Jebel Irhoud: os mais antigos Homo sapiens conhecidos
c. 315 mil anos atrás (± 34 mil) · África do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Sítio arqueológico no Marrocos com fósseis de cerca de 315 mil anos atribuídos ao Homo sapiens. A datação reforçou a leitura de que a espécie surgiu num processo de escala pan-africana.
Um sítio exposto pela mineração em 1960
Jebel Irhoud fica num maciço a cerca de 55 km a sudeste de Safi. O depósito apareceu com a exploração de uma mina em 1960, e em 1961 surgiu o crânio hoje chamado Irhoud 1. Nos anos seguintes vieram uma caixa craniana (Irhoud 2), a mandíbula de um indivíduo imaturo (Irhoud 3), um úmero e parte de um ílio, junto com ferramentas de pedra lascadas pelo método Levallois. Segundo Hublin et al. (2017), esses restos foram lidos de início como uma espécie de neandertal africano com cerca de 40 mil anos. Mais tarde, a datação de um dente por ressonância de spin eletrônico combinada com série do urânio sugeriu c. 160 mil anos. Só as escavações retomadas no séc. XXI mudaram essa leitura. (Hublin et al. 2017)
Novas escavações e pelo menos cinco indivíduos
As escavações retomadas a partir de 2004 acrescentaram um novo crânio (Irhoud 10), uma mandíbula (Irhoud 11), uma maxila e vários dentes. Numa única camada, a 7, a equipe identifica restos de pelo menos cinco pessoas: três adultos, um adolescente e uma criança de cerca de 7,5 anos. A análise de Hublin et al. (2017) mostra um mosaico. O rosto cai dentro da variação dos humanos atuais, e os dentes, embora grandes, seguem o padrão do Homo sapiens; já a caixa craniana é alongada, sem a forma globular dos crânios de hoje. Para os autores, isso indica que a mudança evolutiva mais recente da linhagem afetou sobretudo a caixa craniana, e que o rosto moderno já estava formado muito antes. O conjunto é comparado com outros fósseis africanos, como os de Florisbad (c. 260 mil anos) e de Omo. (Hublin et al. 2017)
Termoluminescência e a idade de c. 300 mil anos
A nova idade veio de dois métodos, publicados num artigo paralelo por Richter et al. (2017). Sílex aquecidos no fogo, recolhidos no sítio, foram datados por termoluminescência em 315 ± 34 mil anos; o dente de Irhoud 3, recalculado por ressonância de spin eletrônico com série do urânio, deu 286 ± 32 mil anos. Os dois intervalos se sobrepõem, e Hublin et al. (2017) situam o conjunto entre c. 300 e 350 mil anos atrás. O trabalho reuniu o instituto marroquino de arqueologia e patrimônio (INSAP) e instituições da Alemanha, da França, da Austrália e dos Estados Unidos. Para Richter et al., a idade de Jebel Irhoud, no noroeste do continente, sugere que tanto o Homo sapiens quanto as indústrias da Idade da Pedra Média tiveram uma origem que envolveu a África como um todo. (Richter et al. 2017; Hublin et al. 2017)
Fontes
- Hublin, J.-J.; Ben-Ncer, A.; Bailey, S. E.; Freidline, S. E. et al. (2017). "New fossils from Jebel Irhoud, Morocco and the pan-African origin of Homo sapiens". Nature 546: 289–292. DOI 10.1038/nature22336. Acessar
- Richter, D.; Grün, R.; Joannes-Boyau, R.; Steele, T. E. et al. (2017). "The age of the hominin fossils from Jebel Irhoud, Morocco, and the origins of the Middle Stone Age". Nature 546: 293–296. DOI 10.1038/nature22335. Acessar
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