Atlas da História

Poços de madeira da cultura da Cerâmica Linear na Saxônia (Altscherbitz, Brodau e Eythra), construídos por volta de 5200–5100 a.C. e datados por anéis de árvores

Construção por volta de 5206–5098 a.C. (ano astronômico −5205 a −5097), datada por dendrocronologia: Altscherbitz, 5099 a.C.; Brodau, 5190 ± 10 a.C.; Eythra 1, 5098 a.C.; Eythra 2, depois de 5206 a.C. Os anéis das madeiras cobrem 5469–5098 a.C. · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em 2012, Tegel, Elburg, Hakelberg, Stäuble e Büntgen publicaram a datação por anéis de árvores de quatro poços de madeira da cultura da Cerâmica Linear (LBK) escavados na Saxônia, no leste da Alemanha. Os 151 troncos de carvalho, conservados em ambiente encharcado, foram datados entre 5469 e 5098 a.C. e mostram, segundo os autores, carpintaria já bastante refinada, com juntas encaixadas e armações de base com espigas e cunhas. Eles concluem que os primeiros agricultores foram também os primeiros carpinteiros, o que contraria a ideia corrente de que ferramentas de metal seriam necessárias para construções complexas de madeira.

Datação dos troncos

Segundo Tegel e colegas (2012), foram datadas 151 séries de anéis de carvalho de quatro poços (Altscherbitz, Brodau, Eythra 1 e Eythra 2), vindas de pelo menos 46 árvores maduras. As séries cobrem 371 anos, de 5469 a 5098 a.C., e foram ajustadas, ano a ano, a uma cronologia de referência de carvalhos subfósseis do vale do rio Meno. Os anos de abate correspondem a obras em 5099 a.C. (Altscherbitz), em 5190 ± 10 a.C. (Brodau), em 5098 a.C. (Eythra 1) e depois de 5206 a.C. (Eythra 2). (Tegel et al. 2012)

Do tronco à tábua

Os autores descrevem que os construtores abatiam carvalhos maduros, de até 300 anos e até 1 m de diâmetro, com enxós de pedra de lâmina presa transversalmente, e cortavam acima da altura do peito. Os troncos eram rachados ao meio com cunhas de madeira batidas por malhos, cortados no comprimento com enxó e com brasas de carvão e depois rachados de novo, no sentido radial ou tangencial, em vigas e tábuas, alisadas com enxós. Segundo eles, a técnica é reconstruída por analogia etnológica e confirmada por experimentos para tempos antigos. (Tegel et al. 2012)

Revestimentos e juntas

Os poços chegavam a 7 m abaixo da superfície, até o lençol de água. Os autores reconhecem dois tipos de revestimento: em forma de caixa, com toras entalhadas e encaixadas nos cantos, e em forma de tubo, com troncos escavados. As armações de base dos poços de Altscherbitz e de Eythra 1 usavam encaixes de espiga e mortalha, e em Altscherbitz as espigas atravessavam a peça e eram travadas por cunhas. Pelas marcas, as enxós largas (cerca de 50 mm de gume) acabavam as superfícies e as estreitas (cerca de 20 mm) aparavam a madeira, o que para eles indica especialização no trabalho. (Tegel et al. 2012)

O poço de Altscherbitz e seu entorno

O poço A foi achado na borda de um assentamento de quase 100 casas longas e de um cemitério de cerca de duas dezenas de sepulturas. Em seu enchimento havia mais de 25 vasos inteiros, ferramentas de osso, pedra e sílex e restos de plantas: trigos einkorn e emmer, ervilhas, lentilhas, linhaça e papoula, além de frutos silvestres. Segundo os autores, a cerâmica quebrada era consertada com piche de bétula e usada assim, e dois vasos foram redecorados com tiras recortadas de casca de bétula coladas no piche, um estilo antes desconhecido na cultura. (Tegel et al. 2012)

Fontes

  1. Tegel, Willy; Elburg, Rengert; Hakelberg, Dietrich; Stäuble, Harald; Büntgen, Ulf (2012). "Early Neolithic Water Wells Reveal the World's Oldest Wood Architecture". PLOS ONE 7(12): e51374. DOI 10.1371/journal.pone.0051374. Texto obtido via https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC3526582/fullTextXML em 30/10/2026. Acessar

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