Atlas da História

Impacto de Chicxulub e a extinção do fim do Cretáceo

c. 66,0 milhões de anos atrás (limite Cretáceo–Paleógeno, ICS; Kuiper et al., citado por Schulte et al. 2010, dão c. 65,95) · Mesoamérica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Um asteroide caiu na plataforma de Yucatã, no México, e abriu uma cratera de cerca de 200 km. Uma revisão de 2010, com 41 autores, conclui que o impacto desencadeou a extinção em massa que pôs fim aos dinossauros não avianos; o papel do vulcanismo da Índia é debatido.

Uma cratera enterrada sob Yucatã

A cratera de Chicxulub fica na plataforma carbonática de Yucatã, no sul do golfo do México, metade no mar e metade em terra, coberta por sedimentos; seu centro geométrico está na costa, em Chicxulub Puerto, e o anel de cenotes na superfície acompanha a borda. Foi reconhecida por geofísicos da Pemex, a petrolífera mexicana, que viram padrões semicirculares de gravidade e magnetismo em cerca de 200 km; Penfield e Camargo-Zanoguera os apresentaram em 1981 como centro vulcânico ou cratera de impacto. Hildebrand e colegas propuseram em 1991 uma cratera de cerca de 180 km. O diâmetro varia de 170 a 300 km conforme o autor. (Urrutia-Fucugauchi et al. 2011)

Como se liga o impacto à extinção

O suplemento de Schulte et al. (2010) resume as provas: no GSSP do limite Cretáceo–Paleógeno, em El Kef, na Tunísia, há uma camada vermelha de milímetros, na base da argila do limite, com anomalia de irídio, esférulas de ejecta e espinélio rico em níquel. Zircões chocados do Haiti e da América do Norte têm 545 ± 5 milhões de anos, idade igual à do embasamento da cratera. Kuiper e colegas, citados no suplemento, não veem sinal de que as rochas fundidas de Chicxulub sejam 300 mil anos mais velhas que o limite. A ICS fixa o limite em 66,00 milhões de anos. (Schulte et al. 2010; International Commission on Stratigraphy 2026)

O primeiro dia do Cenozoico

Em 2016, a Expedição 364 do IODP e do ICDP perfurou o anel de picos da cratera no poço M0077. O testemunho tem cerca de 130 m de rocha fundida e suevito (brecha com vidro de impacto) depositados no primeiro dia do Cenozoico, cobertos por menos de 1 m de calcário formado ao longo de semanas a anos. Segundo Gulick e colegas, em minutos o embasamento soerguido colapsou e formou o anel; em cerca de uma hora a água do mar voltou para a cratera; em um dia um tsunami depositou areia, hidrocarbonetos e fragmentos de carvão vegetal vindos de costas distantes. A equipe tem autores dos EUA, Europa, Austrália, Japão e Canadá. (Gulick et al. 2019)

Fontes

  1. Schulte, P.; Alegret, L.; Arenillas, I.; Arz, J. A. et al. (2010). "The Chicxulub Asteroid Impact and Mass Extinction at the Cretaceous-Paleogene Boundary". Science 327(5970): 1214–1218. DOI 10.1126/science.1177265. Acessar
  2. Gulick, S. P. S.; Bralower, T. J.; Ormö, J.; Hall, B. et al. (2019). "The first day of the Cenozoic". Proceedings of the National Academy of Sciences 116(39): 19342–19351. DOI 10.1073/pnas.1909479116. Acessar
  3. Urrutia-Fucugauchi, J.; Camargo-Zanoguera, A.; Pérez-Cruz, L.; Pérez-Cruz, G. (2011). "The Chicxulub multi-ring impact crater, Yucatan carbonate platform, Gulf of Mexico". Geofísica Internacional 50(1): 99–127. DOI 10.22201/igeof.00167169p.2011.50.1.125. Acessar
  4. International Commission on Stratigraphy (2026). Global Boundary Stratotype Section and Points (GSSP), tabela. https://stratigraphy.org/gssps/ (consultada em 07/10/2026). Acessar

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