Refundação da Liga Aqueia (c. 284–279 a.C.): Dyme, Patras, Trítea e Faras, e a política de “igualdade e liberdade”, segundo Políbio
284–279 a.C.: a margem de Shuckburgh dá a 124ª Olimpíada como 284–280 a.C. para a aliança de Dyme, Patras, Trítea e Faras, e anota a adesão de Aigion como 279 a.C. ('cerca de cinco anos depois', diz Políbio) · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo Políbio, na 124ª Olimpíada, quando Pirro estava na Itália, quatro cidades da Acaia (Dyme, Patras, Trítea e Faras) se uniram de novo em liga, depois de décadas em que reis macedônios as indispuseram, puseram guarnições e fizeram tiranos. Cerca de cinco anos depois Aigion expulsou sua guarnição, e Bura e Caryneia também aderiram. Políbio liga essa trajetória à política de dar “igualdade e liberdade” às cidades, de combater quem as escravizava e de unir o Peloponeso, e conta que, antes disso, cidades da Magna Grécia tentaram adotar o modelo aqueu.
A antiga liga das doze cidades e a dispersão
Segundo Políbio, a Acaia teve reis desde Tisameno, filho de Orestes, até Ogiges, cujos filhos governaram de modo tão tirânico que o povo fez uma revolução e instalou a democracia. Políbio diz que a liga das doze cidades sempre tentou manter a forma democrática, até Alexandre e Filipe; só Olenos e Helice tinham desaparecido (Helice, engolida pelo mar antes de Leuctra). As dez que restavam eram Patras, Dyme, Faras, Trítea, Leôncio, Aigion, Aigeira, Pelene, Bura e Caryneia. Depois de Alexandre, pela ação dos reis macedônios, as cidades se afastaram umas das outras: algumas receberam guarnições de Demétrio, Cassandro e Antígono Gonatas, outras caíram sob tiranos. (Políbio. The Histories of Polybius)
As quatro cidades de 284 e a adesão de Aigion
Na 124ª Olimpíada, diz Políbio, houve a primeira liga de Patras e Dyme, e morreram Ptolomeu filho de Lago, Lisímaco, Seleuco e Ptolomeu Cerauno. A mudança de ânimo entre as cidades aqueias coincidiu com a invasão de Pirro à Itália. Dyme, Patras, Trítea e Faras foram as primeiras, e Políbio nota que não há coluna com o pacto. Cerca de cinco anos depois o povo de Aigion expulsou a guarnição estrangeira e entrou na liga; o de Bura matou seu tirano e fez o mesmo, e Caryneia voltou à liga quando o tirano Iseas, vendo a guarnição de Aigion expulsa e o déspota de Bura morto, renunciou, tendo obtido garantia pessoal dos aqueus. O tradutor anota 284 a.C. para a primeira união e 279 a.C. para Aigion. (Políbio. The Histories of Polybius)
Um estratego, Margos de Caryneia e a chegada de Arato
Políbio escreve que nos primeiros vinte e cinco anos um secretário e dois estrategos foram eleitos pelas cidades por rodízio; depois decidiram nomear só um estratego, e o primeiro foi Margos de Caryneia (margem: 255 a.C.). No quarto ano depois dele, Arato de Sicião, que aos vinte anos libertara a cidade do tirano, a fez aderir (margem: 251–250). No oitavo ano depois, já estratego pela segunda vez, tomou o Acrocorinto e fez Corinto aderir, e também Mégara (margem: 243–242). Políbio acrescenta que a política de Arato era expulsar os macedônios do Peloponeso, depor os tiranos e restabelecer em cada cidade a liberdade comum de seus antepassados. (Políbio. The Histories of Polybius)
O modelo aqueu e as cidades da Magna Grécia
Políbio conta, sem data nas passagens lidas, que depois do incêndio das hetairias pitagóricas na Magna Grécia, quando as cidades gregas de lá viviam assassinatos e guerras civis, delegações vindas de várias partes da Grécia tentaram pôr ordem, mas as cidades em crise preferiram a mediação dos aqueus. Crotona, Sibaris e Caulônia ergueram um templo comum a Zeus Homório e um lugar para suas assembleias, adotaram as leis e costumes aqueus e tentaram governar conforme seus princípios, mas a tirania de Dionísio de Siracusa e os vizinhos as obrigaram a abandonar o plano. Esse trecho é anterior à refundação e entra aqui como antecedente que o próprio Políbio escolhe para mostrar a reputação dos aqueus. (Políbio. The Histories of Polybius)
Fontes
- Políbio. The Histories of Polybius, vol. 1, tradução de Evelyn S. Shuckburgh, Londres e Nova York: Macmillan, 1889, no Project Gutenberg (ebook n. 44125, gutenberg.org/ebooks/44125). Lido em 31/10/2026 no texto bruto o livro II, caps. 37 a 43, com a introdução e as margens do tradutor, de onde vêm as datas a.C.
Na mesma região
- Invasão gaulesa da Grécia e derrota diante de Delfos (279 a.C.): o que contam Pausânias e Políbio, e a pretensão dos etólios 279 a.C.: a margem de Shuckburgh na tradução de Políbio anota 'Defeat of Brennus at Delphi, B.C. 279'; Pausânias data a derrota pelo arconte Anaxícrates, segundo ano da 125ª Olimpíada
- Messana (264 a.C.): mercenários campanianos, Híeron de Siracusa e a decisão de Roma que abre a Primeira Guerra Púnica, segundo Políbio 264 a.C.: as margens de Shuckburgh anotam 'B.C. 264' com os cônsules Ápio Cláudio Caudex e M. Fúlvio Flaco para o voto do povo romano e a travessia do estreito; o mesmo editor dá a Primeira Guerra Púnica como 264–241 a.C.
- O corvus e a primeira grande frota romana (261–260 a.C.): remadores treinados em bancos em terra e uma ponte de abordagem que, segundo Políbio, fez do combate naval de Mylae uma luta de infantaria 261 a.C., decisão de construir a frota (margem de Shuckburgh no cap. 20 do livro I); batalha de Mylae em 260 a.C. (margem de Shuckburgh); Políbio não dá ano absoluto
- Aqua Appia: o primeiro aqueduto de Roma, trazido à cidade na censura de Ápio Cláudio 312 a.C. (Wikidata P571; Lívio o põe na censura de Ápio Cláudio e Caio Plaucio, marcada como 312 a.C. na edição)
- Via Ápia: a estrada de Roma a Cápua construída na censura de Ápio Cláudio 312 a.C. (Wikidata P571; Lívio situa a obra na censura de Ápio Cláudio e Caio Plaucio, no ano marcado como 312 a.C. na edição)
- Batalha de Queroneia (338 a.C.): Filipe II vence Atenas e Tebas, nas palavras de Demóstenes e de Pausânias ago. 338 a.C. (Wikidata P585, precisão de mês); as passagens lidas de Demóstenes e Pausânias não dão o mês