Atlas da História

Revolta de 1857 na Índia

10 maio 1857 a 20 jun. 1858 · Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Levante de 1857–1858 contra o domínio da Companhia Britânica das Índias Orientais. O nome do evento ('motim', 'revolta', 'levante') é parte do debate historiográfico.

Uma "guerra de independência" escrita em 1909

A leitura nacionalista do levante ganhou forma num livro publicado em Londres em 1909 sem nome de autor, assinado apenas por "um nacionalista indiano": The Indian War of Independence of 1857, atribuído a V. D. Savarkar. O prefácio dos editores, datado de 10 de maio de 1909, informa que o texto foi escrito numa língua indiana e traduzido para o inglês por várias pessoas. Na introdução, o autor diz que, passados 50 anos, viu no chamado motim de 1857 uma guerra de independência; reclama que quase todas as autoridades sobre o tema eram autores ingleses e pede que um historiador patriota recolha as tradições guardadas pelas testemunhas ainda vivas. ([Savarkar 1909)

Swadharma e swaraj

O primeiro capítulo, intitulado "Swadharma e Swaraj", põe as causas no dever religioso e no autogoverno, e critica os historiadores ingleses que tratavam o boato dos cartuchos engraxados como causa principal. O autor insiste na unidade entre hindus e muçulmanos: cita a proclamação de Bareilly, que chamava as duas comunidades a se levantar juntas pelo swaraj, e destaca líderes de ambas, como Nana Sahib, Bahadur Shah, o maulvi Ahmad Shah e Khan Bahadur Khan. Na introdução, chega a afirmar que a hostilidade aos muçulmanos fora justificada na época de Shivaji, mas seria injusta e insensata no presente. O segundo livro narra os episódios de Mangal Pandey, Meerut e Délhi. ([Savarkar 1909)

Monumentos que mudaram de sentido

Pender (2022) estuda a memória do levante nos monumentos. Lugares como o Poço de Cawnpore, a Residência de Lucknow e a Crista de Délhi foram, sob o domínio britânico, locais sagrados de lembrança do "Motim dos Sipaios". Depois da independência, foram rededicados à "Primeira Guerra de Independência". Com pesquisa em arquivos da Índia e da Grã-Bretanha, Pender mostra que cada época comemorou 1857 a partir das próprias questões e conclui que lembrar o passado é sempre um ato político. (Pender 2022)

Terra, dívida e revolta camponesa

Outra linha de pesquisa procurou as raízes agrárias do levante. Stokes (1969) parte da explicação mais comum, que fazia do agiota o vilão e o beneficiário da revolução fundiária nas Províncias do Noroeste. As mudanças britânicas transformaram o direito de recolher o tributo da terra (malguzari) em propriedade privada transferível, impuseram tributos pesados e rígidos em dinheiro e permitiram a venda forçada de terras por atraso no tributo ou por dívida. Para Chaudhuri, citado por Stokes, as vendas públicas uniram camponeses e pequena nobreza na revolta de 1857–58. Stokes testou essa explicação nos distritos de Saharanpur e Muzaffarnagar. (Stokes 1969)

Fontes

  1. Bates, C.; Carter, M. (orgs.) (2017). Mutiny at the Margins: New Perspectives on the Indian Uprising of 1857, vol. 7: Documents of the Indian Uprising. SAGE. DOI 10.4135/9789353287726. Acessar
  2. [Savarkar, V. D.] (1909). The Indian War of Independence of 1857. Londres: s.n.
  3. Pender, S. R. (2022). The 1857 Indian Uprising and the Politics of Commemoration. Cambridge University Press. ISBN 9781316511336. DOI 10.1017/9781009052276. Acessar
  4. Stokes, E. (1969). "Rural Revolt in the Great Rebellion of 1857 in India: A Study of the Saharanpur and Muzaffarnagar Districts". The Historical Journal 12(4): 606–627. DOI 10.1017/s0018246x00010554. Acessar

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