Messana (264 a.C.): mercenários campanianos, Híeron de Siracusa e a decisão de Roma que abre a Primeira Guerra Púnica, segundo Políbio
264 a.C.: as margens de Shuckburgh anotam 'B.C. 264' com os cônsules Ápio Cláudio Caudex e M. Fúlvio Flaco para o voto do povo romano e a travessia do estreito; o mesmo editor dá a Primeira Guerra Púnica como 264–241 a.C. · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Segundo Políbio, mercenários campanianos que tinham servido a Agátocles de Siracusa tomaram Messana por traição, mataram ou expulsaram os moradores e ficaram com suas mulheres, filhos e terras, e passaram a se chamar mamertinos. Derrotados por Híeron de Siracusa, uns pediram proteção a Cartago e outros a Roma; o Senado não decidiu, o povo votou a ajuda e o cônsul Ápio Cláudio cruzou o estreito em 264 a.C. e rompeu o cerco, no que Políbio vê como a primeira expedição romana fora da Itália. Todo o relato lido vem de um autor grego, e nenhuma fala dos mamertinos, dos messênios expulsos ou dos siracusanos foi lida.
Os mercenários de Agátocles e o nome de mamertinos
Políbio diz que, 'não muito antes' do período que vinha narrando, alguns mercenários campanianos de Agátocles, de olho na beleza e riqueza de Messana, aproveitaram uma ocasião e entraram na cidade em atitude de amigos. Uma vez donos dela, expulsaram alguns cidadãos e mataram outros, e tomaram sem distinção as mulheres e filhos dos expulsos, ficando cada um com os que a sorte lhe dera naquele instante. Os bens e a terra foram repartidos depois. A margem do tradutor anota a morte de Agátocles em 289 a.C. Mamertinos, escreve Políbio, era o nome que os campanianos deram a si depois de senhores de Messana. Enquanto tiveram o apoio dos romanos que ocuparam Régio, controlaram o território, pressionaram cartagineses e siracusanos e cobraram tributo em várias partes da Sicília. (Políbio. The Histories of Polybius)
Régio, os quatro mil e o contraste romano
Segundo Políbio, quando Pirro cruzava para a Itália os habitantes de Régio, temendo-o e temendo a frota cartaginesa, pediram e receberam uma guarnição de Roma: quatro mil homens, sob o campaniano Décio Jubélio. A guarnição imitou os mamertinos, traiu a cidade, expulsou uma parte do povo e matou a outra. Quando os romanos, livres de outras guerras, cercaram e tomaram o lugar, mataram a maioria no assalto; mais de trezentos foram levados vivos a Roma, onde os cônsules os trouxeram ao fórum, açoitaram e decapitaram, e o território foi devolvido ao povo de Régio. A cena ajuda a entender, na leitura de Políbio, a hesitação do Senado diante do pedido de Messana: pouco antes, puniram os seus por isso, e agora auxiliar quem fizera o mesmo parecia injustificável. (Políbio. The Histories of Polybius)
Híeron de Siracusa e o fim do apoio a Messana
Em Siracusa, segundo Políbio, o exército brigou com os cidadãos e elegeu seus próprios comandantes, Artemidoro e Híeron; a margem anota 275–274 a.C. Híeron, ainda jovem, entrou na cidade, prendeu os adversários e governou com tal moderação que os siracusanos o aprovaram por unanimidade. Casou-se com a filha de Leptines, o homem mais influente do povo comum. Os mercenários antigos, rebeldes, foram colocados na frente de batalha contra os mamertinos, diante de Centuripa, e deixados ser destruídos, enquanto Híeron recuava com os cidadãos. Depois armou os cidadãos, venceu os mamertinos na planície de Mylae, junto ao rio Longano (margem: 268 a.C.), e foi saudado como rei. Com isso, diz Políbio, os mamertinos ficaram sem o apoio de Régio e sem espaço para suas incursões. (Políbio. The Histories of Polybius)
O voto em Roma e o cerco de Messana
Políbio escreve que os mamertinos se dividiram: parte quis entregar-se aos cartagineses, parte enviou embaixada a Roma, oferecendo a cidade. O Senado hesitou, de um lado pela quebra de equidade, de outro pelo medo de ver Cartago dona também da Sicília. Sem chegar a acordo, o Senado deixou a decisão ao povo, que votou a favor e elegeu cônsul Ápio Cláudio. Os mamertinos expulsaram o comandante cartaginês da cidadela e chamaram Ápio, e os cartagineses, segundo Políbio, crucificaram o comandante por covardia. Híeron aliou-se a Cartago e acampou diante da cidade; Ápio cruzou o estreito de noite e, depois de embaixadas recusadas, bateu primeiro Híeron e depois os cartagineses, levantou o cerco de Messana e foi pôr cerco à própria Siracusa. (Políbio. The Histories of Polybius)
Fontes
- Políbio. The Histories of Polybius, vol. 1, tradução de Evelyn S. Shuckburgh, Londres e Nova York: Macmillan, 1889, no Project Gutenberg (ebook n. 44125, gutenberg.org/ebooks/44125). Lido em 31/10/2026 no texto bruto o livro I, caps. 6 a 16, com as margens do tradutor, de onde vêm as datas a.C.
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- Aqua Appia: o primeiro aqueduto de Roma, trazido à cidade na censura de Ápio Cláudio 312 a.C. (Wikidata P571; Lívio o põe na censura de Ápio Cláudio e Caio Plaucio, marcada como 312 a.C. na edição)
- Via Ápia: a estrada de Roma a Cápua construída na censura de Ápio Cláudio 312 a.C. (Wikidata P571; Lívio situa a obra na censura de Ápio Cláudio e Caio Plaucio, no ano marcado como 312 a.C. na edição)
- Políbio de Megalópolis: o refém aqueu em Roma que escreveu como os romanos conquistaram o Mediterrâneo c. 204 – c. 122 a.C. (cabeçalho da Britannica de 1911; o nascimento é discutido entre 214 e 204)