Invasão gaulesa da Grécia e derrota diante de Delfos (279 a.C.): o que contam Pausânias e Políbio, e a pretensão dos etólios
279 a.C.: a margem de Shuckburgh na tradução de Políbio anota 'Defeat of Brennus at Delphi, B.C. 279'; Pausânias data a derrota pelo arconte Anaxícrates, segundo ano da 125ª Olimpíada · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Segundo Pausânias, um exército celta de mais de cem mil homens, chefiado por Brennus e Acichorius depois de campanhas na Trácia, na Peônia e na Macedônia, desceu à Grécia, foi contido nas Termópilas por uma coalizão de gregos e acabou derrotado diante de Delfos, entre o frio, as pedras do Parnasso e um pânico noturno que Pausânias atribui ao deus Pã. A margem de Shuckburgh na tradução de Políbio data essa derrota em 279 a.C.; os etólios, na boca de um enviado seu citado por Políbio, reivindicam ter enfrentado Brennus sozinhos. Todo o relato lido é de autores gregos, e nenhum texto dos gauleses sobreviveu na leitura feita.
As expedições anteriores e a decisão de Brennus
Pausânias conta que a primeira expedição celta ao exterior foi chefiada por Cambaules e parou na Trácia, porque os celtas julgaram ser poucos. Na segunda, os veteranos de Cambaules, já com gosto pelo saque, arrastaram infantaria numerosa e cavalaria; o exército foi dividido por seus chefes em três. Cerétrio ia contra os trácios e os tribalos, Brennus e Acichorius contra a Peônia e Bolgius contra os macedônios e ilírios, onde enfrentou o rei Ptolomeu, que Pausânias diz ter sido morto, com muitas perdas macedônias. Só depois Brennus, em assembleias e conversas com oficiais, defendeu a campanha contra a Grécia, falando da fraqueza grega e da riqueza dos santuários. Pausânias dá para o exército 152 mil de infantaria e 20.400 de cavalaria; cada cavaleiro tinha dois servidores montados, que ele chama de escravizados. (Pausânias. Description of Greece)
Os gregos nas Termópilas e o rio Esperqueu
Segundo Pausânias, os gregos reuniram-se nas Termópilas com beócios (dez mil hoplitas e quinhentos cavaleiros), fócios, lócrios, megarenses, etólios (mais de sete mil hoplitas) e atenienses, estes com o general Calipo, os trirremes e mil de infantaria, além de quinhentos mercenários enviados por Antígono e quinhentos por Antíoco. Os gregos quebraram as pontes do Esperqueu, mas Brennus mandou dez mil homens atravessar de noite pela parte pantanosa, usando os escudos como balsas. Os povos em volta do golfo Maliaco construíram as pontes para Brennus, porque temiam os gauleses e queriam vê-los fora de suas terras. No primeiro combate, segundo Pausânias, morreram quarenta gregos e as perdas gaulesas não puderam ser contadas, em parte por afundarem na lama. (Pausânias. Description of Greece)
A Etólia, Cálio e a volta a Delfos
Brennus separou quarenta mil de infantaria e cerca de oitocentos cavaleiros, sob Orestório e Combutis, para invadir a Etólia e forçar os etólios a deixar as Termópilas. Pausânias descreve a destruição de Cálio como a pior de que se tem notícia: os homens foram mortos, as mulheres sofreram violência e muitas se mataram. Etólios, com mulheres e velhos, atiraram dos dois lados da estrada contra os gauleses na volta, e Pausânias diz que menos da metade dos 40.800 chegou ao acampamento. Enquanto isso, heracleotas e enianes indicaram a Brennus a trilha do Eta, também porque queriam o exército longe; a névoa cobriu os fócios, e os atenienses retiraram a frota com o exército pelo mar. Brennus marchou sobre Delfos, onde os delfios se refugiaram no oráculo e o deus prometeu defender o que era seu. (Pausânias. Description of Greece)
Delfos: trovão, geada e pânico, segundo Pausânias
Em Pausânias, o chão onde estava o exército gaulês foi sacudido quase o dia inteiro, com trovão e raios que incendiaram homens e armas, e os gauleses viram os fantasmas dos heróis Hipéroco, Laódoco e Pirro (para alguns, também Fílaco). À noite vieram geada, neve e rochas soltas do Parnasso; de manhã os gregos atacaram de frente, e os fócios desceram pelas encostas nevadas contra a retaguarda. Brennus, ferido, foi retirado; Pausânias conta que, durante a noite, um pânico atribuído ao deus Pã levou os gauleses a se matarem uns aos outros, e diz que as perdas na Fócida foram quase seis mil mortos em combate e mais de dez mil por frio e pânico, e mais de dez mil por fome. Brennus, diz ele, se matou com vinho puro. Os fócios fizeram uma estátua de Aleximaco, morto na luta, e a enviaram a Apolo. (Pausânias. Description of Greece)
Fontes
- Pausânias. Description of Greece, livro 10 (Phocis and Ozolian Locri), caps. 19 a 23, e livro 1 (Attica), cap. 4, tradução de W. H. S. Jones e H. A. Ormerod, Cambridge (Massachusetts): Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1918 (Loeb), no Perseus Digital Library, www.perseus.tufts.edu (doc=Perseus:text:1999.01.0160). Lido em 31/10/2026 no texto bruto da página (HTML) de cada capítulo.
- Políbio. The Histories of Polybius, vol. 1, tradução de Evelyn S. Shuckburgh, Londres e Nova York: Macmillan, 1889, no Project Gutenberg (ebook n. 44125, gutenberg.org/ebooks/44125). Lidos em 31/10/2026, no texto bruto, a introdução do tradutor, o livro I (caps. 6 a 15), o livro II (cap. 20), o livro IV (caps. 45 e 46) e o discurso de Cleneas no livro IX. As datas a.C. das margens e das notas são do tradutor.
Na mesma região
- Refundação da Liga Aqueia (c. 284–279 a.C.): Dyme, Patras, Trítea e Faras, e a política de “igualdade e liberdade”, segundo Políbio 284–279 a.C.: a margem de Shuckburgh dá a 124ª Olimpíada como 284–280 a.C. para a aliança de Dyme, Patras, Trítea e Faras, e anota a adesão de Aigion como 279 a.C. ('cerca de cinco anos depois', diz Políbio)
- Messana (264 a.C.): mercenários campanianos, Híeron de Siracusa e a decisão de Roma que abre a Primeira Guerra Púnica, segundo Políbio 264 a.C.: as margens de Shuckburgh anotam 'B.C. 264' com os cônsules Ápio Cláudio Caudex e M. Fúlvio Flaco para o voto do povo romano e a travessia do estreito; o mesmo editor dá a Primeira Guerra Púnica como 264–241 a.C.
- O corvus e a primeira grande frota romana (261–260 a.C.): remadores treinados em bancos em terra e uma ponte de abordagem que, segundo Políbio, fez do combate naval de Mylae uma luta de infantaria 261 a.C., decisão de construir a frota (margem de Shuckburgh no cap. 20 do livro I); batalha de Mylae em 260 a.C. (margem de Shuckburgh); Políbio não dá ano absoluto
- Aqua Appia: o primeiro aqueduto de Roma, trazido à cidade na censura de Ápio Cláudio 312 a.C. (Wikidata P571; Lívio o põe na censura de Ápio Cláudio e Caio Plaucio, marcada como 312 a.C. na edição)
- Via Ápia: a estrada de Roma a Cápua construída na censura de Ápio Cláudio 312 a.C. (Wikidata P571; Lívio situa a obra na censura de Ápio Cláudio e Caio Plaucio, no ano marcado como 312 a.C. na edição)
- Batalha de Queroneia (338 a.C.): Filipe II vence Atenas e Tebas, nas palavras de Demóstenes e de Pausânias ago. 338 a.C. (Wikidata P585, precisão de mês); as passagens lidas de Demóstenes e Pausânias não dão o mês