Atlas da História

Lakshmibai, rani de Jhansi

c. 1828/1835 – 17 jun. 1858 (Tomczyk 2023; Lebra-Chapman 1986) · Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Rani do Estado de Jhansi, no centro da Índia, Lakshmibai contestou a anexação britânica de 1854 e liderou forças na revolta de 1857–58. Morreu em combate em Gwalior, em 17 de junho de 1858. Sua imagem foi disputada por autores britânicos e indianos.

Origem e formação

Segundo Lebra-Chapman, mito e fato se misturam na infância da futura rani, e até a data de seu nascimento é debatida: Tomczyk cita 19 de novembro de 1835, enquanto o Wikidata registra 1828. Nascida em Varanasi, numa família brâmane e com o nome Manikarnika, ela perdeu a mãe cedo. Seu pai, Moropant Tambe, trabalhava para a corte do ex-peshwá Baji Rao II, e a menina cresceu em Bithoor, onde teve contato com Nana Sahib e Tatya Tope e aprendeu equitação e armas. (Lebra-Chapman 1986; Tomczyk 2023)

Jhansi e a anexação

Em maio de 1842, a jovem casou-se com Gangadhar Rao, rajá de Jhansi, e passou a se chamar Lakshmi Bai. Em 1851, seu primeiro filho morreu poucos meses depois de nascer, e o casal adotou Damodar para garantir a sucessão. Com a morte do rajá, a Companhia das Índias Orientais aplicou a Doutrina da Caducidade, e Jhansi passou ao controle da Companhia em 1854; a Coroa só assumiu o governo da Índia em 1858. A rani contestou a anexação por meio do advogado John Lang e recusou a pensão oferecida. (Lebra-Chapman 1986; Tomczyk 2023)

A revolta de 1857–58

A revolta em Jhansi começou em 5 de junho de 1857, com protestos dos sipaios. Segundo Tomczyk, a rani chegou a ser acusada do massacre de europeus ocorrido na cidade, mas a maioria dos historiadores rejeita sua participação direta. As tropas de Hugh Rose chegaram em 21 de março de 1858, e ela fugiu para Kalpi, onde se juntou a Tatya Tope. Lebra-Chapman conclui que ela morreu em 17 de junho de 1858, ao defender um setor da linha de Gwalior, e que os relatos divergem sobre os detalhes de sua morte. (Lebra-Chapman 1986; Tomczyk 2023)

Memória e usos da figura

Tomczyk mostra que a rani foi retratada de maneiras opostas: em relatos britânicos, como a mulher ambiciosa e vingativa; em autores nacionalistas indianos, como Savarkar, como uma das heroínas da revolta. A estudiosa observa que a imagem dela serviu como símbolo do nacionalismo indiano a partir do início do século XX. Lebra-Chapman afirma que sua história é de uma jovem criada entre meninos na corte de Bithoor, longe do ideal feminino da época. (Lebra-Chapman 1986; Tomczyk 2023)

Fontes

  1. Lebra-Chapman, J. (1986). The Rani of Jhansi: A Study in Female Heroism in India. Honolulu: University of Hawaii Press. DOI 10.1515/9780824887414. Texto aberto em https://scholarspace.manoa.hawaii.edu (consultado em 07/10/2026). Acessar
  2. Tomczyk, A. (2023). "How is the Rani of Jhansi Memorised in the History of the Nineteenth-Century India? Selection of Historical Accounts". Studia Orientalne 12(2): 83–99. DOI 10.15804/so2023206. Acessar

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