Independência do Brasil (1821–1825)
7 set. 1822 (data comemorada); processo de 1821 a 1825 (Wikidata) · Terras baixas da América do Sul
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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A separação política entre Brasil e Portugal foi um processo de 1821 a 1825, e não só o ato de 7 de setembro de 1822. Passou pelas Cortes de Lisboa, onde a representação das províncias brasileiras era fragmentada, e por uma disputa sobre o sentido de uma constituição. A guerra na Bahia (1822–1823) ligou-se a ele.
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Das Cortes de Lisboa ao Dia do Fico
Wehling (2023) lembra que a revolução constitucionalista do Porto, em agosto de 1820, levou a eleições de deputados nas províncias brasileiras a partir de maio de 1821. Foram 69 eleitos, e ao fim 46 estavam presentes, dos quais 15 recusaram assinar a constituição. Os deputados dos dois lados concordavam em muitas reformas liberais, mas não sobre a estrutura do Reino Unido. Os decretos de 29 de setembro e 1º de outubro, que mandavam d. Pedro voltar, chegaram ao Rio em 12 de dezembro e deram motivo às manifestações que levaram ao Dia do Fico, em 9 de janeiro de 1822. (Wehling 2023)
Um Brasil fragmentado nas Cortes
Segundo Wehling (2023), a representação brasileira era fragmentária. Pará, Maranhão e Piauí votaram com os Regeneradores, a bancada baiana mudou de posição ao longo de 1822, Pernambuco manteve equidistância e Minas, com 13 deputados, não chegou a viajar. A bancada paulista foi a mais assertiva, guiada pelas Lembranças e Apontamentos de José Bonifácio, que tratavam de temas como a situação dos indígenas e dos africanos escravizados, a educação popular e as sesmarias. O autor critica a visão nacionalista que condenava os deputados. (Wehling 2023)
Imprensa e novo vocabulário político
Hees (2013) mostra que a palavra "constituição" existia no vocabulário luso-brasileiro desde o século XVIII, mas sem sentido político-institucional; esse sentido só entrou na esteira da Revolução do Porto. A partir de 1821 circularam jornais e panfletos, discutidos em cafés, livrarias e sociedades secretas, no período que Isabel Lustosa chamou de "a guerra dos jornalistas", até o fechamento da Constituinte em 1823. O artigo mostra, portanto, o debate sobre a Independência também como disputa de palavras, mas não trata de indígenas nem de pessoas escravizadas. (Hees 2013)
Fontes
- Wehling, A. (2023). "Uma primeira experiência constitucional: os deputados brasileiros nas Cortes constituintes de Lisboa, 1821-1822". Revista da Faculdade de Direito da UERJ 42: 1–10. DOI 10.12957/rfd.2023.77133. Acessar
- Hees, F. (2013). "O conceito de constituição na Independência e na proclamação da república". História, histórias 1(1). DOI 10.26512/hh.v1i1.10718. Acessar
- Rodrigues, J. (2020). "The Abolition of the African Slave Trade in Brazil". Oxford Research Encyclopedia of Latin American History. Oxford University Press. DOI 10.1093/acrefore/9780199366439.013.875. Acessar
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