditas, a força vital da natureza, é central. (Schipperges 1972)
Pregações e últimos anos
O NDB conta quatro grandes viagens de pregação na década de 1160–1170, feitas a cavalo, de barco ou a pé: a primeira, por volta de 1160, a Mainz, Würzburg, Kitzingen, Ebrach e Bamberg; a segunda a Trier, Metz e Lorena; entre 1161 e 1163 uma viagem pelo Reno a Boppard, Andernach, Colônia e Werden; e a última, por volta de 1170, a Maulbronn, Hirsau, Kirchheim e Zwiefalten. Nelas atacava o clero decaído e a heresia dos cátaros. Já idosa, lutou contra o interdito imposto em 1179 pelos prelados de Mainz ao seu convento e morreu no Rupertsberg logo após o fim do interdito, em 17 de setembro de 1179. (Schipperges 1972)
Fontes
- Schipperges, Heinrich (1972). "Hildegard von Bingen". Neue Deutsche Biographie, via Deutsche Biographie (Bayerische Akademie der Wissenschaften e Bayerische Staatsbibliothek). https://www.deutsche-biographie.de/sfz32286.html (baixado em 30/10/2026; texto do artigo lido por inteiro). Autoria lida na seção de links da página ("Autor/in: Schipperges, Heinrich (1972)"). Acessar
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