Homo sapiens
c. 315 mil anos atrás (± 34 mil) até hoje (Jebel Irhoud, Richter et al. 2017; Hublin et al. 2017) · África do Norte, África Oriental, África Austral
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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A espécie humana atual surgiu na África: os fósseis mais antigos atribuídos a ela, de Jebel Irhoud, no Marrocos, têm cerca de 315 mil anos (alguns pesquisadores os põem numa espécie mais primitiva). As fontes divergem sobre o modo, se numa só população ou região ou em populações conectadas espalhadas pelo continente.
O mosaico de Jebel Irhoud
Os novos fósseis de Jebel Irhoud reúnem rosto, mandíbula e dentes semelhantes aos de humanos modernos, antigos ou atuais, com uma caixa craniana e um endocrânio de forma mais arcaica (Hublin et al. 2017). Richter et al. (2017) dataram por termoluminescência artefatos de sílex aquecidos pelo fogo, associados diretamente aos fósseis, e chegaram à média ponderada de 315 mil anos, com margem de 34 mil; uma nova datação de um dente da mandíbula Irhoud 3, por série do urânio e ressonância de spin eletrônico, deu 286 mil anos, com margem de 32 mil. As idades quase dobram as estimativas anteriores para a parte baixa do depósito e põem a origem da espécie e a da Idade da Pedra Média próximas no tempo. Entre os autores estão Fethi Amani e Abdelouahed Ben-Ncer, do Instituto Nacional de Ciências da Arqueologia e do Patrimônio, do Marrocos. (Hublin et al. 2017; Richter et al. 2017)
Omo e Herto: as datas da África oriental
Os fósseis de humanos modernos mais antigos da África oriental vêm de Omo-Kibish e de Herto, na Etiópia, com idades em geral citadas de cerca de 197 mil e de 160 mil a 155 mil anos. Vidal et al. (2022) ligaram por análise geoquímica o tufo KHS, que cobre a camada de Omo I, a uma grande erupção do vulcão Shala, no rifte etíope principal, e dataram os depósitos dessa erupção: Omo I passou a ter idade mínima de 233 mil anos, com margem de 22 mil. Os autores mostraram também que esse tufo não serve para dar idade mínima aos fósseis de Herto. Antes, como lembram Richter et al. (2017), o fóssil de Omo, então com cerca de 195 mil anos, fazia situar o surgimento da biologia humana moderna por volta de 200 mil anos. A equipe de Vidal incluiu Asfawossen Asrat, Amdemichael Zafu Tadesse e Gezahegn Yirgu, da Universidade de Adis Abeba. (Vidal et al. 2022; Richter et al. 2017)
Uma origem em populações conectadas
Scerri et al. (2018) contestam a ideia de que o H. sapiens evoluiu numa única população ou região da África. Para eles, a cronologia e a diversidade física dos fósseis indicam populações variadas do clado do H. sapiens espalhadas pelo continente; o registro arqueológico mostra culturas materiais regionais de origem policêntrica; e a estrutura das populações africanas atuais é muito antiga, acompanhando zonas habitáveis que se deslocavam e se fragmentavam. Ragsdale et al. (2023) chegaram a um quadro parecido pela genética, com genomas de várias populações africanas e 44 genomas novos de pessoas nama, do sul da África: a primeira separação entre populações atuais ocorreu entre 135 mil e 120 mil anos atrás, precedida por duas ou mais populações pouco diferenciadas, ligadas por fluxo gênico por centenas de milhares de anos. Entre os autores estão Eileen Hoal e Marlo Möller, da Universidade de Stellenbosch. (Scerri et al. 2018; Ragsdale et al. 2023)
Fontes
- Hublin, J.-J.; Ben-Ncer, A.; Bailey, S. E.; Freidline, S. E. et al. (2017). "New fossils from Jebel Irhoud, Morocco and the pan-African origin of Homo sapiens". Nature 546: 289–292. DOI 10.1038/nature22336. Acessar
- Richter, D.; Grün, R.; Joannes-Boyau, R.; Steele, T. E. et al. (2017). "The age of the hominin fossils from Jebel Irhoud, Morocco, and the origins of the Middle Stone Age". Nature 546: 293–296. DOI 10.1038/nature22335. Acessar
- Vidal, C. M.; Lane, C. S.; Asrat, A.; Barfod, D. N. et al. (2022). "Age of the oldest known Homo sapiens from eastern Africa". Nature 601: 579–583. DOI 10.1038/s41586-021-04275-8. Acessar
- Scerri, E. M. L.; Thomas, M. G.; Manica, A.; Gunz, P. et al. (2018). "Did Our Species Evolve in Subdivided Populations across Africa, and Why Does It Matter?". Trends in Ecology & Evolution 33: 582–594. DOI 10.1016/j.tree.2018.05.005. Acessar
- Ragsdale, A. P.; Weaver, T. D.; Atkinson, E. G.; Hoal, E. G. et al. (2023). "A weakly structured stem for human origins in Africa". Nature 617: 755–763. DOI 10.1038/s41586-023-06055-y. Acessar
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